Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Claro como a água

Claro como a água

Sex | 05.08.16

OPINIÃO | Como um Romance

WP_20160805_008.jpg 

Título: Como um Romance

Autor: Daniel Pennac

Ano da primeira publicação: 1992

Editora: Edições Asa

 

"O verbo ler não suporta o imperativo. É uma aversão que compartilha com outros: o verbo «amar»... o verbo «sonhar»..."

 

Um ensaio bri-lhan-te!

 

O autor Daniel Pennac descreve em Como um Romance não apenas os "direitos inalienáveis do leitor", mas reflecte também acerca da importância da cultura. Podem pensar que este tipo de ensaios é aborrecido e enfadonho, dá sono e vontade de fechar o livro, mas com Daniel Pennac isso não acontece. O autor conseguiu aliar a boa disposição a temáticas tão sérias e relevantes como são a importância da cultura e os hábitos de leitura dos "leitores" de hoje.

 

É um livro pequeno, baratinho e que se lê depressa, mas muito rico em conteúdo. Essencial para os pais que querem incutir hábitos de leitura aos filhos, útil para os professores que procuram transmitir a paixão pela leitura e um prazer enorme para os leitores, que vão certamente rever-se neste ensaio. Terminei este livro com vontade de ler mais e melhor, não que precisasse de motivação, mas motivação extra não faz mal a ninguém. Pelo menos enquanto não formos suficientemente corajosos (leia-se maluquinhos) para nos despedirmos, carregar os livros às costas e passear por este Mundo fora.

 

"- Nem sabe como o invejo, por ter tempo para ler!
Mas como se explica que aquela, que trabalha, vai às compras, educa os filhos, guia o carro, ama três homens, vai ao dentista, vai mudar de casa para a semana que vem, arranje tempo para ler, e este casto celibatário que vive de rendimentos não o consiga?
O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Como aliás o tempo para escrever, ou para amar.)
Roubado a quê?
Digamos que ao dever de viver."

Gostei particularmente das referências a autores e obras literárias ao longo de toda a obra. Bem, gostei de todas excepto de uma, não gostei nada nada nada que o autor tenha revelado o final de Guerra e Paz, se ainda não leram e têm interesse então aconselho que "saltem" parágrafos sempre que o autor referir a obra ou o Tolstoi.

 

Acho que delirei (mais do que uma vez) enquanto lia este ensaio, marquei muitas passagens, reli vários parágrafos, sorri sempre que reconhecia nas palavras do autor muitos dos meus pensamentos e vontades. Quando terminei só me apetecia abraçar o Daniel Pennac, poderíamos ser verdadeiros amigos.

 

Uma leitura obrigatória para TODOS!

 

Classificação no Goodreads: 5/5  

6 comentários

Comentar post