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Claro como a água

Um blog para os apaixonados por livros, ou para quem procura um livro para ler

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OPINIÃO | Para onde vão os guarda-chuvas

29.01.16

Para onde vão os guarda-chuvas

Título: Para onde vão os guarda-chuvas

Autor: Afonso Cruz

Ano de Publicação: 2013

Editora: Alfaguara

 

Acho que vou passar meses a reflectir sobre esta história. Sinto-me incapaz de partir para uma nova leitura.

Para onde vão os guarda-chuvas é uma história magnifífica, brilhante, as personagens são fantásticas, Fazal Elahi e Isa tocaram o meu coração como poucas personagens literárias o fizeram. Badini é genial e uma personagem tão importante nesta história.

Mas ainda que brilhante, esta é uma história dolorosa que nos leva a reflectir sobre a morte, a religião e sobre a família.

 

"Com tanto sofrimento, com licença, deveríamos chorar estrelas, para mostrar como tudo o resto é pequenino comparado com tudo o que nos dói."

 

Decididamente os livros de Afonso Cruz são para ler devagar, saborear desde a primeira a última página. Li algumas críticas sobre o livro ser demasiado longo, não achei. Em nenhum momento me aborreceu, parece-me que tem a medida e a complexidade certas. 

Encontramos neste livro passagens deliciosas como esta:

 

"Fazal Elahi sabia que o infinito não era maior do que isso. Parecia-lhe que, quando o filho lhe abria os braços, dava a dimensão exacta do infinito. E quando os fechava era um espaço ainda maior: os braços apertados contêm mais infinito do que os braços abertos, que contradição."

 

Com tanta coisa boa que já disse sobre o livro, tenho de apontar o que menos gostei. Achei que a parte final evolui demasiado depressa para o ritmo que o livro estava a levar. Agora, aquele final não me pareceu nada justo, não está certo, mas é assim mesmo, qualquer final para esta história não seria suficientemente digno.

 

Afonso, esta foi brilhante!

 

Classificação no Goodreads: 5/5

 

CITAÇÃO | Afonso Cruz

28.01.16

As pegadas não são as marcas dos nossos pés, são as marcas das nossas paixões, das nossas obrigações, dos nossos castigos, dos nossos prazeres. São o lugar por onde andamos, e isso revela muita coisa, mais do que impressões digitais e biografias oficiais. As pegadas, por vezes, deixam pássaros atrás delas, outras mostram quem pisamos, evidenciam quem seguimos.

 

Para Onde Vão os Guarda-Chuvas, de Afonso Cruz

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