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Claro como a água

Claro como a água

05
Abr17

Sobre os últimos 80 dias

Perdi a estabilidade de vista. Investi toda a minha energia num novo desafio. Peguei no livro Crónicas do Mal de Amor de Elena Ferrante, não fui além da página 20. Tentei O Remorso de Baltazar Serapião de Valter Hugo Mãe, fiquei-me pela página 95. Percebi que não estava a conseguir focar-me nos livros porque tinha a cabeça noutro sítio. Peguei n' A Arte da Base de Dados de Carlos Pampulim Caldeira, estava no caminho certo. Folheei vários outros livros técnicos. Deixei-me andar por aí.

 

Não escrevi. Não comprei livros. Não fui ao goodreads. Não vim ao blog. Não visitei outros blogs. Passei a frequentar a zona "técnica" das livrarias.

 

Mudei de ares. Mudei de emprego. Saltitei por vários projectos. Mudei de objectivos. Cruzei-me com o Ondjaki e tenho a sensação de que petrifiquei mesmo à sua frente. Descobri que chocolate preto não é assim tão mau. Comecei a beber café sem açúcar. 

 

Encontrei a estabilidade. Admirei a minha estante. Deliciei-me ao passar os dedos pelas lombadas, ao reler excertos e ao folhear os meus livros preferidos. Em 3 dias li 85 páginas de AvóDezanove e o Segredo do Soviético do Ondjaki.

 

80 dias volvidos, parece-me que tudo está finalmente a voltar ao "normal".

29
Dez16

Sobre os livros de auto-ajuda

Houve uma fase um bocadinho mais complicada na minha vida em que ler um livro deixou de me dar prazer. Percorri a estante vezes sem conta na busca pelo livro certo, procurei nos 30 livros que ainda não li e até nos 140 livros que já li. Foram 8 os livros que tentei ler mas em que não fui além das primeiras 7, 8 páginas. Nunca antes tal me tinha acontecido. 

No dia em que fui à última entrevista de emprego passei por uma livraria e fui directa à secção de auto-ajuda e desenvolvimento pessoal. Nunca antes o tinha feito. Sem saber exactamente o que procurava e sem conhecer quaisquer títulos e autores da área folheei alguns livros, li meia dúzia de páginas e dei por mim com vontade de levar 2 ou 3 para casa, felizmente a racionalidade falou mais alto e trouxe apenas um. Comecei a lê-lo nesse mesmo dia nos transportes de regresso a casa, terminei-o passado 2 dias.

O livro já está arrumado na estante juntamente com os outros 140 que já li. Tem lugar privilegiado bem à vista dos curiosos que admiram a minha colecção de livros. Até hoje não voltei a pegar-lhe, mas faço questão de o ter à mão na eventualidade de voltar a precisar de relembrar que a vida é doce, nós é que a tornamos amarga.

28
Nov16

Ainda tenho algo a dizer sobre a minha história

Este post deve ser o mais dramático que alguma vez escrevi e o único em que não refiro os livros. Não quero que este blog gire à minha volta, quero que as personagens principais continuem a ser os livros, e por isso o post de hoje é uma excepção que advém da necessidade que sinto em escrever sobre esta fase menos fácil da minha vida.

 

Quando iniciei a minha carreira profissional há 4 anos, estava radiante, motivada, tinha sede de desafios, vontade de trabalhar em equipa e uma ambição que me havia acompanhado até então. Há cerca de três/quatro semanas senti-me frustrada por não conseguir rever-me na Rita de há 4 anos. Tinha perdido parte da motivação e da ambição, não só a nível profissional mas mesmo a nível pessoal. Perdi parte da alegria e boa disposição, tolerância e capacidade de auto-controlo. Ainda que isto não fosse totalmente visível para as pessoas que me rodeiam, sentia-me emocionalmente fragilizada e desgastada.

 

A explicação para esta mudança reside num conceito que creio ser bastante familiar a qualquer adulto:

conformidade

resignação

submissão 

 

Hoje em dia conformamo-nos com tudo ou quase tudo, eu conformei-me com um emprego que não me agrada, um ambiente insustentável onde sou constantemente submetida a uma pressão e violência psicológica que até então era inimaginável. Tudo em prol de uma falsa segurança e estabilidade financeira. Resignei-me a ser medíocre e a viver só porque sim, deixei todo esse medo camuflar a verdadeira Rita.

 

Não é fácil falar deste assunto mas sei que se não o fizer agora que creio estar a recuperar, nunca o vou conseguir fazer, a Rita de há 4 anos não o faria, a Rita emocionalmente fragilizada muito menos.

 

Por ainda não estar desesperada ao ponto de aceitar uma remuneração demasiado baixa nem um estágio profissional, após 8 meses de uma desesperada procura de emprego ainda me encontrava na mesma situação, com uma agravante: por essa altura ir trabalhar e estar 8 horas naquele escritório tinha-se tornado o desafio mais difícil do meu dia. Dei por mim a lamentar-me por achar que não merecia ser tratada assim, as 18h eram um alívio muitas vezes acompanhado por uma estranha vontade de gritar, o meu nível de auto estima estava bem em baixo. Foi por essa altura que aconteceu a primeira, e até hoje única, manifestação física de que algo se passava com a minha saúde mental: tive um mini ataque de pânico. Tinha acabado de chegar ao escritório quando dei por mim sem força nos braços, com a cabeça estranha e as mãos a tremer.

 

Podia ter sido o princípio do fim mas EU DECIDI transformá-lo no princípio da mudança.

 

Não era a violência psicológica a que estava sujeita que me estava a levar para um lado mais negro, também sei que não devo culpar-me pelo que aconteceu e não o faço, culpo antes a passividade. A verdade é que, conformar-me estava a destruir-me e EU NÃO IA DEIXAR isso acontecer.

Nessa mesma semana chamaram-me para a última entrevista de um dos processos de recrutamento em que me encontro. Escrevo este post quando ainda não sei se consegui o tal emprego, pois sei que qualquer que seja a resposta, EU ESCOLHI reagir e construir o desfecho desta história.

07
Out16

Euforia a dobrar

excited baby

Visto aqui.

 

Há coisas muito estranhas, da noite para o dia a vontade de ler voltou. Não creio que consiga explicar o que desencadeou esta mudança, desconfio que a Agatha Christie ajudou, mas nem disso estou certa. Sei é que estou quase em êxtase de tanta felicidade que tenho em mim!

Ahh e hoje é sexta-feira 

03
Out16

Pensamentos de quem está numa crise literária #2

If Reading Were An Olympic Sport | BOOK RIOTIf Reading Were An Olympic Sport - BOOK RIOT:

 

Imagem vista aqui.

Pensamento #1:

Li 3 páginas de Os Três Casamentos de Camila S. de Rosa Lobato de Faria e 5 páginas de Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai de Gonçalo M. Tavares, mas não resultou. Entretanto já li 16 páginas de A Casa Torta de Agatha Christie, parece-me que este se está a destacar, pelo menos tem passeado na minha mala durante os últimos dias.

 

Pensamento #2:

A situação está um pouco menos caótica quando comparada com o cenário de há uma semana, altura que escrevia este post (ainda assim está longe de ser "normal").

 

Pensamento #3:

Foi hoje editado o novo livro de Valter Hugo Mãe, Homens Imprudentemente Poéticos. A probabilidade deste autor me cativar é elevadíssima, e facilmente se deduz que é bem possível que me retire desde buraco (e que me coloque noutro igualmente negro).

 

Pensamento #4:

Já tenho vontade de comprar (alguns) livros. Será boa ideia comprar este? Se não o ler brevemente o sentimento de culpa por acumular livros por ler na estante vai aumentar.

 

Pensamento #5:

Sinto-me ridícula ao expor estes pensamentos, devia era deixar-me de parvoíces e pegar num livro...

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