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Claro como a água

Claro como a água

Seg | 03.10.16

Deixem a Elena Ferrante em paz

Podia ser o mote para criar um movimento salvem a Elena Ferrante e se assim fosse até já tínhamos a frase ideal "Deixem a Elena Ferrante em paz!", mas não vou tão longe assim.

 

Já perdi a conta aos artigos que li sobre a identidade de Elena Ferrante, este fim-de-semana deparei-me com um diferente de todos os outros, diferente porque desta vez afirmam ter descoberto a identidade da autora e a forma como o fizeram não foi nada bonita. Porque é que não deixam a senhora sossegadinha? Ela lá terá os seus motivos para ter publicado segundo um pseudónimo, e claramente não ser reconhecida é uma justificação comum a qualquer teoria. Ora se assim é, porque é que teimam em investigar a senhora? Pior ainda é quando chegam ao ponto de procurar declarações de impostos e até mesmo a recorrer aos registos de pagamentos da editora que publica os livros de Ferrante. Para quê tudo isto? 

 

Não entendo a motivação que move esta gente, muito menos o que os leva a querer desvendar este mistério. Gosto de descobrir um escritor através das suas palavras, das personagens que constrói e das suas histórias e adoro quando o autor se desdobra pelas páginas do livro. Para mim não há melhor do que isto.

 

Não me arrependo de meu anonimato. Descobrir a personalidade do escritor através das histórias que propõe, das suas personagens, dos objectos e paisagens que descreve, do tom da sua escrita, não é mais nem menos que um bom modo de ler.

Elena Ferrante ao jornal Corriere della Serra

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