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Claro como a água

Claro como a água

Dom | 31.12.17

OPINIÃO | O Caminho Imperfeito

 

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Título: O Caminho Imperfeito

Autor: José Luís Peixoto

Ano da primeira publicação: 2017

Editora: Quetzal Editores

 

Se há algo relevante neste post e que merece ser retido é que foi com esta obra que José Luís Peixoto me conquistou. É certo que dele li apenas três livros para além deste último, talvez não tenha começado pelos melhores, este foi especial.

 

Porque escrevo? Escrevo porque quero que os meus filhos saibam quem sou. Tenho esperança de que estas palavras, misturadas com o que lhes mostro, sejam suficientes, sejam o máximo possível. Quero que me conheçam porque quero que se conheçam a si próprios. Quando eu já não possuir palavras, espero que regressem a estas e lhes encontrem significados que, agora, são inacessíveis. Espero que estas palavras os abracem. Escrever é a minha maneira de ser pai deles para sempre.

 

O Caminho Imperfeito é o regresso do autor à não-ficção, desta feita numa viagem até à Tailândia. O país é descrito através do olhar de José Luís Peixoto, que se terá deslocado por várias vezes ao país, e retratado através de ilustrações de Hugo Makarov. O livro está dividido em duas partes: a primeira sobre os sentidos e a cidade, numa evidente caracterização da cultura do país e dos costumes do seu povo, a segunda um registo autobiográfico através de vários episódios vividos pelo autor.

 

Não tem princípio nem fim, não é passível de descrição, é para ler devagar, saborear a viagem a Banguecoque, apreciar as passagens mais profundas.

 

Não sei como vou morrer, não sei se vou ter tempo para pensar. Mas muitas vezes, quando tenho de fazer avaliações importantes, imagino como seria se estivesse para morrer. E estou. Quem está vivo, está para morrer.

 

Esta leitura levou-me a procurar outras obras do autor e a querer ler mais "literatura de viagem". Dos melhores livros que li em 2017.

 

Classificação no Goodreads: 5/5 

Qua | 27.12.17

CITAÇÃO | Sobre a cor das estrelas

- Gostas de estrelas?

- Gosto bué, tio Rui. Brilham sem gastar a pilha. Só nunca consegui entender a cor delas.

- As estrelas não têm cor, são como as pessoas.

- Eu pensei que a cor das pessoas ficava na pele delas.

- Não. A cor das pessoas fica nos olhos de quem as olha...

 

em A Bicicleta que tinha bigodes de Ondjaki

Qua | 13.12.17

Carta ao Pai Natal

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Querido Pai Natal,

 

Este ano gostaria de receber (pelo menos) um dos livros da minha lista de desejos. Esta panóplia de livros foi feita a pensar em mim, mas também em si! Ora vejamos, se o orçamento for magrinho, opte pelo Ondjaki ou pelo Philip Roth, por outro lado, se também já estiver iludido de que os tempos de austeridade ficaram no passado, então é o momento ideal para oferecer A Margarida e o Mestre. A pensar na sua saúde e na das suas renas, existem opções mais leves, para que não tenha de carregar tanto peso, como é o caso d'As Memórias Subterrâneas, por outro lado, se também tiver sido apanhado pela onda fit e quiser exercitar-se um pouco, então Extremamente Alto e Incrivelmente Perto pode ajudá-lo a alcançar o seu objetivo.

Releva referir que, tal como tem sido hábito, este ano tenho-me portado muito bem, exceto no que toca a compra de livros, nesse campo a coisa tem descambado um pouco...mas, vendo a coisa pelo lado positivo, antes viciada em livros do que em álcool ou drogas, certo?

 

Obrigada e um Feliz Natal!

Seg | 11.12.17

Visita à livraria

Se há momento em que me sinto radiante é ao entrar na livraria com (auto-)permissão para comprar livros. Os meus olhos percorrem as pilhas de livros, capas coloridas, resmas de folhas, pessoas com livros debaixo do braço, outros leitores ainda indecisos ou a explorar a oferta. 

 

Hoje durante a hora de almoço fui, como em tantas outras vezes, até à  Bertrand, desta feito com o objetivo de aproveitar o (pequeno) desconto de 20% que estão a oferecer hoje. Comprei dois livros que muito raramente têm desconto e que, sejamos sinceros, já me estavam a causar comichão tal era a enorme urgência que tenho em lê-los.

 

Adiante!

Mal entrei peguei nos livros e fui para a enooooorme fila junto à  caixa (alegra-me saber que há por aí muita gente a impingir livros no Natal). É por essa altura que começo a antecipar um par de minutos de euforia máxima.

Sempre que vou à Bertrand sinto que tenho um tratamento "especial", diferente da maioria dos clientes, mas é nesta Bertrand específica que essa diferença é mais evidente. Quando respondo que não à  pergunta do colaborador da loja "É para oferta?" cria-se um à vontade atípico que origina uma conversa de café do tipo:

 

Colaborador da Bertrand, com um mega sorriso enquanto segura um dos livros que vou levar:

- Este é muito bom. Muito bom mesmo!!

 

 

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