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Claro como a água

Qui | 04.02.16

OPINIÃO | A Confissão da Leoa

Rita

A Confissão da Leoa

Título: A confissão da Leoa

Autor: Mia Couto

Ano de Publicação: 2012

Editora: Companhia das Letras

 

Em A Confissão da Leoa, Mia Couto guia-nos pela cultura e tradições africanas, com uma escrita absolutamente deliciosa. A história é contada por duas personagens: a mulher, de nome Mariamar, e o caçador Arcanjo Baleio. Os dois mostram-nos diferentes perspectivas da mesma história.

 

O tema mais óbvio da história seria a caça aos leões mas este livro é muito mais do que isso. O principal foco do autor é a mulher da sociedade moçambicana. Mia Couto escreveu A Confissão da Leoa como uma critica aos maus tratos sobre as mulheres moçambicanas e o papel secundário que lhes é atribuido. O autor conseguiu, de forma muito inteligente, que o leitor se focasse na guerra entre os homens e as mulheres, seja por abuso de poder, ou porque a educação e cultura africanas assim o indicam.

 

"Não era ao mar que eu queria que me levassem. Desejava apenas regressar ao colo da minha mãe e que ela me embalasse e eu voltasse a ser menina, Esse era o único mar que eu queria. Entendi então o motivo por que o padre Amoroso falava tanto do dilúvio final. Era isso que eu aspirava: uma inundação que varresse esse mundo. Este mundo que obrigava uma mulher como Hanifa a ter filhos, mas não a deixava ser mãe; que a obrigava a ter marido, mas não permitia que conhecesse o amor."

 

Tiro o chapéu à forma como o autor conseguiu abordar este tema nada fácil, com uma escrita muito bonita, mas a certo ponto achei que a história estava a ficar confusa. Acredito que a linguagem de Mia Couto também tenha contribuido para abrandar o ritmo da leitura e que tenha originado alguma confusão. Ainda assim foi uma leitura muito importante e que valeu a pena.

 

"Todas as manhãs a gazela acorda sabendo que tem que correr mais depressa do que o leão ou será morta. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deve correr mais rápido do que a gazela ou morrerá de fome. Não importa se és um leão ou uma gazela: quando o Sol nascer o melhor é começares a correr."

 

Este foi o primeiro livro de Mia Couto que li e fiquei maravilhada com a sua escrita. Sem dúvida que foi uma bela surpresa e irei ler mais obras do autor.

 

Classificação no Goodreads: 4/5