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Claro como a água

Claro como a água

27
Mar18

Como a Não-Ficção se tornou um hábito de leitura

Creio já ter referido, algures no final do ano passado, que andava a explorar a não ficção. Pois bem, explorei tanto que tenho a certeza de que a realidade (como gosto de apelidar a não ficção) veio para ficar.

 

A minha profissão requer que acompanhe sub-temas específicos de três grandes temáticas: Análise de dados, Finanças e Informática. A nível pessoal interesso-me principalmente por temáticas como Divulgação Científica, Saúde e Bem-Estar. Entre interesses decorrentes de necessidades profissionais e pessoais, as temáticas subjacentes aos livros não-ficção que tenho lido são na maioria estas que referi.

Por serem livros na sua maioria técnicos e sob os quais me é difícil emitir uma opinião clara e fundamentada, preferi não escrever posts de opinião, optando apenas por divulgá-los estando à disposição de quem quiser saber mais sobre eles. Deixo-vos alguns parágrafos sobre os livros não-ficção que tenho lido nos últimos meses:

 

 

Gestão de Activos Financeiros: Back to Basis de Carlos Bastardo

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Este é um dos poucos livros na temática dos Mercados Financeiros cujas explicações e conceitos assentam no mercado português. Começa por contextualizar o leitor ao nível de conceitos básicos relacionados com os mercados primário e secundário, classes de ativos e agentes de mercado, explicando sucintamente como funciona o mercado financeiro em Portugal e quais os principais agentes dinamizadores. Ao longo das páginas o autor aprofunda o estudo das diversas classes de ativos: ações, obrigações, mercado imobiliário, investimentos alternativos, terminando nos derivados. As explicações do autor vêm sempre acompanhadas de exemplos que ajudam a clarificar os conceitos e processos descritos. Podendo não ser o livro ideal para quem domina estas temáticas, ainda que tal como o autor refere seja um "back to basis", parece-me ideal para quem pretende explorar estes temas ou aprofundar o pouco conhecimento que possui. 

 

 

SQL for Dummies de Allen G. Taylor

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Não ambiciono ser mestre em SQL, até porque não necessito de saber mais do que fazer algumas queries básicas, e por isso não li este livro na integra. Li os capítulos introdutórios e aqueles relacionados com os comandos que me interessavam, o que resultou em ler mais de metade do livro. O que li pareceu-me claro por já ter conhecimentos básicos da linguagem, se não tivesse teria provavelmente sentido algumas dificuldades. Em resumo: ajudou a esclarecer algumas dúvidas mas não seria o livro que recomendaria a alguém que quisesse aventurar-se no SQL ou pretendesse tornar-se um SQL master.

 

 

The Subtle Art of Not Giving a F*ck de Mark Manson

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Li este livro quando ainda não tinha sido traduzido para português e confesso que não me maravilhou como parece estar a acontecer com os leitores portugueses em geral. O autor tenta ter um discurso humorístico que só me pareceu patético. Faltou principalmente poder de argumentação. Não recomendo.

 

 

Breaking Mad: The insider's guide to conquering anxiety de Anna Williamson

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Não há melhor forma de falar de ansiedade do que pela voz de quem viveu o problema. Anna Williamson explica neste livro o que é a ansiedade, como apareceu na sua vida, ou pelo menos como se manifestou, o que fazer para a afastar. A temática promete ser uma das doenças do século XXI, são cada vez mais os estudos e artigos publicados sobre a ansiedade, depressão e stress, e a forma como a autora aborda o tema parece-me resultar muito bem. Recomendo a quem queira ou precise de saber mais sobre o tema.

 

 

Grain Brain de David Perlmutter

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Entramos no mundo da nutrição através da visão do autor sobre o glúten e o açúcar na alimentação. Esta é para mim uma perspetiva um quanto radical, tal como são a maior parte das dietas alimentares que assentam em erradicar um conjunto considerável de alimentos e/ou nutrientes, não deixando de ser interessante para quem procura compreender melhor o impacto da alimentação no nosso corpo. Recomendo, não a quem procura um corpo fit para o Verão mas para aqueles que procuram ser mais saudáveis. 

 

Yoga For Pain Relief de Lee Albert

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Foi o segundo livro que li sobre yoga e poderá ser o mais espetacular que alguma vez irei encontrar. Comecei a ler este livro quando comecei a frequentar as aulas de pilates e bodybalance do ginásio, por essa altura as dores nas costas (típicas de quem passa o dia sentado) eram bastante incomodas. Com este livro aprendi sobre a influência dos músculos na nossa postura e vice-versa, como alongar uma zona que dói não é, na maioria das vezes, benéfico à dor e como interpretar os sinais que os músculos do nosso corpo nos dão. Foi uma leitura extremamente enriquecedora e que recomendo a todos os curiosos que, como eu, querem tirar maior partido das aulas de yoga e variantes ou que pretendem simplesmente conhecer o seu corpo.

 

 

 

Atualmente ao nível da não-ficção estou a ler Breve História do Tempo de Stephen Hawking e R for Dummies de Andrie de Vries. Tenho pesquisado sobre The China Study: The Most Comprehensive Study of Nutrition ever conducted de Colin Campbell, não estando ainda certa de que seja o mais adequado ao meu (baixo) nível de conhecimento da área, opiniões sobre este livro?

Também costumam ler livros de não-ficção? Quais as áreas que vos suscitam maior curiosidade?

31
Dez17

OPINIÃO | O Caminho Imperfeito

 

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Título: O Caminho Imperfeito

Autor: José Luís Peixoto

Ano da primeira publicação: 2017

Editora: Quetzal Editores

 

Se há algo relevante neste post e que merece ser retido é que foi com esta obra que José Luís Peixoto me conquistou. É certo que dele li apenas três livros para além deste último, talvez não tenha começado pelos melhores, este foi especial.

 

Porque escrevo? Escrevo porque quero que os meus filhos saibam quem sou. Tenho esperança de que estas palavras, misturadas com o que lhes mostro, sejam suficientes, sejam o máximo possível. Quero que me conheçam porque quero que se conheçam a si próprios. Quando eu já não possuir palavras, espero que regressem a estas e lhes encontrem significados que, agora, são inacessíveis. Espero que estas palavras os abracem. Escrever é a minha maneira de ser pai deles para sempre.

 

O Caminho Imperfeito é o regresso do autor à não-ficção, desta feita numa viagem até à Tailândia. O país é descrito através do olhar de José Luís Peixoto, que se terá deslocado por várias vezes ao país, e retratado através de ilustrações de Hugo Makarov. O livro está dividido em duas partes: a primeira sobre os sentidos e a cidade, numa evidente caracterização da cultura do país e dos costumes do seu povo, a segunda um registo autobiográfico através de vários episódios vividos pelo autor.

 

Não tem princípio nem fim, não é passível de descrição, é para ler devagar, saborear a viagem a Banguecoque, apreciar as passagens mais profundas.

 

Não sei como vou morrer, não sei se vou ter tempo para pensar. Mas muitas vezes, quando tenho de fazer avaliações importantes, imagino como seria se estivesse para morrer. E estou. Quem está vivo, está para morrer.

 

Esta leitura levou-me a procurar outras obras do autor e a querer ler mais "literatura de viagem". Dos melhores livros que li em 2017.

 

Classificação no Goodreads: 5/5 

05
Ago16

OPINIÃO | Como um Romance

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Título: Como um Romance

Autor: Daniel Pennac

Ano da primeira publicação: 1992

Editora: Edições Asa

 

"O verbo ler não suporta o imperativo. É uma aversão que compartilha com outros: o verbo «amar»... o verbo «sonhar»..."

 

Um ensaio bri-lhan-te!

 

O autor Daniel Pennac descreve em Como um Romance não apenas os "direitos inalienáveis do leitor", mas reflecte também acerca da importância da cultura. Podem pensar que este tipo de ensaios é aborrecido e enfadonho, dá sono e vontade de fechar o livro, mas com Daniel Pennac isso não acontece. O autor conseguiu aliar a boa disposição a temáticas tão sérias e relevantes como são a importância da cultura e os hábitos de leitura dos "leitores" de hoje.

 

É um livro pequeno, baratinho e que se lê depressa, mas muito rico em conteúdo. Essencial para os pais que querem incutir hábitos de leitura aos filhos, útil para os professores que procuram transmitir a paixão pela leitura e um prazer enorme para os leitores, que vão certamente rever-se neste ensaio. Terminei este livro com vontade de ler mais e melhor, não que precisasse de motivação, mas motivação extra não faz mal a ninguém. Pelo menos enquanto não formos suficientemente corajosos (leia-se maluquinhos) para nos despedirmos, carregar os livros às costas e passear por este Mundo fora.

 

"- Nem sabe como o invejo, por ter tempo para ler!
Mas como se explica que aquela, que trabalha, vai às compras, educa os filhos, guia o carro, ama três homens, vai ao dentista, vai mudar de casa para a semana que vem, arranje tempo para ler, e este casto celibatário que vive de rendimentos não o consiga?
O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Como aliás o tempo para escrever, ou para amar.)
Roubado a quê?
Digamos que ao dever de viver."

Gostei particularmente das referências a autores e obras literárias ao longo de toda a obra. Bem, gostei de todas excepto de uma, não gostei nada nada nada que o autor tenha revelado o final de Guerra e Paz, se ainda não leram e têm interesse então aconselho que "saltem" parágrafos sempre que o autor referir a obra ou o Tolstoi.

 

Acho que delirei (mais do que uma vez) enquanto lia este ensaio, marquei muitas passagens, reli vários parágrafos, sorri sempre que reconhecia nas palavras do autor muitos dos meus pensamentos e vontades. Quando terminei só me apetecia abraçar o Daniel Pennac, poderíamos ser verdadeiros amigos.

 

Uma leitura obrigatória para TODOS!

 

Classificação no Goodreads: 5/5  

29
Jul16

OPINIÃO | Furiosamente Feliz

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Título: Furiosamente Feliz

Autor: Jenny Lawson

Ano da publicação: 2016

Editora: Marcador

 

"Somos todos bastante bizarros, alguns de nós são apenas melhores a escondê-los."

 

Quando terminei este livro sentia-me tão bem, tão feliz. Só me apetecia falar sobre o livro, recomendá-lo, reler as passagens mais marcantes e olhar, uma vez mais, para este guaxinim maravilhosamente bem-disposto (o Rory). É impossível não sorrir. Acho até que vou adoptar esta capa para todos os meus livros, se não for para me fazer feliz, que seja para arrancar um sorriso às pessoas à minha volta.

 

A autora deste livro é Jenny Lawson, uma mulher que reconhece ser doida mas que escolheu ser furiosamente feliz. Apesar das doenças mentais, fobias, depressões profundas e ainda uma artrite reumatóide, Jenny consegue ter uma postura perante a vida como pouca gente consegue ter. É essa a mensagem que Jenny quer passar. Este livro não é um manual sobre como ser feliz ou como ultrapassar a depressão, é antes uma partilha de experiências entre Jenny e os seus leitores, que sem nos apercebermos pode mudar a forma como levamos a vida.

 

Sei que muitos de vós não vão sequer ponderar ler este livro quando souberem que se encontra na secções de auto-ajuda, mas ainda assim, e porque não consigo evitar, vou dar-vos motivos para o lerem.

Se sofrem de distúrbios mentais, fobias, depressões profundas ou até mesmo artrite reumatóide, e tendo em conta que o livro está na secção de auto-ajuda, então têm mesmo de ler este livro.

Se não sofrem de nenhuma das doenças mencionadas no parágrafo anterior, então das duas uma: ou conhecem alguém que tem pelo menos um destes problemas, e nesse caso fará igualmente sentido que leiam o livro, ou então não, e assim sendo digo-vos que este livro vai proporcionar-vos umas boas gargalhadas e provavelmente levar-vos a questionar a vossa sanidade mental

A Jenny é uma pessoa genial, com um sentido de humor como nunca vi e não se dá nada mal com a escrita, pelo contrário, consegue expressar-se muito bem e cativar o leitor (tenho de dar os parabéns à editora pela tradução). Se tiverem dúvidas podem consultar o blog da Jenny. Soltei imensas gargalhadas, sorrisos e algumas vezes, ainda que poucas, a autora conseguiu deixar-me o coração bem apertadinho.  

 

Este livro conseguiu aquilo que nenhum outro livro conseguiu: levou-me a questionar-me acerca da minha maluqueira, doidice, paranóia, ou outro nome semelhante. Em vários momentos senti que a autora teve a coragem de transportar para a realidade (leia-se, livro) alguns dos pensamentos que temos na nossa cabeça, ou pelo menos que eu tenho na minha. Calma, não fujam já! Ainda não sou perigosa nem totalmente doida! Aqueles pensamentos mais drásticos que a autora tem, como por exemplo, "os meus principais pensamentos durante as férias são: esfaqueia, esfaqueia, esfaqueia, foge!", eu não tenho (mas vou testar durante as próximas férias). 

 

É claro que a maioria das histórias/memórias/pensamentos da autora são um pouco loucos, e é nessas alturas que soltamos as maiores gargalhadas. Deixo-vos um excerto só para aguçar a curiosidade:

 

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Não é um livro de ficção, não é um manual sobre como ser louco neste mundo e sobreviver, é um livro que merece ser lido e relido para nos relembrar que estamos cá para viver e não para sobreviver, que devemos ser bizarros, diferentes, únicos, mas furiosamente felizes! Eu cá conto lê-lo sempre que sentir que preciso, nem que seja para que a Jenny me lembre que "a celulite da pessoa mais feia é sempre mais atraente do que o intestino grosso da super-modelo mais bonita."

 

Classificação no Goodreads: 5/5

08
Mar16

OPINIÃO | Um Quarto Só Para Si

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Título: Um Quarto Só Para Si

Autor: Virginia Woolf

Ano da primeira publicação: 1928

Editora: Relógio d'Água

 

Um Quarto Só Para Si é um ensaio sobre as mulheres e a ficção. Virginia Woolf parte da ideia de que "uma mulher tem de dispor de dinheiro e de um cantinho seu, para escrever ficção" e analisa a condição das mulheres na literatura.

A autora apresenta-nos algumas das desvantagens educativas, sociais e financeiras que, ao longo da história inglesa, se têm atravessado no caminho das mulheres escritoras, destacando e prestando homenagem a Aphran Benn, Jane Austen, Charllotte Brontë, Emily Brontë, Dorothy Osborne e George Eliot.

 

"As obras-primas não são começos individuais e solitários: são o resultado de muitos anos de reflexão em comum, de reflexão feita por todos, para que essa experiência esteja por detrás de uma voz única. Jane Austen devia ter posto uma coroa de flores sobre o túmulo de Fanny Burney, e George Eliot" ter prestado homenagem à resoluta sombra de Eliza Carter. Juntas, todas as mulheres deviam deixar cair flores sobre o túmulo de Aphra Behn, que está, com muito escândalo, mas devidamente em Westminster Abbey, pois foi ela quem conquistou o direito para as mulheres dizerem aquilo que pensam."

 

É curioso que tenha lido este livro sem conhecer a temática e justamente por altura do Dia Internacional da Mulher, dia esse em que se pretende evidenciar o papel da mulher na sociedade, pôr fim à ideia de que a mulher é apenas mãe e esposa.

 

"Pode avaliar-se as dificuldades postas a uma mulher que quisesse escrever, quando se verifica que mesmo uma mulher com vocação para escrever admitia que escrever um livro era tornar-se ridícula, até mesmo mostrar-se perturbada."

 

 

 É um livro pequenino, que se lê facilmente e com uma mensagem muito forte. Se o que disse até agora não for suficiente para aguçar a curiosidade, então leiam pelo prazer que é ler Virginia Woolf

 

"Quando Coleridge declarou que um grande espírito é hermafrodita, não queria decerto significar que se tratasse de um espírito com qualquer simpatia especial pelas mulheres; um espírito que se ocupa da causa delas ou se dedica à sua interpretação. (...) Talvez quisesse dizer que o espírito hermafrodita é ressonante e permeável; que transmite emoção sem barreiras; que é naturalmente criador, incandescente e uno."

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

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