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Claro como a água

Claro como a água

Seg | 11.07.16

OPINIÃO | Expiação

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Título: Expiação

Autor: Ian McEwan

Ano da publicação: 2002

Editora: Gradiva

 

Ao longo de cerca de dez anos desenvolvi um sentimento nada simpático por este livro, Expiação de Ian McEwan. Quando o comprei tinha cerca de catorze anos e lembro-me de achar que seria um bom livro para ler na praia, não sei se estava enganada, sei é que ao fim de cinquenta páginas (das mais de quatrocentas) já tinha esgotado toda a minha paciência. Uns anos mais tarde voltei a tentar, dessa vez lá consegui ir até à página cem mas definitivamente ainda não era a rapariga certa para este livro. Arrumei o livro na estante, não foi uma desistência, foi mais um adiamento. Na semana anterior, passados cerca de dez anos após a primeira tentativa, voltei a dar-lhe uma oportunidade, talvez seja melhor rectificar, dei-lhe a primeira oportunidade justa. É engraçado como a maturidade faz uma diferença abismal, hoje com quase vinte e cinco anos consegui reconhecer aquilo que há dez anos não fui capaz: este livro é enorme!

 

Começo por vos falar sobre as personagens, sabem quando o autor vos consegue enganar com uma personagem? Passo a explicar. Quando uma personagem é bem caracterizada o leitor é capaz de desenvolver um sentimento ou criar uma opinião sobre tal personagem, o juízo que fazemos sobre esse elemento é geralmente constante ao longo da história, podendo ser um juízo positivo ou negativo, com alguma volatilidade mas geralmente pouco significativa. No entanto, quando a caracterização do enredo é complexa e inteligente acontece o que me aconteceu com um dos elementos-chave desta trama, comecei por não gostar muito dele, depois criei alguma empatia e quando começava a gostar dele eis que uma série de acontecimentos encadeados me faz odiá-lo! Sim, eu odiei mesmo esta personagem, para mim está no mesmo patamar de ódio do casal Buchanans de O Grande Gatsby. Mas sabem que mais? Gostei taaaanto disto!

 

Mas personagens bem construídas dificilmente trazem sucesso ao livro se não estiverem aliadas a uma boa história. E esta história é das mais emaranhadas que conheço, toda ela tem por base a complexidades dos sentimentos do ser humano, a vocês não sei, mas a mim todo esse mundo me fascina. Briony é uma jovem adolescente de 13 anos, que sonha em ser escritora.

 

"Por meio de símbolos traçados com tinta numa página, ela conseguia transmitir pensamentos e sentimentos da sua mente para a mente de seu leitor. Era um processo mágico, tão corriqueiro que ninguém parava para pensar e se admirar."

 

Esta jovem tem uma forma muito peculiar de interpretar o que vê, procurando constantemente inspiração para as suas histórias, principalmente nos seus familiares. É numa das suas expiações que a jovem presencia um acontecimento imprevisível que, ampliado pela sua imaginação, desencadeia uma série de outros acontecimentos com consequências catastróficas.

 

O livro aborda temas como a culpa, o arrependimento, o amor, os limites e a maldade (intencional?) levando o leitor a reflectir sobre a natureza humana. É assustador como o limite entre a verdade e a mentir pode facilmente esbater-se, levando-nos a acreditar numa história que nós próprios construímos e imaginámos. Com uma temática tão focada no comportamento humano, esperava que o autor tivesse aprofundado a relação entre as personagens, individualmente estão bem caracterizadas mas a nível colectivo notei algumas lacunas.

 

A escrita do autor é agradável, muito descritiva e visual mas, na minha opinião, torna-se por vezes aborrecida. O ritmo da leitura é lento, não costumo dar-me bem com livros assim. Dei por mim tentada a saltar parágrafos e mesmo páginas por sentir que o autor não estava a adiantar nada de novo e muitas vezes até se estava a repetir. É este o único motivo que me leva a não dar as cinco estrelas e até a não recomendar o livro a qualquer tipo de leitor.

 

É sem dúvida uma grande obra e também a prova de que desistir nem sempre é o mais indicado 

 

Classificação no Goodreads: 4/5

Sex | 08.07.16

OPINIÃO | Viver Depois de Ti (ou como eu consegui escrever uma opinião sem praticamente referir o livro)

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Título: Viver Depois de Ti

Autor: Jojo Moyes

Ano da publicação: 2012

Editora: Porto Editora

 

Neste momento já consegui recuperar desta leitura, já não tenho os olhos vermelhos nem a dor de cabeça características de quem chora como se tivesse ocorrido uma enoooorme fatalidade. Estarei em condições de escrever sobre o livro? Não me parece, o melhor é não puxarem por mim.

 

Tenho por hábito evitar tudo o que sejam episódios melodramáticos, conversas demasiado sensíveis e tristes, livros e filmes, obviamente. Já vos contei que chorei durante todo - mesmo toooodo - o filme P.S I Love you? Pois, foi horrível. Só que desta vez não deu para evitar porque coagiram-me a ler Viver Depois de Ti de Jojo Moyes. Se acham que havia volta a dar estão enganados, na semana passada quando cheguei ao escritório em vez de "bom dia Rita" tinha à minha espera um "olha o que eu trouxe para ti, tens mesmo de ler, é tão bom!". 

 

Nunca tinha lido nada desta autora, até porque tinha a ideia, aparentemente correcta, de que os seus livros são muito sentimentais e emocionalmente violentos para o leitor. Não gostava muito do título, nem da capa desta edição, ainda hoje não gosto nem entendo este título, o original Me Before You faz muito mais sentido, pelo menos segundo a minha perspectiva. Dadas as circunstâncias lá me deixei levar pelo livro e adivinhem lá, foi outra montanha de emoções só que desta vez não é russa.

 

Não li a sinopse, não vi o trailer, não li opiniões e foi o melhor que podia ter feito, todos os acontecimentos foram inesperados e acabei por vivê-los intensamente com muitos sorrisos e algumas lágrimas à mistura. Adorei as personagens que a autora construiu, estão muito bem caracterizadas e ligam-se facilmente ao leitor. A escrita da autora é das melhores que já encontrei neste género literário, se assim não fosse provavelmente não teria conseguido passar-me uma mensagem tão forte.

 

Não é de todo um livro romântico, não gira em torno de uma história de amor, e com isto a autora conseguiu surpreender-me. Este livro dá-nos a conhecer uma história diferente e de uma perspectiva que, felizmente, poucos conhecem. Leva-nos a reflectir sobre a importância das ligações que criamos e sobre a forma como as pessoas que nos rodeiam são capazes de influenciar a nossa vida, mas mais importante do que isso é que faz-nos pensar sobre o direito de escolha que cada pessoa deve ter sobre a sua própria vida. 

 

Depois disto só tenho a agradecer a quem me proporcionou (e de forma gratuita) esta leitura arrepiante, obrigada Sandra! Vou certamente ler outras obras da autora, talvez uma por ano para evitar desidratar.

 

Deve ser a primeira opinião que escrevo em que não digo nada de jeito sobre o livro, desculpem-me por isso. Se lerem o livro vão agradecer-me mais tarde, pelo menos mentalmente.

 

Classificação no Goodreads: 5/5

Qui | 07.07.16

Oferta de Livros com o Jornal Expresso

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A partir de 16 de Julho, se comprarem o jornal Expresso recebem de oferta uma obra de Camilo Castelo Branco. O jornal custa €3,20 e se não vos interessar pelo menos ficam com o livro 

 

Aqui ficam os títulos e as datas de lançamento:

 

Amor de Perdição + Caixa Arquivadora – 16 Julho

Eusébio Macário – 23 Julho

A Brasileira de Prazins - 30 Julho

A Queda de um Anjo – 6 Agosto

Novelas do Minho – 13 Agosto

O que Fazem Mulheres – 20 Agosto

O Retrato de Ricardina – 27 Agosto

Vinte Horas de Liteira – 3 Setembro