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Claro como a água

Claro como a água

Seg | 08.05.17

CITAÇÃO | Acasos

Sete anos antes, declarara-se por acaso um surto muito grave de meningite no hospital da cidade de Tereza e o chefe do serviço onde Tomas trabalhava fora chamado de urgência. Mas, por acaso, o chefe do serviço estava com ciática e, como não se podia mexer, Tomas fora em seu lugar a esse hospital de província. Havia cinco hóteis na cidade mas, por acaso, Tomas instalara-se no hotel onde Tereza trabalhava. Por acaso, ficara uns momentos livres antes de ir para o comboio e fora sentar-se na cervejaria. Tereza estava, por acaso, de serviço e, por acaso, estava de serviço à mesa de Tomas. Fora portanto necessária toda uma série de seis acasos para fazer chegar Tomas até Tereza, como se, entregue a si próprio, nunca tivesse podido encontrá-la.

 

em A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera

Seg | 08.05.17

Sobre a wishlist e as compras por impulso

Passou um ano desde que me comprometi a ser mais selectiva e controlada relativamente aos livros que compro. Na altura decidi que, a fim de alcançar esse objetivo, teria de:

 

1) controlar as compras por impulso

2) aprender a diferenciar os livros que quero ler, daqueles que quero comprar

3) diminuir o número de livros por ler que tenho em casa

 

O panorama na altura era o seguinte: 

queria ler 106 livros, tinha 35 livros por ler na estante e 16 livros na wishlist

Hoje a realidade é esta: 

quero ler 85 livros, tenho 27 livros por ler na estante e 10 livros na wishlist

 

Talvez os números não expressem correctamente a mudança de hábitos que ocorreu. Olhando para o último ano, identifico algumas pequenas conquistas:

 

1) Passei a frequentar a biblioteca. Ainda que com alguma dificuldade em termos de conciliação horária, só consigo ir à biblioteca aos sábados. No último ano requisitei cerca de 30 livros na biblioteca, foram 30 livros que não comprei. 

 

2) Deixei de comprar livros quando não tinha informação sobre eles. As compras por impulso (quase) desapareceram, passei a ler sinopses e opiniões de outros leitores na internet e passei também a confirmar se o livro estava disponível na biblioteca antes de o comprar, sem prejuízo de o poder comprar mais tarde.

 

3) Antes de comprar um livro questiono-me sobre a necessidade de realmente o ter na estante. Vou voltar a lê-lo? Alguém à minha volta vai querer lê-lo?

 

4) "Limpo" regularmente a wishlist. De tempo a tempo gosto de olhar para a minha wishlist e, surpreendentemente ou não, por vezes chego a alterá-la. A última vez que adicionei um livro à wishlist foi em Dezembro de 2016.

 

Esta foi a altura certa para fazer o balanço, é que a Feira do Livro de Lisboa está quase aí e é bem possível que se torne difícil diferenciar os livros que quero ler daqueles que quero ter.

 

Sab | 06.05.17

OPINIÃO | Anúncio de um Crime

AgathaChristie.jpg

Tí­tulo: Anúncio de um Crime

Autor: Agatha Christie

Ano da primeira publicação: 1950

Editora: Edições ASA

 

Quinto livro de Agatha Christie lido, primeiro com a personagem Miss Marple.

Em Anúncio de um Crime, Agatha Christie cria, uma vez mais, um enredo fantástico, envolto em mistério e onde o suspense está presente do início ao fim. A particularidade deste caso, e que o diferencia dos demais, é que o crime é previamente anunciado no jornal local através da seguinte publicação:

Anuncia-se um assassinato, a ter lugar em Little Paddocks, sexta-feira 29 de Outubro, pelas 18h30. Amigos, aceitem este convite, será único.

A curiosidade dos habitantes locais leva-os a aceitar o convite e a comparecer em casa da anfitriã do evento: Letitia Blacklock. É então que o inesperado acontece...

 

A estrutura do livro é a habitual, primeiro apresenta-nos uma infinidade de personagens, ocorre um crime, somos levados a duvidar de todas as personagens, desenvolvemos uma ou mais teorias, questionamos essas teorias e por fim, Agatha Christie explica, através da perspectiva de Miss Marple, como tudo aconteceu. O que mais me fascina nos livros de Agatha Christie são os enredos complexos, criados de forma a que o leitor dificilmente consiga antever como tudo terminará.

 

Este meu primeiro contacto com Miss Jane Marple, uma velhinha com ar frágil, que faz muitas perguntas e é bastante perspicaz, foi surpreendentemente agradável e deixou-me com vontade de ler outros livros com esta personagem.

 

Ler Agatha Christie é sempre uma lufada de ar fresco e, embora policiais não sejam bem a minha praia, arrisco escrever que nunca me vou fartar destas tramas geniais.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

Ter | 02.05.17

Breves: o preço dos livros, outra vez

Já disse que ando a ler A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera. O livro faz inúmeros referências ao clássico Anna Karenina do Tolstoy. Se já antes andava tentada a ler esta obra-prima, nos últimos dias percebi que o momento chegou e que ia finalmente comprar um exemplar de Anna Karenina (os da biblioteca não chegam, preciso de o ter na minha estante). Assim, hoje, em vez da terapia habitual da hora de almoço (eu, um banco de jardim e um livro) fui, de sorriso na cara e em passo rápido, até à livraria mais próxima. Procurei sem sucesso, perguntei ao funcionário que, para não arruinar o momento, confirmou ter vários exemplares de uma das várias edições portuguesas deste clássico, escrito em 1877. Trouxe-a, admirei-a, era bonita, li o prefácio, estava em êxtase. Virei o livro e vi a etiqueta: €27. Em vez de desmaiar ou começar aos gritos, pousei o livro e fugi. Ainda não estou refeita do susto.