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Claro como a água

Sab | 05.11.16

OPINIÃO | Siddhartha

Rita

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Título: Siddharta

Autor: Herman Hesse

Ano da primeira publicação: 1922

Editora: Leya

 

Siddharta foi publicado em 1922 por Herman Hesse, a quem foi atribuído o prémio Nobel em 1946 "for his inspired writings which, while growing in boldness and penetration, exemplify the classical humanitarian ideals and high qualities of style".

Tenho para mim que o amor é o que há de mais importante no mundo. Analisar o mundo, explicá-lo, menosprezá-lo, talvez caiba aos grandes pensadores. Mas a mim interessa-me exclusivamente que eu seja capaz de amar o mundo, de não sentir desprezo por ele, de não odiar nem a ele nem a mim mesmo, de contemplar a ele, a mim, a todas as criaturas com amor, admiração e reverência.

 

Verdade seja dita, por saber que abordava temas como a religião e espiritualidade, não tinha grandes expectativas relativamente a esta leitura, e talvez por isso tenha sido positivamente surpreendida.

 

 A acção decorre no século VI d.C. e leva-nos naquela que é uma viagem de auto-descoberta e procura do verdadeiro eu. Se inicialmente o jovem Siddharta, personagem principal, pretende seguir uma doutrina e inicia a procura daquela com que se identifica, quase instantaneamente percebe que mais importante que uma doutrina é o que existe dentro de cada um de nós. É com a evolução da personagem Siddharta que o autor nos leva numa viagem espiritual de descoberta explorando conceitos como o conhecimento, a sabedoria e a paz interior. 

"Mas o que era isso que querias aprender com doutrinas e com mestres e que eles, que tanto te ensinaram, não te podiam ensinar?" E compreendeu: "Era o Eu, cujo sentido e natureza eu queria conhecer. Era o Eu, de que eu queria libertar-me, que eu queria vencer. Mas não fui capaz de o vencer, apenas de o enganar, de fugir dele, esconder-me dele. Na verdade, nada no mundo ocupou tanto os meus pensamentos como este Eu, este enigma, o facto de eu estar vivo, de existir separado e isolado dos outros(...)E sobre nada no mundo sei tão pouco como sobre mim próprio.

 

Siddharta é uma daquelas obras que nos leva a reflectir e a captar pelo menos parte das inúmeras mensagens que encontramos nas entrelinhas deste poema indiano. No entanto, a obra só resulta bem se for lida no espírito certo, isto é, se o leitor conseguir e estiver disposto a colocar-se na no nível emocional de Siddharta.

Embora a sua doutrina seja estranha e as suas palavras pareçam loucas, o seu olhar e a sua mão, a sua pele e o seu cabelo, tudo nele irradia uma pureza, irradia uma paz, irradia uma serenidade e uma doçura e uma santidade como nunca voltei a ver numa pessoa desde a recente morte do nosso sublime mestre.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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