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Claro como a água

Claro como a água

Seg | 13.06.16

OPINIÃO | Os Transparentes

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Título: Os Transparentes

Autor: Ondjaki

Ano de publicação: 2012

Editora: Editorial Caminho

 

Aquele jeito de transformar prosa em poesia que caracteriza a escrita de Ondjaki deixa-me com um sorriso nos lábios e enche-me a alma. Assim foi com Uma Escuridão Bonita, seguiu-se Bom Dia Camaradasjá em modo romance, e o mesmo aconteceu com a obra de contos E Se Amanhã o Medo.

 

Os Transparentes foi o primeiro romance "a sério" que li do autor, é uma obra completamente diferente das outras que já li, mais expressiva e mais crítica em relação àquela que é a Angola dos dias de hoje. Esta obra é um retrato de Luanda e do seu povo característico. Toda a agitação febril, a autenticidade do povo africano, os esquemas e a corrupção são aqui caracterizados através da escrita poética e inspiradora de Ondjaki.

 

A obra tem como pano de fundo o prédio do LargoDaMaianga em Luanda. O prédio é o lugar de encontros e desencontros e é lá que tudo acontece. As personagens desta obra são muito ricas e únicas, algumas delas são verdadeiros tesouros. Não existe uma personagem principal, existem antes várias personagens e várias histórias, igualmente relevantes: um homem que inicia um processo de transparência física, um cientista honesto que é desacreditado por ter informações inconvenientes, um carteiro que queria simplesmente ter um veículo que facilitasse a vida às suas pernas cansadas, uma polícia que só funciona através de suborno e um governo corrupto.

 

“Odonato já não tinha força para desenhar nos lábios um gesto mínimo de espanto ou o que fosse um vulgar sorriso, a temperatura chegava-lhe à alma, os olhos ardiam por dentro chorar afinal não tinha que ver com lágrimas, antes era o metamorfosear de movimentos internos, a alma tinha paredes - texturas porosas que vozes e memórias podiam alterar."

 

A escrita de Ondjaki é deliciosa, cheia de expressões locais, caricata em alguns momentos, mas também comovente, um estilo que faz lembrar Mia Couto e José Saramago. Não me farto de recomendar as obras de Ondjaki, faz tão bem à alma e fica bem em qualquer estante!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

Qui | 09.06.16

Não compro mais livros até ao final dos meus dias (Parte 4 de 4)

Estes posts tinham de ter um final, a minha carteira não me deixa continuar a este ritmo.

E se já "limpei" os livros usados e os comprados na Feira do Livro de Lisboa, falta apenas mostrar-vos as aquisições via promoções habituais de livrarias. Sim, a culpa foi das promoções e não totalmente minha.

 

Numa daquelas bancas que estão nas estações do Metro de Lisboa, mais concretamente no Marquês de Pombal, comprei dois volumes da Biblioteca Visão: As Aventuras de Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle e Ficções de Jorge Luís Borges. Cada um custou-me €1,50 

 

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Numa promoção no site da wook, comprei com 40% de desconto, o livro O Circo dos Sonhos de Erin Morgenstern, que entretanto já li e justifiquei as 5 estrelas aqui.

 

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Depois a wook lançou um novo site e deu em oferecer cheques de €5 a toda a população, e foi assim que comprei A Boneca de Kokoschka de Afonso Cruz (e que maravilha que foi).

 

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Só que aqueles malandros da wook deram-me outro cheque de €5 e o que é que eu fiz com ele? Comprei A coisa terrível que aconteceu a Barnaby Brocket de John Boyne e O Livro das Coisas Perdidas de John Connolly.

 

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Foram muitas as compras, sim foram, mas o que importa é não acumular livros-por-ler na estante, e deste 6 já li 4 

Qua | 08.06.16

OPINIÃO | A Casa dos Espíritos

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Título: A Casa dos Espíritos

Autor:  Isabel Allende

Ano de publicação: 2013

Editora: Porto Editora

 

Este é um daqueles livros que nos deixam sem palavras. Já passaram alguns dias desde que terminei a leitura mas nem assim consigo encontrar as palavras certas para me expressar.

 

Em A Casa dos Espíritos, Isabel Allende apresenta-nos a família Trueba ao longo de três gerações. Em cada uma das gerações a autora foca-se num elemento feminino da família, inicialmente Clara, seguindo-se a sua filha Blanca e a neta Alba. Fiquei fascinada pela forma como a autora conta a história desta família, cobrindo diferentes gerações sem perder o "fio à meada", não existe uma desconexão, a passagem de uma geração para a seguinte é natural.

 

As personagens que a autora criou têm personalidades muito fortes e distintas, sendo muito fácil ligarmo-nos a qualquer uma delas. Da mesma forma que é fácil gostar de qualquer uma das personagens, também é fácil não gostar ou deixar de gostar.

 

Achei o livro um pouco denso, não só devido à escrita da autora, caracterizada por parágrafos e frases bastante longos, mas também pelos momentos bastante descritivos presentes ao longo de toda a obra. No entanto, Isabel Allende prende qualquer leitor com as histórias de amores e desamores desta família e as personagens brilhantes que dela fazem parte.

 

"Algumas vezes sofria ataques de asma. Então chamava a neta com uma campainha de prata que andava sempre consigo e Alba acudia a correr, abraçava-a e curava-a com sussurros de consolo, pois ambas sabiam, por experiência, que a única coisa que pára a asma é o abraço prolongado de um ser querido."

 

Enquanto nos conta a história desta família, a autora transporta-nos até ao Chile entre as décadas 20 e 70, período marcado pelo golpe de estado e a ditadura. É com esta forte carga política que a autora liga a ficção à realidade e cria uma história arrebatadora!

 

Não se deixem enganar pela capa, eu cá não lhe achei piada nenhuma, e dediquem umas horinhas do vosso tempo à família Trueba. Muy bueno!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

Seg | 06.06.16

Não compro mais livros até ao final dos meus dias (Parte 3 de 4)

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Despedi-me da Feira do Livro na passada sexta-feira com mais algumas compras. Desta vez trouxe 2 livros do dia e, como eram os dois da Leya, acabei por aproveitar a promoção "Leve 4, Pague 3".

Os livros do dia que comprei foram Jesusalém de Mia Couto e O Assassinato de Roger Ackroyd da Agatha Christie, estavam a €7,95 e €7,50, respectivamente. E então pensei: "Por mais €10 posso levar 2 livros, bora? Bora!". Não foi difícil escolher 2 livros por entre tantos autores de que gosto, escolhi AvóDezanove e Segredo do Soviético do Ondjaki, estava a €10, e de oferta trouxe A Casa Torta da Agatha Chirstie.

Comigo trouxe ainda Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai de Gonçalo M. Tavares por €7,75, terceira e última compra por impulso desta FL.

 

Tenho um ano para reforçar o meu porquinho da FL, entretanto vou manter-me longe de livrarias (físicas e online) e daqueles grupos de livros usados do facebook, pelo menos durante os próximos 2 meses.