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Claro como a água

Qui | 04.01.18

OPINIÃO | A Bicicleta que Tinha Bigodes

Rita

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Título: A Bicicleta que tinha Bigodes

Autor: Ondjaki

Ano da primeira publicação: 2011

Editora: Caminho 

 

A fórmula mágica que fazem qualquer leitor apaixonar-se pelas obras de Ondjaki não é segredo, a receita é a de sempre: um retrato da infância contada num português bonito.

A Bicicleta que Tinha Bigodes estava na minha lista desde o dia em que li Uma Escuridão Bonita, só este Natal me chegou à estante, disfarçado de presente de Natal, chegou pelas mãos de uma pessoa muito querida que conhece o meu fascínio pelas obras do Ondjaki.

 

A bicicleta de que fala o título é o primeiro prémio de um concurso da Rádio Nacional de Angola para a melhor história infantil escrita pelos ouvintes da rádio. Da bicicleta sabe-se que tem as cores da bandeira nacional: amarelo, vermelho e preto e, se quisermos crer, tem bigodes. Do protagonista desta história sabemos que é um miúdo angolano que mora em Luanda, tem como amigos a Isaura, que batiza todos os bichos da zona, veja-se o exemplo dos sapos Fidel e Raúl e do gato Gandhi, e o camarada JorgeTemCalma, que nunca tem calma, e ambiciona ganhar a bicicleta para não só usufruir dela, mas também para que outros o possam fazer.

 

O livro é muito pequenino, diria que demasiado curto, uma escrita tão bonita merecia mais umas páginas, mas tem uma mensagem muito forte, tal como Ondjaki já nos havia habituado.

 

- Gostas de estrelas?
-Gosto bué, tio Rui. Brilham sem gastar a pilha. Só nunca consegui entender a cor delas.
- As estrelas não têm cor, são como as pessoas.
- Eu pensei que a cor das pessoas ficava na pele delas.
- Não. A cor das pessoas fica nos olhos de quem as olha.

 

Ondjaki será sempre o meu escape predileto à monotonia da rotina e à "banalidade" da literatura dos dias de hoje. Recomendo sempre!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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