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Claro como a água

Claro como a água

30
Dez16

OPINIÃO | Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Wook.pt - Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

 

Título: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Autor: J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Ano de publicação: 2016

Editora: Editorial Presença

 

Muito já foi dito e escrito acerca do mais recente livro da saga Harry Potter, por isso tentarei que este post seja curto.

Levei algum tempo a perceber se queria ler este livro por recear uma desilusão. Tive até de gerir expectativas por me ter apercebido da decepção de muitas das pessoas que já tinham lido o livro, esse descontentamento foi bem evidente principalmente no Goodreads.

 

Ora e o que é que eu achei disto tudo? Resumidamente é isto: se não fosse um livro com personagens do universo Harry Potter, incluindo o próprio, seriam 2 estrelas; mas como se trata do Harry, do Ron, da Hermione e daquele ambiente mágico tão fantástico e maravilhosamente bem construido, são 4 estrelas. Não gostei da estrutura, guiões de peças de teatro não é bem a minha onda. Não gostei da forma superficial como os autores exploram as personagens. Não gostei das lacunas espaciais e temporais. Não gostei das alterações que os autores fizeram ao nível das personalidades de personagens como o Harry e a Hermione, em diversos momentos nem os reconheci.

 

Do que é que eu gostei afinal? De me perder neste mundo mágico. De ter regressado à adolescência, quando vibrava ao ler os livros da saga. Mas principalmente, de me ter conseguido abstrair da realidade enquanto lia este livro, e isso não acontece frequentemente.

 

Caso sejam publicados novos livros da saga, pretendo lê-los? Siiiiim!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

07
Set16

OPINIÃO | A Menina Que Fazia Nevar

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Título: A Menina Que Fazia Nevar

Autor: Grace McCleen

Ano de publicação: 2014

Editora: Editorial Presença

 

Esta é uma história contada por Judith McPherson, uma menina de 10 anos. Como todas, ou quase todas, as histórias narradas por crianças, o ambiente é ternurento e quase sempre nostálgico. A Menina Que Fazia Nevar não é excepção.

Judith é uma menina doce, apesar de todas as adversidades que tem enfrentado, tem uma relação distante e complicada com o pai (um religioso fervoroso), a mãe morreu e Judith sofre de bullying na escola. São os dias tristes e solitários de Judith que a levam a criar a Terra de Leite e Mel e a dar asas à imaginação.

 

Algumas das temáticas abordadas são invulgares, como é o caso da devoção religiosa levada ao extremo, foi esta temática que me levou a pegar no livro. A história criada pela autora é mesmo muito interessante e vale a pena aprender algumas coisas com a pequena Judith e o seu pai.

 

Porquê "apenas" 3 estrelas? Porque apesar de interessante, a história não foi bem conseguida: 1) não consegui criar grande empatia com as personagens, mesmo com a própria Judith, lembro-me inevitavelmente de Scout Finch de Mataram a Cotovia e digo-vos que não há comparação possível; 2) fiquei com a sensação de que o livro foi escrito por várias pessoas, alguns capítulos estavam muito bons enquanto outros estavam demasiados estranhos (e talvez mal escritos); 3) a autora caracterizou os religiosos fervorosos desta história como se estivesse a caracterizar o próprio diabo. Confesso que esperava mais deste livro.

 

O final deixou-me perplexa, triste e com dúvidas sobre a intenção da autora. Não creio que seja um livro para todos os leitores mas penso que os curiosos irão apreciar esta história. Não há como experimentar.

 

Classificação no Goodreads: 3/5

12
Ago16

OPINIÃO | O Último Livro

O último livro

 

Título: O Último Livro

Autor: Zoran Živković

Ano da primeira publicação: 2011

Editora: Cavalo de Ferro

 

Gosto de livros sobre livros. Quando vejo um livro cuja história inclui livros, bibliotecas ou livrarias, inevitavelmente tenho de o folhear e é muito provável que o leve para casa. O Último Livro de Zoran Živković é um desses casos. A narrativa decorre em torno de uma livraria numa altura em que várias pessoas que frequentam o estabelecimento são encontradas mortas.

 

Este livro levou-me a reflectir sobre os meus gostos enquanto leitora. Não acho que seja muito exigente, gosto de um livro bem escrito e com personagens interessantes, a história até pode ser banal e previsível, isso não me incomoda. Não sei se sou eu que espero demasiado, a verdade é que Zoran Živković não me convenceu. O Último Livro foi o meu primeiro livro do autor e, ironicamente, será o último, pelo menos enquanto não recuperar da desilusão.

 

Neste romance de Zoran Živković temos uma história interessante e com bastante potencial, mas a escrita e as personagens arruínam o possível sucesso. Devem estar a adivinhar que esta review será muito semelhante à que escrevi sobre Pines, mas com uma ligeira diferença, desta vez não acredito que o autor seja bipolar. 

 

Não encontrei a escrita brilhante que muitos leitores associam ao autor, nem a vontade de ler os seus livros. Dei por mim a querer terminar o livro para me livrar dele mais depressa, quis saltar páginas e parágrafos e confesso que tive de o fazer algumas vezes, a alternativa seria deixar o livro a meio.

 

As personagens são demasiado superficiais e a relação entre elas é demasiado irreal, refiro-me em particular à relação entre duas das personagens principais. O autor achou que duas pessoas que se acabam de se conhecer podem rapidamente construir uma relação profunda, e quando escrevo "rapidamente" refiro-me a três ou quatro dias. Não é possível construir uma relação assim em tão pouco tempo e é ainda mais difícil fazê-lo em poucas páginas.

 

Outro ponto que não me agradou foram as lacunas temporais e espaciais. Por várias vezes perdi a noção do espaço temporal em que decorria a acção, não há uma continuidade, sentimos que "perdemos" alguns dias nesta história. Bem sei que esta descontinuidade nem sempre é má e muitas vezes é propositada, mas neste caso não me parece que tenha funcionado.

 

Muito se diz e escreve sobre um autor/livro não poder ser lido de forma igual por duas pessoas, mas gostava que alguém me explicasse o que é que eu não apanhei. Será que o autor é assim tão bom e eu tenho alguma lacuna nas minhas células cinzentas (crédito: Hercule Poirot)?

 

Classificação no Goodreads: 2/5

15
Jul16

OPINIÃO | O Livro das Coisas Perdidas

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Título: O Livro das Coisas Perdidas

Autor: John Connolly

Ano da publicação: 2010

Editora: Bertrand 

 

Este foi provavelmente o livro mais estranho que já li. Confesso que, embora não soubesse bem ao que ia, não tinha grandes expectativas em relação a esta obra. Tinha uma ideia pré-concebida, mas errada, acerca do que me esperava. A primeira surpresa foi perceber que este não é um livro juvenil, nem entendo como é que faz parte do PNL para o 3º ciclo, é demasiado profundo e contém cenas demasiado violentas para serem lidas por crianças de 12/14 anos. A segunda surpresa deu-se quando me deparei com versões alternativas (e muito peculiares) de fábulas, como por exemplo A Branca de Neve e os Sete Anões, Capuchinho Vermelho e A Bela Adormecida. A maior surpresa foi mesmo quando percebi que este livro é ele próprio uma fábula.

 

Quando era mais nova acreditava que existia um mundo mágico numa outra realidade paralela à nossa, estou certa de que muitos de vós também já pensaram o mesmo pelo menos uma vez, era nessa realidade que eu acreditava viverem os príncipes e as princesas, os animais que falam, as fadas, os mágicos, os monstros e todas as outras personagens que também habitavam os meus livros. E se eu vos disser que esse mundo existe e está a umas páginas de distância?

 

Esta leitura fez-me regressar à infância, ainda que não seja um livro infantil, levou-me a um mundo mágico onde tudo o que podemos imaginar é real. Acaba por ser uma fábula infantil para adultos, será que isto faz algum sentido nas vossas cabeças?

 

Experimentei uma sensação diferente e difícil de descrever, mais do que uma nostalgia e um regresso à infância, a forma como o autor fala sobre a paixão pela leitura e a necessidade de ler derreteu-me, completamente. É fantástico, ternurento, aconchegante e diferente de tudo o que já li.

 

"As histórias queriam ser lidas (...) Precisavam disso. Era por isso que forçavam a passagem do seu mundo para o nosso. Queriam que as fizéssemos viver."

  

A escrita do autor é muito bonita e bastante descritiva, torna-se fácil visualizar todas as cenas. Encontrei passagens muito bonitas, daquelas que nos fazem mentalmente dizer “Ohhhh que bonito…” e que nos deixam com um sorriso nos lábios.

 

"As histórias tornavam-se vivas somente quando eram contadas. Não existiriam de fato no nosso mundo, se não houvessem pessoas para lê-las em voz alta... ficavam adormecidas, aguardando uma oportunidade para despertar... As histórias queriam ser lidas. Precisavam disso. Queriam que as fizéssemos viver." 

 

Gostei particularmente da forma como o livro está estruturado, os capítulos são curtos e têm títulos bastante sugestivos, é dos livros mais organizados que já encontrei. Outro aspecto de que gosto bastante é o título do livro, faz todo o sentido depois de o lerem.

 

Pensei em dar-vos umas pistas sobre a história deste livro, gostava de falar-vos sobre o David, o Lenhador, o Robert, os Loups e sobre a pequena Anne, mas optei por não o fazer. Já sabem que nem sinopses leio e muito dificilmente aceito que alguém me fale (demasiado) sobre um livro que ainda não tenha lido, e há muito se diz não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti. Deixem-se derreter totalmente, sem qualquer ideia pré-concebida, sem spoilers, apenas com a vossa imaginação, é mais do que suficiente.

 

(Repensei e já não são 4 estrelas, merece as 5!)

 

Classificação no Goodreads: 5/5

08
Jun16

OPINIÃO | A Casa dos Espíritos

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Título: A Casa dos Espíritos

Autor:  Isabel Allende

Ano de publicação: 2013

Editora: Porto Editora

 

Este é um daqueles livros que nos deixam sem palavras. Já passaram alguns dias desde que terminei a leitura mas nem assim consigo encontrar as palavras certas para me expressar.

 

Em A Casa dos Espíritos, Isabel Allende apresenta-nos a família Trueba ao longo de três gerações. Em cada uma das gerações a autora foca-se num elemento feminino da família, inicialmente Clara, seguindo-se a sua filha Blanca e a neta Alba. Fiquei fascinada pela forma como a autora conta a história desta família, cobrindo diferentes gerações sem perder o "fio à meada", não existe uma desconexão, a passagem de uma geração para a seguinte é natural.

 

As personagens que a autora criou têm personalidades muito fortes e distintas, sendo muito fácil ligarmo-nos a qualquer uma delas. Da mesma forma que é fácil gostar de qualquer uma das personagens, também é fácil não gostar ou deixar de gostar.

 

Achei o livro um pouco denso, não só devido à escrita da autora, caracterizada por parágrafos e frases bastante longos, mas também pelos momentos bastante descritivos presentes ao longo de toda a obra. No entanto, Isabel Allende prende qualquer leitor com as histórias de amores e desamores desta família e as personagens brilhantes que dela fazem parte.

 

"Algumas vezes sofria ataques de asma. Então chamava a neta com uma campainha de prata que andava sempre consigo e Alba acudia a correr, abraçava-a e curava-a com sussurros de consolo, pois ambas sabiam, por experiência, que a única coisa que pára a asma é o abraço prolongado de um ser querido."

 

Enquanto nos conta a história desta família, a autora transporta-nos até ao Chile entre as décadas 20 e 70, período marcado pelo golpe de estado e a ditadura. É com esta forte carga política que a autora liga a ficção à realidade e cria uma história arrebatadora!

 

Não se deixem enganar pela capa, eu cá não lhe achei piada nenhuma, e dediquem umas horinhas do vosso tempo à família Trueba. Muy bueno!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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