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Claro como a água

Claro como a água

Sab | 31.03.18

OPINIÃO | A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol

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Título: A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol

Autor: Haruki Murakami

Ano da primeira pulicação: 1992

Editora: Casa das Letras

 

South of the Border, West of the Sun é o tema de Nat King Cole que dá título ao romance de Haruki Murakami. O quarto livro do autor que leio e o mais distinto do estilo que caracteriza Murakami: cenários mágicos e imaginários.

 

"Provavelmente" é uma palavra que talvez possa fazer sentido a sul da fronteira. Mas nunca, em tempo algum, a oeste do sol.

 

Hajime é o narrador desta história e também a personagem principal. Filho único, o que no Japão pós Segunda Guerra Mundial era considerado um caso raro por ser indicativo de que tais crianças seriam criadas sem restrições às suas vontades, tornando-se pessoas egoístas. Aos doze anos Hajime conhece a sua melhor amiga Shimamoto, uma menina também filha única, uma aluna exemplar, uma menina com uma característica física originada por uma doença contraída à nascença e que a leva a arrastar a perna esquerda enquanto anda.

 

A história é como tantas outras, narrada pela personagem principal que nos conta episódios da infância entre eles um particularmente marcante, um par de capítulos depois chegamos à adolescência, cheia de encontros e desencontros, mais meia dúzia de capítulos lidos e entramos na fase adulta do protagonista. Não existem momentos de suspense daqueles que nos levam a querer devorar o livro, não existe uma história suficientemente criativa que prenda o leitor, existe sim a escrita e o estilo de Murakami que são mais do que suficientes para levar o leitor a querer devorar o livro e a ficar preso até ao final. 

 

Por mais que uma pessoa queira, uma vez dado um passo à frente, deixa de ser possível arrepiar caminho. Se porventura a meio do percurso houve qualquer coisa que deu para o torto, pouco ou nada podemos fazer para remediar o mal e a situação arrastar-se-á para sempre.

 

As personagens principais são peculiares e no entanto com características comuns como a paixão por livros e jazz. Existe uma paixão iniciada na infância e que prevalece para sempre, quase como uma maldição. Histórias de vida com um único protagonista em geral, têm o dom de facilmente me deixar rendida, tal como acontece com histórias familiares que atravessam várias gerações. No entanto, este livro peca por deixar segredos por desvendar, por não se saber o que acontece a determinados personagens, e, o principal motivo na minha perspetiva, pelo final. Haverá quem acredite que essa característica abone a favor do autor, a mim não me convenceu.

 

Haruki Murakami é um autor que vou continuar a ler, tenho na estante o Kafka à Beira-mar, um calhamaço que ainda não foi lido precisamente por ter uma monstruosidade de páginas e não ser fácil de ler nos transportes públicos. Um estilo único que merece ser apreciado por todos os leitores.

 

Classificação no Goodreads: 3/5

Sex | 30.03.18

Ler João Tordo

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Fonte: vcoragem.com

Breve biografia

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Formou-se em Filosofia pela Universidade Nova de Lisboa, tendo também estudado Jornalismo e Escrita Criativa em Londres e Nova Iorque.

O seu registo foi influenciado por nomes como José Saramago, Paul Auster e Herman Melville.

O seu primeiro romance intitulado O Livro dos Homens sem Luz foi publicado em 2004, em 2009 recebeu o Prémio Literário José Saramago por As Três Vidas. Esteve nomeado e foi finalista de vários outros prémios.

Em 2015 publicou o primeiro volume da Triologia dos Lugares Sem Nome composta por: O Luto de Elias Gro (2015), O Paraíso Segundo Lars D. (2016) e O Deslumbre de Cecilia Fluss (2017). A sua mais recente obra, Ensina-me a Voar sobre os Telhados, foi publicada este mês tendo entrado de imediato para os tops de vendas nacionais. 

 

A minha experiência

De João Tordo li O Luto de Elias Gro, Biografia Involuntária dos Amantes, O Paraíso Segundo Lars D. O meu preferido foi, sem dúvida, O Luto de Elias Gro.

De João Tordo quero ler pelo menos O Deslumbre de Cecilia Fluss e Ensina-me a Voar sobre os Telhados.

João Tordo é um dos escritores portugueses da atualidade que mais admiro. A sua escrita, bastante descritiva e envolvente, para além de prender o leitor do início ao fim da obra, toca-nos o coração, chega onde poucos escritores conseguem chegar. As personagens que constrói têm personalidade e carregam sempre um peso à qual associo a perda, dor ou vazio. Se tivesse que identificar pontos fortes seriam a escrita e as personagens. João Tordo poderá ser a aposta certa para aqueles leitores que fogem da literatura portuguesa, estou certa de que não se vão arrepender.

 

Citação

"Sei agora o que nunca soube - que o amor encontra o seu estado mais puro quando julgamos que o fim chegou; finalmente entendo que o amor pode ser precisamente essa ausência, o deixar de estar, ser capaz de apreciar cada minuto da nossa memória como se segurássemos, entre as mãos, um punhado de brasas num deserto de gelo." 

Qui | 29.03.18

OPINIÃO | Extremamente Alto e Incrivelmente Perto

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Título: Extremamente Alto e Incrivelmente Perto

Autor: Jonathan Safran Foer

Ano de publicação: 2012

Editora: Bertrand Editora

 

Extremamente Alto e Incrivelmente Perto conta a história daqueles que têm de viver depois de ter perdido alguém. Do seu luto, da sua dor, da busca incansável por respostas. Esta é a história de várias personagens: Oskar Schell, um menino de nove anos que perdeu o pai no atentado contra o World Trade Center a 11 de setembro de 2001 e sob o qual não fez o luto; a mãe de Oskar, uma mulher que enterrou um caixão vazio, carrega o Mundo às costas e que só quer que o filho fique "bem"; do avô de Oskar que não se consegue desfazer da dor oriunda do passado e que comunica através de um caderno.

 

Oskar encontra num armário em casa, um envelope que assume pertencer ao pai. O envelope tem escrito o nome Black e contém uma chave no interior. Esse envelope é um dos motes para a investigação iniciada por Oskar, que precisa de saber como morreu o pai: intoxicado pelo fumo, esmagado pela multidão, ou se foi uma das muitas pessoas que se atirou pela janela.

 

Oskar é inventor, tocador de tamborim, ator shakesperiano e pacifista, uma personagem simplesmente comovente e incrivelmente triste. Com uma história destas e personagens tocantes, o livro é um turbilhão de emoções podendo causar reações não desejadas pelo leitor como nariz entupido, olhos inchados e dor de cabeça.

 

A escrita do autor é muito agradável e bastante emotiva, como exige este cenário. Encontrei várias passagens tocantes e que suscitam reflexão, deixo-vos uma das que mais me marcou:

 

I feel too much. That's what's going on.' 'Do you think one can feel too much? Or just feel in the wrong ways?' 'My insides don't match up with my outsides.' 'Do anyone's insides and outsides match up?' 'I don't know. I'm only me.' 'Maybe that's what a person's personality is: the difference between the inside and outside.' 'But it's worse for me.' 'I wonder if everyone thinks it's worse for him.' 'Probably. But it really is worse for me.

 

Este poderá ser um livro adequado a leitores de várias gerações e faixas etárias. Li a versão inglesa e digital da obra mas sei que está disponível a versão portuguesa, publicada pela Bertrand Editora em 2012. Em português existe ainda outra obra do autor, editada já este ano pela Alfaguara intitulada Aqui Estou. Jonathan Safran Foer é um autor novo para mim mas que conto vir a explorar.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

Qua | 28.03.18

OPINIÃO | O Labirinto dos Espíritos

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Título: O Labirinto dos Espíritos

Autor: Carlos Ruiz Zafón

Ano da primeira publicação: 2016

Editora: Editorial Planeta

 

O Labirinto dos Espíritos foi uma das últimas leituras de 2017, um dos livros que carinhosamente batizei de "monstro da minha estante". Com cerca de 800 páginas, difícil de carregar e ler nos transportes, necessitei de cerca de 2 meses para o ler.

Este é o último volume da saga O Cemitério dos Livros Esquecidos, que muitos de vós imediatamente associam à incrível obra A Sombra do Vento, o primeiro volume da saga. Carlos Ruiz Zafón leva-nos de volta à mágica cidade de Barcelona (com umas visitas a Madrid) desta feita com novas personagens e um registo mais próximo do policial.

 

Antes de continuar tenho de confessar que esperava algo mais em linha com os primeiros volumes, mais centrado na família Sempere. Tendo alinhadas a minha expectativa e vontade, aconteceu o óbvio: tudo o que não dizia respeito à família Sempere era como se fosse "palha", e foram efetivamente páginas e páginas de "palha". Também contava que o registo fosse semelhante ao que já conhecia, e não um quase policial com uma longa investigação subjacente que me fez sentir, por diversas vezes, um pouco perdida.

 

Diria que é impossível não ficar maravilhado com a escrita de Zafón, se assim não fosse não teria provavelmente lido os três volumes anteriores e não me teria proposto a ler este calhamaço. Talvez por apreciar a escrita e também por este volume ajudar a esclarecer alguns mistérios levantados em livros anteriores, uma leitura que poderia ter caído em desgraça acabou por se revelar bastante agradável.

 

Recomendo O Labirinto dos Espíritos mesmo a quem não tenha lido os volumes anteriores, ainda que ache que a experiência é muito diferente. No entanto, se só pudesse escolher uma obra seria sempre A Sombra do Vento, essa sim têm meeeeesmo de ler!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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