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Claro como a água

Claro como a água

22
Abr18

OPINIÃO | Rebecca

 

Rebecca.jpg 

 Título: Rebecca

Autor: Daphne du Maurier

Ano da primeira publicação: 1938

Editora: Círculo de Leitores

 

Perdi conta ao número de vezes em que me disseram que este livro era espetacular, o melhor da autora. Comprei este exemplar numa feira de rua no Verão passado e desde então tenho procurado coragem para mergulhar nas cerca de 400 páginas de letras miudinhas e texto corrido. O projeto Livros no Ecrã da Daniela serviu de pretexto para (finalmente) ler Rebecca de Daphne du Maurier.

O veredicto é este: o livro é muito bom, a escrita da autora é surpreendentemente agradável e o enredo intrigante, apreciações ainda mais relevantes se tivermos em conta que o livro foi escrito em 1938.

 

A sinopse revela um enredo banal: uma jovem que se casa com um homem rico, que enviuvou recentemente, e desde então vive assombrada pela defunta. O suspense é uma constante, a curiosidade aumenta e as 400 páginas leem-se num ápice.

 

Uma das características que mais me agradou nesta leitura foi a caracterização e evolução psicológica das personagens. Esse é para mim o ponto forte do livro, aquele que me leva a concordar que é de facto espetacular. Essa caracterização é mais evidente na jovem que se casa com o viúvo Maxim de Winter, a nova Mrs. de Winter, aquela cujo nome nunca saberemos e que é também a narradora desta trama. Relativamente às restantes personagens, conhecêmo-las através da perspetiva da narradora, da sua visão crítica dos acontecimentos e da interação com as restantes personagens, logo essa caracterização psicológica não é tão explorada.

 

A surpresa das surpresas foi a escrita da autora. Não esperava algum tão fresco e simultaneamente tão crítico, também tinha algum receio quanto à fluidez da leitura, mas logo durante as primeiras páginas percebi que isso não seria um problema. Daphne du Maurier é sei dúvida uma grande escritora, consegue envolver o leitor num ambiente de mistério, por vezes obscuro, e deixar o leitor preso à história.

 

Sob pena de revelar mais do que devo, resta-me salientar que foi uma leitura viciante, com um desfecho imprevisível ainda que me tenha dececionada um pouco. Já adicionei outros livros da autora à minha lista, Daphne du Maurier é sem dúvida uma referência da literatura.

 

Classificação no Goodreads: 4/5 

04
Set17

OPINIÃO | O Retrato de Dorian Gray

Dorian.PNG 

Tí­tulo: O Retrato de Dorian Gray

Autor: Oscar Wilde

Ano da primeira publicação: 1891

Editora: Relógio d'Água

 

Não sou crítica, não tenho qualquer espécie de formação em literatura, arrisco dizer que percebo tanto de literatura como de culinária, e do segundo não pesco nada. Se há coisa que tenho percebido é que me é muito difícil escrever sobre estes livros, mais do que sobre os outros. E o que são estes livros, perguntaram vocês? São livros maiores, que todos os leitores conhecem, porque já leram ou ouviram falar, cuja grandeza é inquestionável. Tenho tanta dificuldade em encontrar as palavras adequadas e demasiado receio de revelar mais do que me pedem, que acabo por praticamente não falar sobre o livro.

 

Antes de tentar deixem-me contar-vos a minha relação com O Retrato de Dorian Gray, foi-me oferecido quando ainda era uma adolescente. Tentei lê-lo na altura. Não tendo ido além da página 40, devolvi-o à estante e decidi que voltaria a tentar uns anos mais tarde. Passaram 12 anos quando senti que estava pronta para experimentar, 12 anos depois O Retrato de Dorian Gray não é mais o bicho papão da minha estante, é sim, um dos meus clássicos preferidos.

 

Dorian Gray é nos apresentado como um jovem doce e ingénuo, possuidor de uma beleza invulgar. A personagem Dorian Gray sofre transformações constantes ao longo do livro, em grande parte derivado da influência daqueles que o rodeiam. Para Dorian Gray apenas a beleza e a juventude interessam.

Basal é o artista que imortaliza num retrato as duas características que Dorian mais valoriza, tornando-se co-responsável pela desgraça de Dorian.

A vida é uma questão de nervos, fibras e células lentamente construídas nas quais o pensamento se esconde e a paixão tem os seus sonhos.

É sabido que Oscar Wilde foi um influente escritor e crítico social pelo que seria de prever a presença de uma forte componente crítica nas suas obras. Em O Retrato de Dorian Gray, o autor presenteia o leitor com diversas reflexões sobre a sociedade inglesa do século XIX, particularmente a sobrevalorização da aparência e a consequente futilidade e hipocrisia da sociedade.

 

Para mim, a complexidade das personagens (a de Dorian em particular) são o ponto forte desta obra e motivo mais do que suficiente para que O Retrato de Dorian Gray tenha entrado para o topo da minha lista dos melhores clássicos de sempre! Só me arrependo de não o ter lido mais cedo...

 

Classificação no Goodreads: 5/5 

07
Jun17

OPINIÃO | Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher

Vinte e Quatro Horas na Vida de Uma Mulher.jpg 

Tí­tulo: Vinte e Quatro Horas na Vida de Uma Mulher

Autor: Stefan Zweig

Ano da primeira publicação: 1925

Editora: Civilização Editora

 

Este foi o meu primeiro contacto com o trabalho de Stefan Zweig, não por falta de oportunidade, até porque tenho na estante por ler o Coração Impaciente, mas antes por nunca ter considerado que as suas obras fossem prioridade. Este Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher veio alterar os planos e trazer o nome Stefan Zweig para o topo da lista de autores que tenho que ler o quanto antes.

 

Em poucas palavras: Stefan Zweig nasceu na Áustria em 1881, tinha origem judaica, foi romancista, poeta e jornalista, tornou-se pacifista, fugiu do fascismo, esteve exilado em Inglaterra, Nova Iorque e no Brasil. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, perdeu a crença na humanidade e, juntamente com a sua mulher, suicidou-se. Deixou uma carta:

 

Antes de deixar a vida por vontade própria e livre, com a mente lúcida, imponho uma última obrigação; dar um carinhoso agradecimento a este maravilhoso país que é o Brasil, que me propiciou, a mim e ao meu trabalho, tão gentil e hospitaleira guarida. A cada dia aprendi a amar este país mais e mais e em parte alguma poderia eu reconstruir a minha vida, agora que o mundo da minha língua está perdido e o meu lar espiritual, a Europa, autodestruído. Depois de 60 anos são necessárias forças incomuns para começar tudo de novo. Aquelas que possuo foram exauridas nestes longos anos de desamparadas peregrinações. Assim, em boa hora e conduta erecta, achei melhor concluir uma vida na qual o labor intelectual foi a mais pura alegria e a liberdade pessoal o mais precioso bem sobre a Terra. Saúdo todos os meus amigos. Que lhes seja dado a ver a aurora desta longa noite. Eu, demasiadamente impaciente, vou-me antes.

 

O percurso do autor pode não ter qualquer influência na reacção do leitor às suas obras, mas para mim teve, foi inevitável. 

 

A história que nos é contada pelo autor, tem como mote um acontecimento considerado um escândalo na época em que se desenrola a acção: a Sra. Henriette foge com um jovem que acabara de conhecer, deixando para trás o marido e os filhos. São nos dadas a conhecer as perspectivas de diferentes pessoas, à medida que vão tendo conhecimento do sucedido. O comportamento da Sra. Henritte é condenado por todos, à excepção da Sra. C., uma dama inglesa de setenta anos. É ela que nos leva numa viagem de vinte e quatro horas ao seu passado, incitando à reflexão acerca dos impulsos, do medo de arriscar, de largar tudo e trocar o que consideramos ser o conforto da nossa vida pela felicidade.

 

Para mim, as características mais fascinantes desta pequena obra são: 1) o retrato psicológico que Stefan Zweig faz das personagens, em particular da mulher; 2) as semelhanças com o estilo de Dostoiesvki, não só na caracterização das personagens, mas também nas cenas que decorrem no casino (lembrei-me várias vezes d' O Jogador) e 3) a escrita tão simples mas tão cativante.

 

Já não existia em mim outra testemunha além da minha própria recordação. Depois fiquei mais tranquila. Envelhecer não é, no fundo, senão perder o medo do passado.

 

Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher é um livro muito pequeno (o exemplar que li tinha cerca de 160 páginas) mas com um conteúdo enoooorme! Não há desculpas para não o lerem.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

04
Jun17

OPINIÃO | Amor de Perdição

Amor de Perdição.jpg

Tí­tulo: Amor de Perdição

Autor: Camilo Castelo Branco

Ano da primeira publicação: 1862

Editora: Alêteia

 

Amor de Perdição, um clássico da literatura portuguesa, há muito que constava da minha lista. Sem saber bem o que esperar, da obra e até mesmo do autor, decidi que estava na altura de ler Camilo Castelo Branco e que deveria começar com a sua maior obra.

 

Antes demais, deixem-me expressar a minha desilusão ao perceber que muitos leitores comparam esta obra a Romeu e Julieta de Shakespeare, obras que na minha opinião são incomparáveis. Amor de Perdição tem, tal como a peça de Shakespeare, um homem e uma mulher que se apaixonam "perdidamente", duas famílias que se detestam, mas não tem mais do que isso. Segundo parece o autor inspirou-se em Romeu e Julieta para escrever Amor de Perdição, mas isso não faz com que esta última seja automaticamente apelidada de genial, ou faz? Poderia voltar a explicar que ninguém pode dizer que conhece a história de Romeu e de Julieta sem ter lido a peça de Shakespeare, mas isso é outra conversa.

 

Portanto, existe a relação entre Simão e Teresa, algo que não considero ser amor mas sim uma paixão profundamente dramática, tal como toda a narrativa, triste sem qualquer esperança. Contrariamente ao que sucedeu com as personagens Romeu e Julieta (de Shakespeare), senti que faltava personalidade a Simão e Teresa, pareceu-me tudo tão impessoal que, a certa altura, já nem queria saber como ia terminar a narrativa.

 

Ultrapassado todo este drama e fatalidade, consegui finalmente apreciar a escrita de Camilo Castelo Branco! Algures no tempo foi-me "imposta" a ideia de que a escrita do Camilo era complicada e exigente, não sendo simples é surpreendentemente fluente e agradável.

 

Dito tudo isto, em jeito de resumo, são 4 estrelas à escrita do Camilo Castelo Branco e 2 estrelas à obra em si. Vou ler, assim que possível A Queda dum Anjo que, segundo me disseram, nada tem a ver com Amor de Perdição. Preciso de confirmar que eu e o Camilo não começámos com o pé direito.

 

Classificação no Goodreads: 3/5

02
Jun17

OPINIÃO | Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher

Vinte e Quatro Horas na Vida de Uma Mulher.jpg 

Tí­tulo: Vinte e Quatro Horas na Vida de Uma Mulher

Autor: Stefan Zweig

Ano da primeira publicação: 1925

Editora: Civilização Editora

 

Este foi o meu primeiro contacto com o trabalho de Stefan Zweig, não por falta de oportunidade, até porque tenho na estante por ler o Coração Impaciente, mas antes por nunca ter considerado que as suas obras fossem prioridade. Este Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher veio alterar os planos e trazer o nome Stefan Zweig para o topo da lista de autores que tenho que ler o quanto antes.

 

Em poucas palavras: Stefan Zweig nasceu na Áustria em 1881, tinha origem judaica, foi romancista, poeta e jornalista, tornou-se pacifista, fugiu do fascismo, esteve exilado em Inglaterra, Nova Iorque e no Brasil. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, perdeu a crença na humanidade e, juntamente com a sua mulher, suicidou-se. Deixou uma carta:

 

Antes de deixar a vida por vontade própria e livre, com a mente lúcida, imponho uma última obrigação; dar um carinhoso agradecimento a este maravilhoso país que é o Brasil, que me propiciou, a mim e ao meu trabalho, tão gentil e hospitaleira guarida. A cada dia aprendi a amar este país mais e mais e em parte alguma poderia eu reconstruir a minha vida, agora que o mundo da minha língua está perdido e o meu lar espiritual, a Europa, autodestruído. Depois de 60 anos são necessárias forças incomuns para começar tudo de novo. Aquelas que possuo foram exauridas nestes longos anos de desamparadas peregrinações. Assim, em boa hora e conduta erecta, achei melhor concluir uma vida na qual o labor intelectual foi a mais pura alegria e a liberdade pessoal o mais precioso bem sobre a Terra. Saúdo todos os meus amigos. Que lhes seja dado a ver a aurora desta longa noite. Eu, demasiadamente impaciente, vou-me antes.

 

O percurso do autor pode não ter qualquer influência na reacção do leitor às suas obras, mas para mim teve, foi inevitável. 

 

A história que nos é contada pelo autor, tem como mote um acontecimento considerado um escândalo na época em que se desenrola a acção: a Sra. Henriette foge com um jovem que acabara de conhecer, deixando para trás o marido e os filhos. São nos dadas a conhecer as perspectivas de diferentes pessoas, à medida que vão tendo conhecimento do sucedido. O comportamento da Sra. Henritte é condenado por todos, à excepção da Sra. C., uma dama inglesa de setenta anos. É ela que nos leva numa viagem de vinte e quatro horas ao seu passado, incitando à reflexão acerca dos impulsos, do medo de arriscar, de largar tudo e trocar o que consideramos ser o conforto da nossa vida pela felicidade.

 

Para mim, as características mais fascinantes desta pequena obra são: 1) o retrato psicológico que Stefan Zweig faz das personagens, em particular da mulher; 2) as semelhanças com o estilo de Dostoiesvki, não só na caracterização das personagens, mas também nas cenas que decorrem no casino (lembrei-me várias vezes d' O Jogador) e 3) a escrita tão simples mas tão cativante.

 

Já não existia em mim outra testemunha além da minha própria recordação. Depois fiquei mais tranquila. Envelhecer não é, no fundo, senão perder o medo do passado.

 

Vinte e Quatro Horas da Vida de Uma Mulher é um livro muito pequeno (o exemplar que li tinha cerca de 160 páginas) mas com um conteúdo enoooorme! Não há desculpas para não o lerem.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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