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Claro como a água

Claro como a água

07
Mai18

BALANÇO | Abril

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De abril retenho três coisas: não comprei livros, só li livros que já tinha na estante há bastante tempo (exceto a leitura que já tinha começado em março e terminei em abril) e comecei a ler Anna Karenina.

 

Em abril li dois autores portugueses, uma inglesa e um japonês. Li um livro maravilhoso, um bom e dois medianos. Em abril li:

Ensina-me a Voar Sobre os Telhados de João Tordo - 3*

Rebecca de Daphne du Maurier - 4*

Nunca Me Deixes de Kazuo Ishiguro - 3*

Uma Casa na Escuridão de José Luís Peixoto - 4*

 

Em abril optei por não comprar livros, o que vocês não sabem é que já em maio comprei O Vermelho e o Negro de Stendhal, uma aquisição duplamente brilhante pela obra e por ter custado apenas €2!

Foi em abril que comecei, finalmente, a ler Anna Karenina de Leo Tolstoi, li cerca de 200 páginas das 1126 páginas que tem a edição que comprei o ano passado na Feira do Livro de Lisboa. Ainda que a leitura não esteja a ser tão complicada como antevi, acho que este livro vai ocupar-me durante todo o mês de maio.

No final de abril tinha 25 livros por ler na estante, não me recordo da última vez em que este número esteve tão baixo 

Como foram as vossas leituras em abril?

23
Abr18

5 citações sobre livros

reading.jpg

Imagem vista aqui.

  

No Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, deixo-vos não só muita força para não perderem a cabeça com as inúmeras promoções em livros, mas também cinco citações sobre livros e a leitura.

 

Cada livro, cada volume que vês, tem uma alma. A alma de quem o escreveu, e as almas daqueles que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém passa o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se mais forte.

em O Labirinto dos Espíritos de Carlos Ruiz Zafón

 

A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta. Talhar a obra literária sobre as próprias formas do que não basta é ser impotente para substituir a vida.

em O Livro do Desassossego de Fernando Pessoa

 

Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca.

Jorge Luís Borges

 

A leitura é, provavelmente, uma outra maneira de estar noutro lugar.

José Saramago

 

Direitos do leitor:

1 - O direito de não ler

2 - O direito de saltar páginas

3 - O direito de não terminar um livro

4 - O direito de reler

5 - O direito de ler não importa o quê

6 - O direito de confundir um livro com a vida real

7 - O direito de ler não importa onde

8 - O direito de ler trechos soltos

9 - O direito de ler em voz alta

10 - O direito de não falar do que se leu

 

em Como um Romance de Daniel Pennac

 

22
Abr18

OPINIÃO | Rebecca

 

Rebecca.jpg 

 Título: Rebecca

Autor: Daphne du Maurier

Ano da primeira publicação: 1938

Editora: Círculo de Leitores

 

Perdi conta ao número de vezes em que me disseram que este livro era espetacular, o melhor da autora. Comprei este exemplar numa feira de rua no Verão passado e desde então tenho procurado coragem para mergulhar nas cerca de 400 páginas de letras miudinhas e texto corrido. O projeto Livros no Ecrã da Daniela serviu de pretexto para (finalmente) ler Rebecca de Daphne du Maurier.

O veredicto é este: o livro é muito bom, a escrita da autora é surpreendentemente agradável e o enredo intrigante, apreciações ainda mais relevantes se tivermos em conta que o livro foi escrito em 1938.

 

A sinopse revela um enredo banal: uma jovem que se casa com um homem rico, que enviuvou recentemente, e desde então vive assombrada pela defunta. O suspense é uma constante, a curiosidade aumenta e as 400 páginas leem-se num ápice.

 

Uma das características que mais me agradou nesta leitura foi a caracterização e evolução psicológica das personagens. Esse é para mim o ponto forte do livro, aquele que me leva a concordar que é de facto espetacular. Essa caracterização é mais evidente na jovem que se casa com o viúvo Maxim de Winter, a nova Mrs. de Winter, aquela cujo nome nunca saberemos e que é também a narradora desta trama. Relativamente às restantes personagens, conhecêmo-las através da perspetiva da narradora, da sua visão crítica dos acontecimentos e da interação com as restantes personagens, logo essa caracterização psicológica não é tão explorada.

 

A surpresa das surpresas foi a escrita da autora. Não esperava algum tão fresco e simultaneamente tão crítico, também tinha algum receio quanto à fluidez da leitura, mas logo durante as primeiras páginas percebi que isso não seria um problema. Daphne du Maurier é sei dúvida uma grande escritora, consegue envolver o leitor num ambiente de mistério, por vezes obscuro, e deixar o leitor preso à história.

 

Sob pena de revelar mais do que devo, resta-me salientar que foi uma leitura viciante, com um desfecho imprevisível ainda que me tenha dececionada um pouco. Já adicionei outros livros da autora à minha lista, Daphne du Maurier é sem dúvida uma referência da literatura.

 

Classificação no Goodreads: 4/5 

19
Abr18

OPINIÃO | Nunca me deixes

Never Let Me Go.png 

Título: Nunca me deixes

Autor: Kazuo Ishiguro

Ano da primeira publicação: 2005

Editora: Gradiva

 

Nunca me deixes é um dos livros mais lidos do prémio Nobel Kazuo Ishiguro. Parti para esta leitura sem nada saber, sem ter lido a sinopse, nem opiniões de outros leitores, como faço frequentemente. Escolhi este livro apenas por querer conhecer o autor, premiado e bastante elogiado. A deceção começou ao fim de algumas páginas, quando percebi que o livro era um misto de distopia e ficção-científica, dois estilos que evito ler.

 

Kathy, Ruth e Tommy são três amigos que crescem num colégio interno que os protege do mundo exterior e os educa com um propósito específico, que não pretendo revelar. A história é nos contada pela perspetiva de Kathy através de constantes viagens ao passado que, confesso, me deixaram um pouco perdida principalmente na parte inicial.

 

Com o virar de mais algumas páginas lá me fui sentindo menos perdida e começava mesmo a ficar empolgada com o cenário alternativo criado pelo autor. Entusiasmo no auge e uma vontade imensa de perceber como ia o autor conduzir esta história e eis que chega a terceira e última parte do livro e o entusiasmo esmorece. A personagem principal com a qual cheguei a criar alguma empatia, revela-se uma mulher muito fraca com atitudes inexplicáveis. E se a coisa já não estava famosa, à medida que me aproximava do final comecei a sentir que faltavam peças ao puzzle e a deceção apoderou-se de mim.

 

A escrita do autor é bonita, no entanto o uso constante e propositado de uma expressão particular, que remete para o início da história, foi deveras irritante. Esta leitura valeu pelo incentivo à reflexão sobre a vida e o comportamento humano, conseguido através do cenário construído pelo autor mas também de algumas passagens como esta:

 

You're always in a rush, or else you're too exhausted to have a proper conversation. Soon enough, the long hours, the traveling, the broken sleep have all crept into your being and become part of you, so everyone can see it, in your posture, your gaze, the way you move and talk.

 

 

Classificação no Goodreads: 3/5

12
Abr18

OPINIÃO | Ensina-me a Voar Sobre os Telhados

JoãoTordo.jpg

 

Título: Ensina-me a Voar Sobre os Telhados

Autor: João Tordo

Ano de publicação: 2018

Editora: Companhia das Letras

 

Ensina-me a Voar Sobre os Telhados é o mais recente romance de João Tordo, o autor que nos habituo a uma escrita incomparável e personagens complexas. Este foi o quarto livro do autor que li e foi, sem dúvida, o mais triste.

 

A narrativa alterna entre o Japão e Portugal com um desfasamento temporal de cerca de 100 anos, focando-se na história de duas famílias. Ao longo do livro vamos compreendendo a relação entre as personagens bem como as suas histórias, o que se por um lado foi alimentando o meu interesse e curiosidade, por outro também me levou (por vezes) a sentir que perdia o fio à meada.

 

Sendo esta uma história focado em duas famílias, as personagens são inúmeras e, como não poderia deixar de ser, a sua complexidade é imensa (essa é mesmo uma das características das personagens dos romances de João Tordo). Ao longo das páginas procurei criar empatia com as personagens, expectante de que aconteceria em breve, virei páginas, li capítulos atrás de capítulos e quando cheguei a meio do livro comecei a perceber que nunca iria acontecer.

 

Se tivesse de caracterizar esta história através de uma só palavra não seria difícil, escolheria tristeza. São quase 500 páginas de infelicidade, monotonia, expectativa de que o autor nos surpreenda a qualquer momento sem, no entanto, que isso chegue a acontecer. Neste contexto, sinto que foram demasiadas páginas, com algumas partes aborrecidas(principalmente as partes portuguesas) e um sentimento de que esta leitura não mexeu comigo da mesma forma que as outras obras do autor fizeram.

 

As partes de que mais gostei foram os devaneios da personagens luso-japonesa Henrique Tsukuda, a minha preferida sem dúvida. Quanto à escrita de João Tordo, já inúmeras vezes referi que é qualquer coisa de incrível, muito delicada e rica em passagens que deixam qualquer leitor maravilhado.

 

(...) os deuses não dormem, nem estão acordados, simplesmente são, e os sonhos são exclusivos de quem ainda não é. Não é o quê? Isso saberás tu, mas escuta o que te digo, não partilhes os teus sonhos, guarda-os para ti, os sonhos dos homens são para serem mantidos em segredo para que os deuses invejosos não os descubram. 

 

No final, o balanço é positivo. Foi uma leitura diferente, com uma componente cultural interessante, ainda que não me tenha conquistado como o havia conseguido O Luto de Elias Gro.

 

Classificação no Goodreads: 3/5

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