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Claro como a água

Claro como a água

Qua | 10.08.16

OPINIÃO | Pines

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Título: Pines

Autor: Blake Crouch

Ano da primeira publicação: 2015

Editora: Suma de Letras

 

Esperava muito deste livro, não creio que tenham sido apenas as expectativas elevadas a conduzir-me à decepção, foi mesmo a mediocridade do livro. 

 

A personagem principal é Ethan Burke, um agente especial. Ethan acorda num hospital em Wayward Pines, sem se conseguir lembrar do que aconteceu e sem os seus objectos pessoais. Como se isso não fosse suficientemente desesperante, Ethan não consegue contactar nenhum familiar nem qualquer outra pessoa que esteja fora da cidade. Todas as pessoas à sua volta são extremamente simpáticas, mas Ethan rapidamente percebe que algo não está bem.

 

Quando comecei a leitura estava convicta de que o livro me iria prender até à última página e que, tal como as inúmeras pessoas que leram a trilogia, também iria querer ler um livro atrás de outro. Creio que o primeiro terço do livro foi lido com esta euforia, li-o num ápice sempre à espera de conseguir encaixar mais uma peça do puzzle. Só que este ritmo alucinante que o autor impõe inicialmente acaba por desvanecer. Já esperava que assim fosse, só não contava que não fosse gradual, aconteceu de repente como se a partir da página 100 tivesse sido outra pessoa a escrever. Talvez o autor seja bipolar, isso explicaria muita coisa.

 

Em poucas palavras, a ideia por detrás desta história é original mas não acho que o autor tenha conseguido alcançar o potencial que esta história prometia. A escrita é muito fraca, as personagens pouco caracterizadas, com excepção do protagonista que é claramente uma pessoa estúpida e arrogante, e a forma como a narrativa se desenrola deixa algo a desejar.

 

Terminei o livro com uma sensação de indiferença e sem qualquer vontade de continuar a trilogia.

 

Classificação no Goodreads: 3/5 (só porque o autor pode mesmo ser bipolar)

Seg | 08.08.16

OPINIÃO | Jesusalém

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Título: Jesusalém

Autor: Mia Couto

Ano de publicação: 2013

Editora: Caminho

 

"Em criança não nos despedimos dos lugares. Pensamos que voltamos sempre. Acreditamos que nunca é a última vez."


Há qualquer coisa na escrita de Mia Couto que nos embala. Em todos os livros do autor que li experimentei uma sensação espectacular, senti que o livro me aconchegava, como se tivesse braços e me envolvesse nele. É isto que a escrita poética do autor nos faz, fala-nos de dor, de mágoa e da morte, temáticas fortes que nos esmagam e nos fazem tremer, mas sabemos que o autor está lá para nos amparar. Quem já leu Mia Couto sabe certamente do que falo.

 

Em Jesusalém o autor retrata um sentimento de dor muito específico que toca a todo o ser humano, a dor de quem sofreu e não consegue esquecer. A narrativa que o autor constrói é soberba, muito devido às personagens e à escrita. Mia Couto consegue fascinar-nos com “pouco”, não há cá histórias fantásticas nem finais arrebatadores, há toda uma escrita maravilhosa aliada a personagens que nos tocam o coração. Temos um pai, Silvestre Vitalício, que acredita ter esquecido tudo, o filho Mwanito, um rapaz que tem "inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios" e que vive na mentira do pai, seu irmão mais velho Ntunzi, a portuguesa Marta que foi para África procurar o marido. Estas e outras personagens passam por aquele pedaço de terra abandonado em Moçambique.

 

"Eis a lição que aprendi em Jesusalém: a vida não foi feita para ser pouca e breve. E o mundo não foi feito para ter medida."

 

Mas há mais, Mia Couto transforma este romance num elogio às mulheres. Mas como se Jesusalém é uma terra habitada apenas por homens? Como se quase não encontramos personagens femininas nesta obra? É caso para dizer que a ausência de mulheres torna a sua presença ainda mais forte. Para saberem mais terão de ler.

 

Não é por acaso que este título faz parte da Colecção Essencial - Livros RTP, como também não é acidental que o livro tenha sido publicado em vários países e traduzido em diversas línguas. Deixem-se "acolher" por Jesusalém e pela prosa poética de Mia Couto, é impossível ficar indiferente.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

Sex | 05.08.16

OPINIÃO | Como um Romance

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Título: Como um Romance

Autor: Daniel Pennac

Ano da primeira publicação: 1992

Editora: Edições Asa

 

"O verbo ler não suporta o imperativo. É uma aversão que compartilha com outros: o verbo «amar»... o verbo «sonhar»..."

 

Um ensaio bri-lhan-te!

 

O autor Daniel Pennac descreve em Como um Romance não apenas os "direitos inalienáveis do leitor", mas reflecte também acerca da importância da cultura. Podem pensar que este tipo de ensaios é aborrecido e enfadonho, dá sono e vontade de fechar o livro, mas com Daniel Pennac isso não acontece. O autor conseguiu aliar a boa disposição a temáticas tão sérias e relevantes como são a importância da cultura e os hábitos de leitura dos "leitores" de hoje.

 

É um livro pequeno, baratinho e que se lê depressa, mas muito rico em conteúdo. Essencial para os pais que querem incutir hábitos de leitura aos filhos, útil para os professores que procuram transmitir a paixão pela leitura e um prazer enorme para os leitores, que vão certamente rever-se neste ensaio. Terminei este livro com vontade de ler mais e melhor, não que precisasse de motivação, mas motivação extra não faz mal a ninguém. Pelo menos enquanto não formos suficientemente corajosos (leia-se maluquinhos) para nos despedirmos, carregar os livros às costas e passear por este Mundo fora.

 

"- Nem sabe como o invejo, por ter tempo para ler!
Mas como se explica que aquela, que trabalha, vai às compras, educa os filhos, guia o carro, ama três homens, vai ao dentista, vai mudar de casa para a semana que vem, arranje tempo para ler, e este casto celibatário que vive de rendimentos não o consiga?
O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Como aliás o tempo para escrever, ou para amar.)
Roubado a quê?
Digamos que ao dever de viver."

Gostei particularmente das referências a autores e obras literárias ao longo de toda a obra. Bem, gostei de todas excepto de uma, não gostei nada nada nada que o autor tenha revelado o final de Guerra e Paz, se ainda não leram e têm interesse então aconselho que "saltem" parágrafos sempre que o autor referir a obra ou o Tolstoi.

 

Acho que delirei (mais do que uma vez) enquanto lia este ensaio, marquei muitas passagens, reli vários parágrafos, sorri sempre que reconhecia nas palavras do autor muitos dos meus pensamentos e vontades. Quando terminei só me apetecia abraçar o Daniel Pennac, poderíamos ser verdadeiros amigos.

 

Uma leitura obrigatória para TODOS!

 

Classificação no Goodreads: 5/5  

Qua | 03.08.16

10 autores para ler até ao final do ano

O meu nível de vergonha sobe para níveis máximos quando penso nos grandes autores que ainda não li. Decidi dar-lhes alguma prioridade e seleccionar os que considero serem os mais urgentes.

 

Já disse aqui que este ano apaixonei-me pelos escritores russos. Não é apenas a escrita que é diferente, a personificação dos autores nas suas obras e a profundidade que alcançam proporciona-nos uma experiência extraordinária enquanto leitores. Existem tantos autores russos que preciso de ler que vi-me obrigada a seleccionar os próximos. Os vencedores, dispensam apresentações, são Anton Tchekhov (1860-1904) e Lev Tolstói (1828-1910), talvez um dia escreva um post sobre eles. Do Tchekhov tenho Contos Escolhidos da colecção Novos Clássicos da Civilização Editora e é por aí que pretendo começar. De Tolstói não tenho nenhum e não quero aventurar-me com um dos pesados, acho que vou começar por ler A Morte de Ivan Ilitch.

 

                       Anton Chekhov                       

 

A primeira senhora na lista é Colleen McCullough (1937-2015), natural da Austrália, autora de vários romances de sucesso. Após uma breve pesquisa posso dizer que a autora escreveu maioritariamente obras de ficção histórica. Por enquanto só tenho um livro da autora na minha lista: Pássaros Feridos. Tenho a versão ebook e será um dos próximos livros em que vou pegar.

 

 

Tenho tanta vergonha de dizer que nunca li nada do autor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961). Antes de se suicidar, este senhor ganhou um prémio Pulitzer e um Nobel da Literatura. Pretendo começar precisamente com a obra com que o autor venceu o Pulitzer em 1953, O Velho e o Mar.

 Ernest Hemingway

 

Hermann Hesse (1877-1962) escritor e pintor alemão, foi galardoado com um Nobel da Literatura e venceu o Prémio Goethe no mesmo ano. Publicou vários contos e ensaios, muitos deles alusivos à espiritualidade, mas é através dos romances que é reconhecido. O meu eleito para esta aventura é também o seu mais popular: Siddhartha.

 

Hermann Hesse 

Um outro autor que também quero ler foi mais uma das vítimas da depressão, John Kennedy Toole (1937-1969). O autor norte-americano apenas publicou (postumamente) duas obras Uma Conspiração de Estúpidos e The Neon Bible. Acredita-se que foram as rejeições das editoras que o levaram à depressão e consequente suicídio. Ironicamente, após o reconhecimento dos seus dotes literários, o autor venceu um Prémio Pulitzer com a obra Uma Conspiração de Estúpidos. É esta que quero ler.

 

 

Nunca pensei escrever isto mas a autora que vou mencionar nasceu na Cochinchina (região sul do actual Vietname) tendo mais tarde emigrado para França juntamente com os pais. Falo de Marguerite Duras (1914-1996), pseudónimo de Marguerite Donnadieu, uma das principais figuras femininas da literatura do século XX. Foi escritora de romances, peças de teatro, narrativas curtas e foi também cineasta. Conto começar por ler O Amante que me foi muito recomendado.

 

Marguerite Duras

 

Mais uma senhora, para tentar equilibrar a coisa, desta vez uma escritora natural da Ucrânia e nacionalizada brasileira: Clarice Lispector (1920-1977). É a autora de vários romances, ensaios e contos, recentemente a Relógio d'Água compilou todos os contos da autora numa edição que denominou Todos os Contos. A minha preferência recai pelos romances, por um em particular A paixão segundo G. H., que a biblioteca tem à minha espera.

 

 

Vamos dar alguma vida a esta lista? É que os escritores referidos até ao momento já faleceram, alguns até se suicidaram, o que nos pode deixar muito em baixo. Curiosamente, ou não, os próximos escritores não só estão vivos como são portugueses.

O primeiro que já digo querer ler há alguns meses é Joel Neto, autor dos romances Arquipélago e A Vida no Campo. Joel Neto é jornalista, trabalhou na televisão e na rádio e é também escritor. Tenho reparado que anda tudo doido com este autor, principalmente desde que o seu mais recente romance foi publicado, em Maio deste ano. Não quero esperar mais e por isso assim que conseguir fazer uma visita à biblioteca vou trazer também o Arquipélago. 

 

 

Para acabar da melhor forma tinha que ser com uma senhora e portuguesa, um nome que poucos conhecem mas que elevou as minhas expectativas ao máximo, Maria Manuel Viana. É provável que não reconheçam o nome mas talvez a capa de um dos seus livros vos diga qualquer coisa, pelo menos tem sido bastante censurada. Não sei se deva começar pela Teoria dos Limites ou pela Gramática do Medo, não tenho nenhum dos dois e também não os encontrei na biblioteca, provavelmente terei de comprar.

 

 

Tenho outros autores em vista mas estes são aqueles que considero mais urgentes e que quero tentar ler até ao final do ano. Não vale envergonharem-me por ainda não ter lido nada destes autores, mas podem indicar-me quais são os vossos preferidos ou os que vos deixam mais curiosos 

 

(Todas as imagens foram retiradas da internet e contêm o link para a fonte)