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Claro como a água

Claro como a água

28
Ago18

OPINIÃO | Stalker

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Título: Stalker
Autor: Lars Kepler
Ano da publicação: 2016
Editora: Porto Editora

 

Stalker foi o meu regresso aos thrillers/policias e não podia ter corrido melhor! São cerca de 600 páginas de puro suspense e o final é simplesmente arrebatador.

 

Este é o quinto livro da série Joona Linna, o ex-comissário da Polícia e protagonista da série, e o quarto que leio. Os dois primeiros livros O Hipnotista e O Executor li por ordem, depois li O Homem de Areia, o quarto volume, e agora Stalker, falta-me o terceiro volume, A Vidente. Não é essencial ler os livros pela ordem de publicação, no entanto poderão não compreender alguns detalhes, principalmente se estiverem relacionados com a vivência e o passado das personagens.

 

Tenho gostado de todos os livros da dupla sueca Lars Kepler mas Stalker é sem dúvida o melhor de todos!

Neste volume o assassino observa as vítimas que se encontram descontraídas e sozinhas nas suas próprias casas, filma-as antes de as matar e coloca os vídeos no Youtube. É também neste volume que regressa uma das personagens que conhecemos n'O Hipnotista (que, ainda não disse, é provavelmente o segundo melhor volume, para mim).

 

A tensão ao longo da história é constante e a linha que separa a ficção da realidade tão ténue que cheguei a recear ler o livro à noite quando estava sozinha em casa, tal era o medo que começava a propagar-se na minha cabeça. 

Este volume, à semelhança dos restantes da série, tem bastantes páginas, no entanto os capítulos curtos e a curiosidade em conhecer o desfecho da história incentivam uma leitura ávida.

 

Há muito tempo que não lia um livro deste género e não poderia ter desejado um regresso mais feliz 

 

Classificação no Goodreads: 5/5

09
Ago18

OPINIÃO | Anna Karenina (sem spoilers)

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 Título: Anna Karenina

Autor: Leo Tolstoy

Ano da primeira publicação: 1878

Editora: Macmillan Collectors Edition
 

Esta obra-prima da literatura (talvez o livro mais bonito que tenho lá em casa) esteve na minha estante à espera de ser lido durante aproximadamente um ano, tendo sido necessário cerca de um mês e meio para desbravar as mais de mil páginas.

Foi o segundo livro de Tolstoy que li, depois de A Morte de Ivan Ilitch decidi que tinha de me aventurar com Anna Karenina ou Guerra e Paz, escolhi o primeiro porque o medo de enfrentar o segundo era imenso.


Com Anna Karenina confirmei a mestria de Tolstoy. Entre amores adúlteros e sinceros, vícios e costumes, evolução e regressão, o autor aborda questões filosóficas e sociais, desde a política à economia, não esquecendo a caracterização do Império Russo da altura. Tolstoy toca todos estes temas, apresenta o cenário deixando a interpretação a cargo do leitor.


Desmistificando, Anna Karenina não é o terror que muita gente teme, ainda que seja um pequeno monstro em dimensão e complexidade ao nível das personagens. Foram necessárias algumas páginas para entrar no ritmo de leitura, as inúmeras personagens, a semelhança dos seus nomes, as relações entre elas obrigaram a um início de leitura mais calmo.
 
Anna Karenina é uma narrativa em que o monólogo das personagens é constante. É dessa forma que as várias personagens "principais" expõem as suas motivações, experiências e ambições, mas é principalmente dessa forma que ficamos a conhecer a perceção de cada uma relativamente aos acontecimentos e às personagens que as rodeiam.

A história da personagem Anna Karénina, personagem que dá nome à obra, é intensa, intemporal e apaixonante, não fosse Anna uma personagem-chave neste romance. No entanto, não é nem de perto a minha personagem preferida.
 
Anna Karénina é uma obra-prima da literatura, leitura obrigatória não só pela sua grandiosidade mas porque é muito muito muito bom! Não se deixem amedrontar pelas mais de mil páginas, nem pela complexidade das personagens, o enredo, a escrita e a mestria de Tolstoy valem por isso tudo.
 
Classificação no Goodreads: 4/5

28
Mar18

OPINIÃO | O Labirinto dos Espíritos

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Título: O Labirinto dos Espíritos

Autor: Carlos Ruiz Zafón

Ano da primeira publicação: 2016

Editora: Editorial Planeta

 

O Labirinto dos Espíritos foi uma das últimas leituras de 2017, um dos livros que carinhosamente batizei de "monstro da minha estante". Com cerca de 800 páginas, difícil de carregar e ler nos transportes, necessitei de cerca de 2 meses para o ler.

Este é o último volume da saga O Cemitério dos Livros Esquecidos, que muitos de vós imediatamente associam à incrível obra A Sombra do Vento, o primeiro volume da saga. Carlos Ruiz Zafón leva-nos de volta à mágica cidade de Barcelona (com umas visitas a Madrid) desta feita com novas personagens e um registo mais próximo do policial.

 

Antes de continuar tenho de confessar que esperava algo mais em linha com os primeiros volumes, mais centrado na família Sempere. Tendo alinhadas a minha expectativa e vontade, aconteceu o óbvio: tudo o que não dizia respeito à família Sempere era como se fosse "palha", e foram efetivamente páginas e páginas de "palha". Também contava que o registo fosse semelhante ao que já conhecia, e não um quase policial com uma longa investigação subjacente que me fez sentir, por diversas vezes, um pouco perdida.

 

Diria que é impossível não ficar maravilhado com a escrita de Zafón, se assim não fosse não teria provavelmente lido os três volumes anteriores e não me teria proposto a ler este calhamaço. Talvez por apreciar a escrita e também por este volume ajudar a esclarecer alguns mistérios levantados em livros anteriores, uma leitura que poderia ter caído em desgraça acabou por se revelar bastante agradável.

 

Recomendo O Labirinto dos Espíritos mesmo a quem não tenha lido os volumes anteriores, ainda que ache que a experiência é muito diferente. No entanto, se só pudesse escolher uma obra seria sempre A Sombra do Vento, essa sim têm meeeeesmo de ler!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

09
Set16

OPINIÃO | As Serviçais (sem spoilers)

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Título: As Serviçais

Autor: Kathryn Stockett

Ano de publicação: 2013

Editora: Saída de Emergência

 

Tão mas tão bom!

 

Sei que já muitos de vós terão lido o livro ou visto o filme (ainda que não sejam experiências comparáveis), esta era uma das minhas vergonhas literárias e por isso assim que me ofereceram o livro comecei a lê-lo. Li-o devagar, com muita calma para conseguir saborear a escrita de Kathryn Stockett mas principalmente, porque as personagens principais são deliciosas. Expectativas superadas, claramente!

 

As Serviçais é a estreia da autora norte-americana, uma estreia com temas fortes: o racismo, a igualdade, o respeito, a amizade e também a emancipação feminina. O enredo decorre nos anos 60 em Jackson, no Mississipi, numa altura em que a segregação racial começava a ser contestada, mas ainda prevalecia em alguns estados americanos. Segundo as notas presentes no final do livro, a história foi baseada em factos que a própria autora presenciou durante a infância.

 

Não vou mesmo revelar nada sobre a história, digo apenas que tem momentos emocionantes, daqueles que nos fazem ver desfocado como se estivéssemos debaixo de água, mas também tem momentos que nos indignam e causam revolta. Leva-nos a reflectir sobre o comportamento do ser humano, faz-nos querer ter o poder de mudar o Mundo.

 

A escrita é bastante descritiva e muito agradável, embora a leitura adquira um ritmo mais lento do que o habitual, a história assim o exige, a escrita é fluida. As personagens são bem construidas e apaixonantes, conhecemos três mulheres com personalidades tão diferentes mas igualmente corajosas, uma mulher branca pertencente à classe alta e duas serviçais negras. Mas o factor diferenciador nesta história, e o que mais me agradou, é que conhecemos a época pelas palavras e pela visão destas três personagens.

 

"- Um dia, um marciano sábio vem à terra para ensinar umas coisinhas às pessoas - começo.
- Um marciano? De que tamanho?
- Oh, mais ou menos um metro e noventa.
- Como é que se chama?
- Marciano Luther King.
(...)
- Era um marciano muito simpático, o senhor King. Era parecido connosco, nariz, boca, cabelo na cabeça, mas algumas pessoas olhavam para ele de maneira estranha e, bem às vezes acho que as pessoas eram mesmo más.
(...)
- Porquê Aibee? Porque eram maus para ele?
- Porque ele era verde.”

 

Não é apenas mais um livro sobre o racismo, é o livro que todos devem ler. Não procurem saber mais sobre a história, peguem no livro, deixem-se envolver, leiam, garanto-vos que será uma experiência inesquecível!

 

Classificação no Goodreads: 5/5

16
Ago16

OPINIÃO | Pássaros Feridos

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Título: Pássaros Feridos

Autor: Colleen McCullough

Ano da primeira publicação: 1977

Editora: Bertrand Editora 

 

Sinto que vivi uma vida inteira neste livro. Poderia arranjar dezenas de adjectivos sinónimos de maravilhoso, fantástico, incrível e ainda assim nunca iria parecer suficiente. Acontece com os melhores. Atentem no primeiro parágrafo da obra:

 

"Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade do que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro, e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e solta um canto mais belo que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento.”

 

Este romance acompanha três gerações da família Cleary entre 1915 e 1969 e desenrola-se principalmente na Austrália. Ainda que ficção histórica não seja dos géneros literários que mais aprecio, tenho uma certa tendência para adorar (e até delirar) com enredos focados numa mesma família. Este em particular toca em temas como a existência do ser humano, a importância das escolhas e a incerteza/certeza do destino.

 

Motivos para ler este livro é o que não falta por aqui, deixo os meus eleitos:

  1. as personagens são tão completas que sentimos que vivem para além do livro
  2. a escrita da autora é cativante, rica em imagens e sentimentos, conseguimos facilmente visualizar as paisagens que a autora descreve
  3. a autora consegue relacionar muito bem a história da família com os acontecimentos da época
  4. é um livro muito absorvente, daqueles que nos fazem esquecer onde estamos
  5. Colleen McCullough sabe realmente como contar uma história

 

Não é um romance perfeito, nem sei se tal coisa existe. Reconheço que a autora se excedeu um bocadinho, podia ter contado a mesma história em menos páginas. Também fiquei de pé atrás com o comportamento de algumas personagens femininas, demasiada submissão para o meu gosto.

 

No final, estes pontos menos positivos pareceram-me pouco relevantes, terminei o livro com uma sensação difícil de descrever e agora que já passaram alguns dias percebo o quanto estas personagens me marcaram. Não se deixem intimidar pelas mais de 600 páginas, garanto-vos que esta experiência é inesquecível.

 

Classificação no Goodreads: 5/5

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