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Claro como a água

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Seg | 20.06.16

OPINIÃO | O Sentido do Fim

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Título: O Sentido do Fim

Autor: Julian Barnes

Ano de publicação: 2011

Editora: Quetzal

 

Não sei se já vos disse mas ando numa de tentar reduzir o número de livros "encalhados" da minha estante. Foi esse o motivo que me levou a pegar no livro O Sentido do Fim de Julian Barnes. Nunca tinha lido nada deste autor e não tinha grandes expectativas relativamente a esta obra. Creio que comprei este exemplar por ter sido o vencedor do Man Booker Prize 2011 e porque estava a metade do preço.

 

Não imaginam quão espantada fiquei quando (apenas) ao fim das primeiras páginas, me senti presa à história e principalmente à escrita do autor. Não sei como pude ter este livro tanto tempo na estante sem nunca o ter lido. 

 

Há livros que nos devoram e que deixam um vazio inexplicável, sobre estes livros não conseguimos falar, talvez porque as palavras se tornam demasiado relativas e desprovidas de sentimentos. Vamos lá tentar.

 

O Sentido do Fim aborda de uma forma sublime a temática da morte: as circunstâncias, os envolvidos, a memória dos que ficam e aquilo que ficou daqueles que partiram. Julian Barnes cria um enredo repleto de mistério e sustentado por memórias do protagonista Tony Webster. A ânsia de querer saber o que se passou permanece até ao final e levou-me a ler o livro num ápice. 

 

Sobre a escrita nem sei o que dizer, é muito delicada e profunda, talvez seja melhor que vejam pelo vossos próprios olhos:

 

“Quantas vezes contamos a história da nossa vida? Quantas vezes adaptamos, embelezamos, fazemos cortes matreiros? E, quanto mais a vida avança, menos são os que à nossa volta desafiam o nosso relato, para nos lembrar que a nossa vida não é a nossa vida, é só a história que contámos sobre a nossa vida. Que contámos aos outros mas — principalmente — a nós próprios.”

 

 

Não vou escrever sobre a história nem sobre as personagens, se lerem a sinopse conseguem ter uma noção sobre o que se passa neste livro. É uma história assustadora, não só pela temática que aborda mas também pela forma crua como o autor o faz.

 

Quando terminei esta leitura estava incrédula com o que tinha acabado de acontecer, senti-me incomodada e transtornada, não queria voltar a guardar o livro na estante, queria antes tê-lo junto a mim. Creio que quando isso acontece é justo apelidar o livro de obra-prima.

 

Classificação no Goodreads: 5/5

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