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Claro como a água

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Seg | 08.06.20

OPINIÃO | Filho da Mãe

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Título: Filho da Mãe

Autor: Hugo Gonçalves

Ano de publicação: 2019

Editora: Companhia das Letras

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“Filho da Mãe” de Hugo Gonçalves foi uma das leituras que mais me tocou e esse facto seria suficiente para que este livro se tornasse num dos meus preferidos da vida, mas há muito mais do que isso.

Por habitualmente não ler sinopses, comprei este livro sem saber que se tratava de uma partilha de memórias do autor Hugo Gonçalves, que relata de forma dolorosa a perda da mãe quando ainda era uma criança. A memória é composta por registos de situações que experienciámos mas, como é diversas vezes notado pelo autor, é muitas vezes fruto da nossa imaginação.

Quando, há trinta e dois anos, regressei a casa e fui procurar a minha mãe em cada quarto, comecei a esquecer a sua voz. Não tenho o casaco de peles, os desenhos do hospital ou as cassetes. Mas, porque somos aquilo que recordamos, nesse dia passei a ser também a sua voz, a sua memória, essa coisa humana - essa coisa assombrosa - de podermos amar aquilo que a morte tocou.

Por diversos momentos enquanto lia este livro, senti-me inquieta ao me aperceber do quão dolorosa deve ter sido a experiência de escrever este livro, e a coragem imensa que o autor precisou para colocar tudo isto em papel. Por outro lado, entendo que este livro é uma homenagem à mãe do autor, mas também uma viagem que o autor faz para se conhecer a si próprio.

A escrita é maravilhosa e a temática delicada. A minha experiência de leitura foi emocionalmente dolorosa. Levei 10 dias para ler as cerca de 240 páginas do livro, porque por diversas vezes me vi obrigada a parar para conseguir respirar.

Não quero partilhar mais do que isto, apenas e só um dos imensos excertos que me tocaram particularmente:

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Classificação no Goodreads: 5/5

 

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