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Claro como a água

Claro como a água

29
Dez16

Sobre os livros de auto-ajuda

Houve uma fase um bocadinho mais complicada na minha vida em que ler um livro deixou de me dar prazer. Percorri a estante vezes sem conta na busca pelo livro certo, procurei nos 30 livros que ainda não li e até nos 140 livros que já li. Foram 8 os livros que tentei ler mas em que não fui além das primeiras 7, 8 páginas. Nunca antes tal me tinha acontecido. 

No dia em que fui à última entrevista de emprego passei por uma livraria e fui directa à secção de auto-ajuda e desenvolvimento pessoal. Nunca antes o tinha feito. Sem saber exactamente o que procurava e sem conhecer quaisquer títulos e autores da área folheei alguns livros, li meia dúzia de páginas e dei por mim com vontade de levar 2 ou 3 para casa, felizmente a racionalidade falou mais alto e trouxe apenas um. Comecei a lê-lo nesse mesmo dia nos transportes de regresso a casa, terminei-o passado 2 dias.

O livro já está arrumado na estante juntamente com os outros 140 que já li. Tem lugar privilegiado bem à vista dos curiosos que admiram a minha colecção de livros. Até hoje não voltei a pegar-lhe, mas faço questão de o ter à mão na eventualidade de voltar a precisar de relembrar que a vida é doce, nós é que a tornamos amarga.

28
Nov16

Ainda tenho algo a dizer sobre a minha história

Este post deve ser o mais dramático que alguma vez escrevi e o único em que não refiro os livros. Não quero que este blog gire à minha volta, quero que as personagens principais continuem a ser os livros, e por isso o post de hoje é uma excepção que advém da necessidade que sinto em escrever sobre esta fase menos fácil da minha vida.

 

Quando iniciei a minha carreira profissional há 4 anos, estava radiante, motivada, tinha sede de desafios, vontade de trabalhar em equipa e uma ambição que me havia acompanhado até então. Há cerca de três/quatro semanas senti-me frustrada por não conseguir rever-me na Rita de há 4 anos. Tinha perdido parte da motivação e da ambição, não só a nível profissional mas mesmo a nível pessoal. Perdi parte da alegria e boa disposição, tolerância e capacidade de auto-controlo. Ainda que isto não fosse totalmente visível para as pessoas que me rodeiam, sentia-me emocionalmente fragilizada e desgastada.

 

A explicação para esta mudança reside num conceito que creio ser bastante familiar a qualquer adulto:

conformidade

resignação

submissão 

 

Hoje em dia conformamo-nos com tudo ou quase tudo, eu conformei-me com um emprego que não me agrada, um ambiente insustentável onde sou constantemente submetida a uma pressão e violência psicológica que até então era inimaginável. Tudo em prol de uma falsa segurança e estabilidade financeira. Resignei-me a ser medíocre e a viver só porque sim, deixei todo esse medo camuflar a verdadeira Rita.

 

Não é fácil falar deste assunto mas sei que se não o fizer agora que creio estar a recuperar, nunca o vou conseguir fazer, a Rita de há 4 anos não o faria, a Rita emocionalmente fragilizada muito menos.

 

Por ainda não estar desesperada ao ponto de aceitar uma remuneração demasiado baixa nem um estágio profissional, após 8 meses de uma desesperada procura de emprego ainda me encontrava na mesma situação, com uma agravante: por essa altura ir trabalhar e estar 8 horas naquele escritório tinha-se tornado o desafio mais difícil do meu dia. Dei por mim a lamentar-me por achar que não merecia ser tratada assim, as 18h eram um alívio muitas vezes acompanhado por uma estranha vontade de gritar, o meu nível de auto estima estava bem em baixo. Foi por essa altura que aconteceu a primeira, e até hoje única, manifestação física de que algo se passava com a minha saúde mental: tive um mini ataque de pânico. Tinha acabado de chegar ao escritório quando dei por mim sem força nos braços, com a cabeça estranha e as mãos a tremer.

 

Podia ter sido o princípio do fim mas EU DECIDI transformá-lo no princípio da mudança.

 

Não era a violência psicológica a que estava sujeita que me estava a levar para um lado mais negro, também sei que não devo culpar-me pelo que aconteceu e não o faço, culpo antes a passividade. A verdade é que, conformar-me estava a destruir-me e EU NÃO IA DEIXAR isso acontecer.

Nessa mesma semana chamaram-me para a última entrevista de um dos processos de recrutamento em que me encontro. Escrevo este post quando ainda não sei se consegui o tal emprego, pois sei que qualquer que seja a resposta, EU ESCOLHI reagir e construir o desfecho desta história.

07
Out16

Euforia a dobrar

excited baby

Visto aqui.

 

Há coisas muito estranhas, da noite para o dia a vontade de ler voltou. Não creio que consiga explicar o que desencadeou esta mudança, desconfio que a Agatha Christie ajudou, mas nem disso estou certa. Sei é que estou quase em êxtase de tanta felicidade que tenho em mim!

Ahh e hoje é sexta-feira 

03
Out16

Pensamentos de quem está numa crise literária #2

If Reading Were An Olympic Sport | BOOK RIOTIf Reading Were An Olympic Sport - BOOK RIOT:

 

Imagem vista aqui.

Pensamento #1:

Li 3 páginas de Os Três Casamentos de Camila S. de Rosa Lobato de Faria e 5 páginas de Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai de Gonçalo M. Tavares, mas não resultou. Entretanto já li 16 páginas de A Casa Torta de Agatha Christie, parece-me que este se está a destacar, pelo menos tem passeado na minha mala durante os últimos dias.

 

Pensamento #2:

A situação está um pouco menos caótica quando comparada com o cenário de há uma semana, altura que escrevia este post (ainda assim está longe de ser "normal").

 

Pensamento #3:

Foi hoje editado o novo livro de Valter Hugo Mãe, Homens Imprudentemente Poéticos. A probabilidade deste autor me cativar é elevadíssima, e facilmente se deduz que é bem possível que me retire desde buraco (e que me coloque noutro igualmente negro).

 

Pensamento #4:

Já tenho vontade de comprar (alguns) livros. Será boa ideia comprar este? Se não o ler brevemente o sentimento de culpa por acumular livros por ler na estante vai aumentar.

 

Pensamento #5:

Sinto-me ridícula ao expor estes pensamentos, devia era deixar-me de parvoíces e pegar num livro...

27
Set16

Pensamentos de quem está numa crise literária

 giphy (57)

 

Já vos disse que estou em crise literária? É a terceira vez que acontece, das duas primeiras vezes durou cerca de 2 meses, esta já vai com quase 1 mês.

Por altura em que escrevia este post já tinha percorrido os livros que tenho no kobo, os livros da minha estante e até recorri à internet para encontrar o tal, o livro que iria desbloquear o cérebro e que me traria de volta o prazer que normalmente encontro nos livros. Até chegar a esse post muita coisa me passou pela cabeça:

1 - Porque é que isto me está a acontecer?

2 - O que é que eu fiz para isto me estar a acontecer?

3 - Quanto é que esta crise vai terminar?

4 - Não tenho nada para fazer, estou aborrecida, vou ler um livro! Péssima ideia, agora estou ainda mais aborrecida.

5 - As minhas redes sociais e o blog estão abandonados

6 - Mas como é que deixei de conseguir ler de um momento para o outro?!

7 - Aqueles livros na estante estão todos a olhar para mim

8 - Quanto é que esta crise vai terminar? Tenho tantos livros para ler...

9 - Mas porque é que eu fui reler aquele livro?!

10 - Ok, vamos lá ler umas páginas. Resultado: pego no telemóvel a cada duas linhas, volto ao livro, leio as mesmas duas linhas, pego no telemóvel

11 - Quando é que este inferno vai terminar? Era tão feliz quando lia.

12 - Preciso de ajuda, rápido!

 

Enquanto o desespero continuava a aumentar, eu tentava de tudo para parar isto, consultava blogs literários, recorria ao goodreads e às livrarias, à espera de uma reacção. Qualquer coisa diferente de apatia já seria bom.  

 

Depois percebi que não podia continuar esta luta, esta crise literária não iria passar só porque eu insistia em ler. Depois do sentimento de culpa, desespero e tristeza percebi que tinha de me conformar com a situação e decidia que iria "abraçar" esta crise nojenta. Mais depressa do que conseguia prever, dei por mim a pensar que estava numa crise literária mas que isso não tinha mal nenhum, estava tudo bem!

 

Não quero que isto vos parece mal, a verdade é que sinto realmente falta dos livros, de me perder nas suas páginas, sinto falta de perder a noção do tempo, do espaço e da realidade enquanto leio um livro. Por estes dias tenho pensado bastante nos meus livros preferidos, naquelas personagens marcantes que guardamos em nós, poderá parecer um pouco lunático mas creio que uma destas noites até sonhei com livros. Acho é que a diferença entre esta crise e as primeiras por que passei é a minha postura, percebi que tinha de aproveitar e divertir-me de outra(s) forma(s) enquanto não conseguisse voltar aos livros. Não quis saber dos livros que tenho por ler na estante, mesmo que os sinta a olhar para mim todos os dias, não me preocupei quando saí de casa sem levar um livro na mala, não me importei de me afastar dos livros. Substituí os livros por música, por minesweeper no telemóvel e uns episódios de uma série qualquer que passava na televisão, voltei a andar de bicicleta e estava novamente em paz. 

 

Não deixei que o blog, o goodreads nem mesmo os livros que tenho na estante me pressionassem, não me culpei por nada. A certa altura esta "ausência" fez-me desejar voltar a ler, fez-me encontrar o caminho de volta aos livros. Posto isto, sim, posso dizer que estou a começar a sentir entusiasmo quando olho para um livro, hoje mesmo já trouxe um livro na mala e já li algumas páginas. Não, ainda não consegui interessar-me por nenhum dos livros que anda a fazer furor no momento, mas creio que isso já era um pouco assim. Depois deste mega post, já consigo responder-vos à questão o que fazer para sair de uma crise literária?, a resposta é até bastante simples: não fazer nada, temos de nos resignar e sossegar, aproveitar a crise para fazer outras coisas, desta forma até pode ser que passe mais rápido, pelo menos comigo está a ser assim, vamos ver até onde isto me vai levar...

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