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Claro como a água

Claro como a água

01
Ago16

OPINIÃO | Eu Sou a Árvore

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Título: Eu Sou a Árvore

Autor: Possidónio Cachapa

Ano da publicação: 2016

Editora: Companhia das Letras

 

Este foi o livro que quebrou o meu jejum de compras literárias. Na altura escrevi:

"Entrei na livraria, vi o livro, toquei-lhe, peguei-lhe, admirei a capa, li a pequena biografia do autor, folheei o livro, abri-o numa página aleatória e li dois parágrafos. Senti que precisava de o levar comigo. Foi assim, com um autor de quem nunca tinha ouvido falar e com um livro de que não tinha qualquer referência, que quebrei um jejum que já durava há mais de 1 mês e meio. Das duas uma, ou o livro é mesmo bom ou alguma força divina me levou a abrir o livro na única página que vale a pena ser lida."

 

Já devem ter reparado que o veredicto é que o livro é mesmo bom!

 

Com Eu Sou a Árvore Possidónio Cachapa tornou-se uma referência da literatura portuguesa contemporânea para mim. Nunca antes tinha lido nada do autor e confesso que me senti ignorante por nunca antes ter ouvido falar nele. Mas, antes tarde do que nunca e agora que o descobri vou querer ler mais.

 

Li o livro devagar, tanto quanto a minha ansiedade conseguiu tolerar, para fazer durar o prazer da leitura. A escrita do autor é simples mas tão rica em descrições e tão emotiva, encheu-me as medidas.

 

"Tomar conta dos outros, às vezes temos de parar, abrir-lhes apenas os braços e ficar ali, sem fazer nada. Só a deixar que as nossas mãos acariciem as suas; a tocar os cabelos fininhos e macios de criança antes que eles se espessem e nos digam que já não precisam das nossas mãos. Rir com eles. Ser amado e amar. Só isso. Ou não deixar que a necessidade de abrir o ventre da terra, ciclicamente, se torne uma obsessão. O vício que tudo cega. A terra dá e a terra tira. Porque a terra espera também o dia em que será vencedora sobre o corpo físico do homem. Nela entrará a sua carne ou pousarão as suas cinzas. Não haver pressa, não haver pressa."

 

Não sei como são as restantes obras de Possidónio Cachapa mas esta tem uma característica muito peculiar que me inquieta e me apaixona ao mesmo tempo. O autor revela ao longo da história pequenos acontecimentos futuros (como quem dá um doce a uma criança e lho tira logo de seguida) por exemplo a morte de uma personagem, um bocadinho ao estilo do que Markus Zusak faz com a personagem Morte em A Rapariga que Roubava Livros. Não sei explicar bem se é o controlo evidente do autor relativamente à narrativa e a minha consequente impotência, sei é que adoro isto! Estas pequenas e surpreendentes revelações provocam em mim sentimentos tão controversos que nem consigo explicar.

 

Uma outra característica de que gostei bastante, e que me lembra Valter Hugo Mãe, é a presença constante da morte. Isto pode parecer um bocadinho mórbido mas não é assim tanto. Ao longo de toda a narrativa encontramos referências à vida e à morte sobre diferentes formas, não apenas a morte física.

 

As personagens são aquelas figuras imperfeitas tão reais como qualquer leitor e como o próprio autor. São personagens por quem os anos passam e com quem o autor constrói uma história bonita, que nos toca e nos faz ansiar por mais.

 

Ainda que queira não consigo escrever mais do que isto sem revelar mais do que devo. Foi das melhores compras (por impulso) que fiz, Possidónio Cachapa é agora uma das minhas recomendações da literatura portuguesa.

 

Classificação no Goodreads: 5/5

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