Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Claro como a água

Claro como a água

Sex | 27.05.16

Feira do Livro de Lisboa 2016 #3

Hoje fui passear pela Feira do Livro de Lisboa, por entre chuva e vento consegui encontrar algumas "pechinchas"! Comprei seis livros por cerca de €40 e apenas um deles era o Livro do Dia.

 

Vi muitos livros com desconto de 20%, são a maioria dos livros, mas também vi bancas com boas oportunidades a €2, €3 e €5. A Relógio d'Água tem uma banca em que todos os livros custam menos de €7,5 e muitos deles custam €3, se tiverem tempo e paciência "vasculhem" bem essa banca! Vi também muitas promoções do tipo "Leve 4 Pague 3", o que equivale a um desconto nunca superior a 25% sobre o preço de feira (pensem bem antes de ceder a estas tentações).

 

Vi Para onde vão os guarda-chuvas a €11 em vez de €19, na banca da Alfaguara e Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie a €12,5 em vez de €25, na banca da Dom Quixote.

 

Fui à procura de livros de autores lusófonos como Pepetela, José Eduardo Agualusa, José Saramago, José Luís Peixoto e Ondjaki mas nenhum dos livros tinha mais do que 25% de desconto, se souberem de alguma promoção que valha a pena por favor avisem-me!

 

Hoje foi o dia em que tive mais tempo para passear na feira, conto lá voltar durante a próxima semana mas apenas nas horas de almoço (já vos disse que trabalho no Marquês de Pombal) e apenas para aproveitar alguns livros do dia.

 

Aqui ficam as minhas sugestões para quem for à Feira do Livro durante o fim-de-semana:

 

28 Maio:

A Amiga Genial de Elena Ferrante, Relógio d'Água

PVP: €17,00 / PVP dia: €10,00

 

Galveias de José Luís Peixoto, Quetzal

PVP: €17,70 / PVP dia: €8,85

 

Os Transparentes de Ondjaki, Caminho

PVP: €17,90 / PVP dia: €10,70

 

29 Maio:

Livro do Desassossego de Fernando Pessoa, Assírio & Alvim

PVP: €22,50 / PVP dia: €11,25

 

Boas compras!

Qui | 26.05.16

OPINIÃO | A coisa terrível que aconteceu a Barnaby Brocket

WmDev_635998576361738119.jpg

 

Título: A coisa terrível que aconteceu a Barnaby Brocket

Autor:  John Boyne

Ano de publicação: 2013

Editora: Bertrand

 

Não vos vou contar qual foi a coisa terrível que aconteceu com o Barnaby, até porque isso poderia ser um spoiler e ninguém gosta dessas coisas.

 

Esta é uma história juvenil, ou, como se diz hoje em dia, para jovens adultos. O vocabulário utilizado é acessível, a leitura é fluida e o livro tem algumas ilustrações, como esta que está na capa:

 

O ponto forte do livro é a mensagem que passa, o autor faz-nos ver que ser diferente deve ser normal:

 

"Só porque a tua versão de normal não é a mesma da versão de outra pessoa, isso não significa que se passa algo de errado contigo."

 

É daqueles livros que tem personagens que adoramos e personagens que odiamos, o Barnaby é simplesmente adorável, já os seus pais são tão superficiais e têm comportamentos que repugno, fiquei a detestá-los.

 

Depois de ler este livro agarrei-o junto ao peito, de tão fofinho e tão especial que foi, e fiquei com vontade de "impingi-lo" a todas as pessoas, há muito gente por aí que devia lê-lo, talvez assim conseguissem perceber que temos de aceitar as diferenças e que ser diferente é o que nos torna especiais.

 

Um livro pequenino, de rápida leitura, adequado aos leitores mais jovens, que vos vai deixar com o coração mais cheio!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

Qua | 25.05.16

Feira do Livro de Lisboa 2016 #2

imagem vista aqui

 

Começa já amanhã mais uma edição da Feira do Livro de Lisboa! Já podem consultar o site oficial do evento em http://feiradolivrodelisboa.pt/.

 

Tal como nos anos anteriores, também este ano há Hora H. De 2ª a 5ª feira, das 22h às 23h, é possível comprar livros com mais 50% de desconto, desde que não estejam abrangidos pela lei do preço fixo (livros com menos de 18 meses).

 

Uma das novidades desta edição é a Biblioteca dos Bens Doados. A APEL convida os leitores a trazer para esta "biblioteca" livros novos ou usados que já não queiram. Os livros doados revertem para instituições de apoio a crianças.

 

Há muitos eventos agendados: sessões de autógrafos, lançamentos de livros, clubes de leitura e até concertos. Podem consultar a agenda aqui.

 

E depois há também os Livros do Dia! Este é um dos pontos fortes da Feira do Livro de Lisboa, vários livros em promoção todos os dias! Aqui ficam os meus destaques para os dias 26 e 27 de Maio. Podem consultar a lista completa aqui.

 

26 Maio:

 

A Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross, Editorial Presença

PVP: €18,90 / PVP dia: €11,00

 

Crime e Castigo de Fiodor Dostoievski, Editorial Presença

PVP: €22,80 / PVP dia: €13,50

 

Uma vida à sua frente de Romain Gary, Sextante Editora

PVP: €16,60 / PVP dia: €8,30

 

 

27 Maio:

 

A Casa dos Espíritos de Isabel Allende, Porto Editora

PVP: €18,70 / PVP dia: €9,35

 

Doutor Jivago de Boris Pasternak, Sextante Editora

PVP: €29,90 / PVP dia: €14,95

 

Poesia de Álvaro de Campos de Fernando Pessoa, Assiro & Alvim

PVP: €22,20 / PVP dia: €11,10

 

 

Espera-se que para além destes existam outras óptimas promoções. Lembro-me de encontrar bancas onde todos os livros estavam a um preço fixo, em alguns casos €3 ou €5. Também costumo encontrar livros com mais de 50%, sem ser na Hora H e sem serem livros do dia.

 

Há que ir à feira com os olhos bem abertos e com a cabeça no lugar, para encontrar e reconhecer as verdadeiras promoções, não se iludam com 20% ou 30% de desconto. Eu cá só me tento com descontos de 50% ou mais! Boas compras!

Ter | 24.05.16

OPINIÃO | Teoria Geral do Esquecimento

 

WmDev_635996782023513291.jpg 

 

Título: Teoria Geral do Esquecimento

Autor:  José Eduardo Agualusa

Ano de publicação: 2012

Editora: Dom Quixote

 

Se tivesse de escolher uma palavra para descrever o livro, ou antes uma palavra para descrever o que senti quando terminei de ler a Teoria Geral do Esquecimento, seria esperança. É estranho que um livro com este título transmita esperança mas como diz Agualusa:

 

"Os monstros nunca são totalmente monstros, há alguma coisa de humanidade sempre dentro dessas pessoas, mesmo dentro daquelas que constroem monstruosidades, como dentro dos heróis há sempre um lado escuro. As pessoas são isso mesmo."

 

Agualusa retrata Angola num passado recente marcado pela independência e pela guerra civil do início do século XXI. Nesta história, o autor conta-nos a vida de diversas personagens focando-se numa mulher em particular: Ludovica. Ludo, como é carinhosamente tratada, é uma portuguesa que vive em Angola com a irmã e o cunhado. Sem saber como, vê-se sozinha e isolada, precisamente na altura em que Angola consegue a independência. Ludo resolve erguer uma parede que a mantém fechada no apartamento onde mora durante 30 anos, sem, no entanto, a isolar totalmente. O mundo acaba por lhe entrar pela casa dentro sob a forma de estranhos (e aparentemente infundados) acontecimentos.

 

Ludo é uma personagem por quem é muito fácil apaixonarmo-nos, achei curioso que Agualusa tenha conseguido criar uma personagem tão cativante sem que a tenha caracterizado como tal. Sabemos pouco sobre Ludo, sabemos aquilo que Agualusa quis contar, mas parece que sabemos o suficiente.

 

"Deus pesa as almas numa balança. Num dos pratos fica a alma, no outro as lágrimas dos que a choraram. Se ninguém a chorou, a alma desce para o inferno. Se as lágrimas foram suficientes, e suficientemente sentidas, ascende para o céu. Ludo acreditava nisto. Ou gostaria de acreditar. Foi o que disse a Sabalu: vão para o Paraíso as pessoas de quem os outros sentem a falta. O Paraíso é o espaço que ocupamos no coração dos outros.”

 

Agualusa tem um ritmo próprio de contar a história, por diversas vezes senti que algo me tinha escapado mas, quando menos esperava, lá estava a explicação para o que tinha acontecido. Esta forma de narrar, com os 'porquês' e os 'comos' a aparecerem muito depois do acontecimento, tão particular e estranha, pode por vezes parecer confusa mas acaba por fazer sentido. É caso para dizer que primeiro estranha-se e depois entranha-se.

 

Achei que a história e as personagens poderiam ter sido mais aprofundadas, o facto de a obra ter sido construída com o objectivo de servir de guião de um filme (que acabou por nunca ser realizado) pode ser a explicação para a superficialidade que senti em alguns momentos. Também senti que no final a narrativa acelerou um bocadinho e os acontecimentos acabaram por se desenrolar mais depressa do que gostava.

 

Independentemente de tudo isto, fica a certeza de que nada acontece por acaso, a vida tem um motivo e um curso e Agualusa soube muito bem passar esta mensagem de esperança, como também soube tornar-me (finalmente) sua fã!

 

“Não se atormente mais. Os erros nos corrigem. Talvez seja melhor esquecer. Devíamos praticar o esquecimento.”

 

 

Classificação no Goodreads: 4/5