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Claro como a água

Claro como a água

10
Set18

OPINIÃO | O Homem das Cavernas

O Homem das Cavernas.PNGTítulo: O Homem das Cavernas
Autor: Jørn Lier Horst
Ano da publicação: 2018
Editora: Dom Quixote

 

O Homem das Cavernas é o nono volume da série William Wisting e, se não estou em erro, o terceiro livro do escritor Jørn Lier Horst traduzido para português. É também o meu primeiro contacto com este autor norueguês.

As primeiras páginas leem-se bem e a expetativa é de que, conforme a história se vai desenrolando, fiquemos cada vez mais obcecados em saber como vai terminar, só que este cenário está longe de ser a realidade.

 

As personagens foram pouco trabalhadas, parecem-me demasiado superficiais, e talvez por isso não tenha sentido empatia por nenhuma delas. Outra característica de que não gostei foi o pouco desenvolvimento de alguns acontecimentos que considero não serem secundários à história principal.

 

A escrita não é a melhor, senti dificuldade em acompanhar os acontecimentos e em manter o interesse na história, por diversas vezes senti que preferia estar a fazer qualquer outra coisa em vez de ler este livro. Admito que a dificuldade em concentrar-me na leitura possa ter resultado de alguma falta de empenho minha, e não dever-se apenas à escrita do autor, fica a dúvida.

 

Então afinal o que é que este livro tem de bom? Bem, não sei se poderá dizer-se que é bom mas antes menos mau, talvez a história (se quiserem saber mais, leiam a sinopse). Acho que é o primeiro autor nórdico (e creio que também o primeiro autor norueguês) que leio e do qual não gosto. Não recomendo.

 

Classificação no Goodreads: 2/5

 

28
Ago18

OPINIÃO | Stalker

Stalker.PNG

 

Título: Stalker
Autor: Lars Kepler
Ano da publicação: 2016
Editora: Porto Editora

 

Stalker foi o meu regresso aos thrillers/policias e não podia ter corrido melhor! São cerca de 600 páginas de puro suspense e o final é simplesmente arrebatador.

 

Este é o quinto livro da série Joona Linna, o ex-comissário da Polícia e protagonista da série, e o quarto que leio. Os dois primeiros livros O Hipnotista e O Executor li por ordem, depois li O Homem de Areia, o quarto volume, e agora Stalker, falta-me o terceiro volume, A Vidente. Não é essencial ler os livros pela ordem de publicação, no entanto poderão não compreender alguns detalhes, principalmente se estiverem relacionados com a vivência e o passado das personagens.

 

Tenho gostado de todos os livros da dupla sueca Lars Kepler mas Stalker é sem dúvida o melhor de todos!

Neste volume o assassino observa as vítimas que se encontram descontraídas e sozinhas nas suas próprias casas, filma-as antes de as matar e coloca os vídeos no Youtube. É também neste volume que regressa uma das personagens que conhecemos n'O Hipnotista (que, ainda não disse, é provavelmente o segundo melhor volume, para mim).

 

A tensão ao longo da história é constante e a linha que separa a ficção da realidade tão ténue que cheguei a recear ler o livro à noite quando estava sozinha em casa, tal era o medo que começava a propagar-se na minha cabeça. 

Este volume, à semelhança dos restantes da série, tem bastantes páginas, no entanto os capítulos curtos e a curiosidade em conhecer o desfecho da história incentivam uma leitura ávida.

 

Há muito tempo que não lia um livro deste género e não poderia ter desejado um regresso mais feliz 

 

Classificação no Goodreads: 5/5

09
Ago18

OPINIÃO | Anna Karenina (sem spoilers)

AK.PNG

 Título: Anna Karenina

Autor: Leo Tolstoy

Ano da primeira publicação: 1878

Editora: Macmillan Collectors Edition
 

Esta obra-prima da literatura (talvez o livro mais bonito que tenho lá em casa) esteve na minha estante à espera de ser lido durante aproximadamente um ano, tendo sido necessário cerca de um mês e meio para desbravar as mais de mil páginas.

Foi o segundo livro de Tolstoy que li, depois de A Morte de Ivan Ilitch decidi que tinha de me aventurar com Anna Karenina ou Guerra e Paz, escolhi o primeiro porque o medo de enfrentar o segundo era imenso.


Com Anna Karenina confirmei a mestria de Tolstoy. Entre amores adúlteros e sinceros, vícios e costumes, evolução e regressão, o autor aborda questões filosóficas e sociais, desde a política à economia, não esquecendo a caracterização do Império Russo da altura. Tolstoy toca todos estes temas, apresenta o cenário deixando a interpretação a cargo do leitor.


Desmistificando, Anna Karenina não é o terror que muita gente teme, ainda que seja um pequeno monstro em dimensão e complexidade ao nível das personagens. Foram necessárias algumas páginas para entrar no ritmo de leitura, as inúmeras personagens, a semelhança dos seus nomes, as relações entre elas obrigaram a um início de leitura mais calmo.
 
Anna Karenina é uma narrativa em que o monólogo das personagens é constante. É dessa forma que as várias personagens "principais" expõem as suas motivações, experiências e ambições, mas é principalmente dessa forma que ficamos a conhecer a perceção de cada uma relativamente aos acontecimentos e às personagens que as rodeiam.

A história da personagem Anna Karénina, personagem que dá nome à obra, é intensa, intemporal e apaixonante, não fosse Anna uma personagem-chave neste romance. No entanto, não é nem de perto a minha personagem preferida.
 
Anna Karénina é uma obra-prima da literatura, leitura obrigatória não só pela sua grandiosidade mas porque é muito muito muito bom! Não se deixem amedrontar pelas mais de mil páginas, nem pela complexidade das personagens, o enredo, a escrita e a mestria de Tolstoy valem por isso tudo.
 
Classificação no Goodreads: 4/5

22
Abr18

OPINIÃO | Rebecca

 

Rebecca.jpg 

 Título: Rebecca

Autor: Daphne du Maurier

Ano da primeira publicação: 1938

Editora: Círculo de Leitores

 

Perdi conta ao número de vezes em que me disseram que este livro era espetacular, o melhor da autora. Comprei este exemplar numa feira de rua no Verão passado e desde então tenho procurado coragem para mergulhar nas cerca de 400 páginas de letras miudinhas e texto corrido. O projeto Livros no Ecrã da Daniela serviu de pretexto para (finalmente) ler Rebecca de Daphne du Maurier.

O veredicto é este: o livro é muito bom, a escrita da autora é surpreendentemente agradável e o enredo intrigante, apreciações ainda mais relevantes se tivermos em conta que o livro foi escrito em 1938.

 

A sinopse revela um enredo banal: uma jovem que se casa com um homem rico, que enviuvou recentemente, e desde então vive assombrada pela defunta. O suspense é uma constante, a curiosidade aumenta e as 400 páginas leem-se num ápice.

 

Uma das características que mais me agradou nesta leitura foi a caracterização e evolução psicológica das personagens. Esse é para mim o ponto forte do livro, aquele que me leva a concordar que é de facto espetacular. Essa caracterização é mais evidente na jovem que se casa com o viúvo Maxim de Winter, a nova Mrs. de Winter, aquela cujo nome nunca saberemos e que é também a narradora desta trama. Relativamente às restantes personagens, conhecêmo-las através da perspetiva da narradora, da sua visão crítica dos acontecimentos e da interação com as restantes personagens, logo essa caracterização psicológica não é tão explorada.

 

A surpresa das surpresas foi a escrita da autora. Não esperava algum tão fresco e simultaneamente tão crítico, também tinha algum receio quanto à fluidez da leitura, mas logo durante as primeiras páginas percebi que isso não seria um problema. Daphne du Maurier é sei dúvida uma grande escritora, consegue envolver o leitor num ambiente de mistério, por vezes obscuro, e deixar o leitor preso à história.

 

Sob pena de revelar mais do que devo, resta-me salientar que foi uma leitura viciante, com um desfecho imprevisível ainda que me tenha dececionada um pouco. Já adicionei outros livros da autora à minha lista, Daphne du Maurier é sem dúvida uma referência da literatura.

 

Classificação no Goodreads: 4/5 

19
Abr18

OPINIÃO | Nunca me deixes

Never Let Me Go.png 

Título: Nunca me deixes

Autor: Kazuo Ishiguro

Ano da primeira publicação: 2005

Editora: Gradiva

 

Nunca me deixes é um dos livros mais lidos do prémio Nobel Kazuo Ishiguro. Parti para esta leitura sem nada saber, sem ter lido a sinopse, nem opiniões de outros leitores, como faço frequentemente. Escolhi este livro apenas por querer conhecer o autor, premiado e bastante elogiado. A deceção começou ao fim de algumas páginas, quando percebi que o livro era um misto de distopia e ficção-científica, dois estilos que evito ler.

 

Kathy, Ruth e Tommy são três amigos que crescem num colégio interno que os protege do mundo exterior e os educa com um propósito específico, que não pretendo revelar. A história é nos contada pela perspetiva de Kathy através de constantes viagens ao passado que, confesso, me deixaram um pouco perdida principalmente na parte inicial.

 

Com o virar de mais algumas páginas lá me fui sentindo menos perdida e começava mesmo a ficar empolgada com o cenário alternativo criado pelo autor. Entusiasmo no auge e uma vontade imensa de perceber como ia o autor conduzir esta história e eis que chega a terceira e última parte do livro e o entusiasmo esmorece. A personagem principal com a qual cheguei a criar alguma empatia, revela-se uma mulher muito fraca com atitudes inexplicáveis. E se a coisa já não estava famosa, à medida que me aproximava do final comecei a sentir que faltavam peças ao puzzle e a deceção apoderou-se de mim.

 

A escrita do autor é bonita, no entanto o uso constante e propositado de uma expressão particular, que remete para o início da história, foi deveras irritante. Esta leitura valeu pelo incentivo à reflexão sobre a vida e o comportamento humano, conseguido através do cenário construído pelo autor mas também de algumas passagens como esta:

 

You're always in a rush, or else you're too exhausted to have a proper conversation. Soon enough, the long hours, the traveling, the broken sleep have all crept into your being and become part of you, so everyone can see it, in your posture, your gaze, the way you move and talk.

 

 

Classificação no Goodreads: 3/5

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