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Claro como a água

Claro como a água

13
Jan18

OPINIÃO | A Vegetariana

A Vegetariana.jpg 

Título: A Vegetariana

Autor: Han Kang

Ano da primeira publicação: 2007

Editora: Dom Quixote

 

A Vegetariana foi uma leitura ainda de 2017. Vencedor do Man Booker International Prize em 2016 descrito como "um romance contada a três vozes, com três perspetivas diferentes, esta concisa, inquietante e linda história retrata a normal rejeição de uma mulher a todas as convenções e premissas que a ligam à sua casa família e sociedade”.

Esta descrição, feita pelo júri do prémio, parece-me um tanto exagerada, se retirarmos os adjetivos linda, associado à história, e normal, associado à rejeição da mulher à família e à sociedade, então aí sim já me parecia uma descrição mais próxima da perceção que tive.

 

Sinto que devia elaborar a minha opinião, se assim não fosse qual o sentido deste post? No entanto, tal como acontece sempre que um livro não me fascina, e talvez também por já terem passado algumas semanas desde que terminei a leitura de A Vegetariana, não estou com vontade de elaborar desta vez...

 

De uma forma sucinta, aqui ficam os pontos que gostava de referir:

+ a escrita é agradável

+ a mensagem principal sobre cada um fazer o que quiser sobre o seu corpo é muito forte

- o título não faz sentido, pelo menos a partir do momento em que se começa a associar a escolha alimentar com a anorexia

- as personagens e toda a história são demasiado estranhas

- o livro lê-se rapidamente mas passado uns dias já mal nos lembramos dele

 

Não me fascinou. 

 

Classificação no Goodreads: 3/5

04
Jan18

OPINIÃO | A Bicicleta que Tinha Bigodes

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Título: A Bicicleta que tinha Bigodes

Autor: Ondjaki

Ano da primeira publicação: 2011

Editora: Caminho 

 

A fórmula mágica que fazem qualquer leitor apaixonar-se pelas obras de Ondjaki não é segredo, a receita é a de sempre: um retrato da infância contada num português bonito.

A Bicicleta que Tinha Bigodes estava na minha lista desde o dia em que li Uma Escuridão Bonita, só este Natal me chegou à estante, disfarçado de presente de Natal, chegou pelas mãos de uma pessoa muito querida que conhece o meu fascínio pelas obras do Ondjaki.

 

A bicicleta de que fala o título é o primeiro prémio de um concurso da Rádio Nacional de Angola para a melhor história infantil escrita pelos ouvintes da rádio. Da bicicleta sabe-se que tem as cores da bandeira nacional: amarelo, vermelho e preto e, se quisermos crer, tem bigodes. Do protagonista desta história sabemos que é um miúdo angolano que mora em Luanda, tem como amigos a Isaura, que batiza todos os bichos da zona, veja-se o exemplo dos sapos Fidel e Raúl e do gato Gandhi, e o camarada JorgeTemCalma, que nunca tem calma, e ambiciona ganhar a bicicleta para não só usufruir dela, mas também para que outros o possam fazer.

 

O livro é muito pequenino, diria que demasiado curto, uma escrita tão bonita merecia mais umas páginas, mas tem uma mensagem muito forte, tal como Ondjaki já nos havia habituado.

 

- Gostas de estrelas?
-Gosto bué, tio Rui. Brilham sem gastar a pilha. Só nunca consegui entender a cor delas.
- As estrelas não têm cor, são como as pessoas.
- Eu pensei que a cor das pessoas ficava na pele delas.
- Não. A cor das pessoas fica nos olhos de quem as olha.

 

Ondjaki será sempre o meu escape predileto à monotonia da rotina e à "banalidade" da literatura dos dias de hoje. Recomendo sempre!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

31
Dez17

OPINIÃO | O Caminho Imperfeito

 

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Título: O Caminho Imperfeito

Autor: José Luís Peixoto

Ano da primeira publicação: 2017

Editora: Quetzal Editores

 

Se há algo relevante neste post e que merece ser retido é que foi com esta obra que José Luís Peixoto me conquistou. É certo que dele li apenas três livros para além deste último, talvez não tenha começado pelos melhores, este foi especial.

 

Porque escrevo? Escrevo porque quero que os meus filhos saibam quem sou. Tenho esperança de que estas palavras, misturadas com o que lhes mostro, sejam suficientes, sejam o máximo possível. Quero que me conheçam porque quero que se conheçam a si próprios. Quando eu já não possuir palavras, espero que regressem a estas e lhes encontrem significados que, agora, são inacessíveis. Espero que estas palavras os abracem. Escrever é a minha maneira de ser pai deles para sempre.

 

O Caminho Imperfeito é o regresso do autor à não-ficção, desta feita numa viagem até à Tailândia. O país é descrito através do olhar de José Luís Peixoto, que se terá deslocado por várias vezes ao país, e retratado através de ilustrações de Hugo Makarov. O livro está dividido em duas partes: a primeira sobre os sentidos e a cidade, numa evidente caracterização da cultura do país e dos costumes do seu povo, a segunda um registo autobiográfico através de vários episódios vividos pelo autor.

 

Não tem princípio nem fim, não é passível de descrição, é para ler devagar, saborear a viagem a Banguecoque, apreciar as passagens mais profundas.

 

Não sei como vou morrer, não sei se vou ter tempo para pensar. Mas muitas vezes, quando tenho de fazer avaliações importantes, imagino como seria se estivesse para morrer. E estou. Quem está vivo, está para morrer.

 

Esta leitura levou-me a procurar outras obras do autor e a querer ler mais "literatura de viagem". Dos melhores livros que li em 2017.

 

Classificação no Goodreads: 5/5 

06
Dez17

OPINIÃO | As Oito Montanhas

AsOitoMontanhas.jpg 

Título: As Oito Montanhas

Autor: Paolo Cognetti

Ano da primeira publicação: 2016

Editora: Dom Quixote

 

As Oito Montanhas foi-me descrito, pela minha amiga Leonor, como um livro maravilhoso que fala sobre a vida, sobre a amizade, uma leitura ternurenta e bastante curta. Tive que experimentar para perceber que teria de concordar com a Leonor.

 

O autor da obra é Paolo Cognetti, um escritor italiano que, após 15 anos de carreira e uma viagem pelos Alpes, alcança finalmente a fama com um romance sobre a amizade e a montanha. Ao longo das cercas de 220 páginas, conhecemos paisagens incríveis que servem de pano de fundo a uma amizade que perdura para a vida.

 

Pietro, Bruno e as montanhas são o centro desta história. Pietro é um rapaz que descobriu, pela mão do seu pai, a amar a montanha e a render-se aos seus encantos. Bruno é um rapaz que passa os dias na montanha a pastar as vacas do tio. Pietro e Bruno conhecem-se na infância durante o verão em que os pais de Pietro alugam uma casa na aldeia de Grana, perto do Monte Rosa, para que o pai de Pietro possa praticar alpinismo. É na montanha que Pietro cria e fortalece laços não só com o amigo Bruno mas também com o pai. O destino ditou que Pietro e Bruno seguissem percursos diferentes, se o primeiro preferiu a cidade, o segundo nunca saiu da montanha.

 

Se o momento em que imerges num rio é o presente, pensei, então o passado é a água que te ultrapassou, a que vai para baixo e já não é nada para ti, enquanto o futuro é a água que vem de cima, trazendo perigos e surpresas. O passado é a jusante, o futuro é a montante (...) seja o que for o destino, habita nas montanhas que temos acima da cabeça.

 

A escrita do autor é maravilhosa, o que facilita a leitura e aumenta a satisfação do leitor. Ainda assim, foram características como o simbolismo que o autor coloca nas imponentes montanhas, enquanto cenários de tranquilidade e pano de fundo para uma viagem de auto-conhecimento; a melancolia e a tristeza presentes em toda a obra que me levaram a concordar com a minha amiga Leonor. Recomendo muito!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

05
Dez17

OPINIÃO | Lincoln no Brado

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Título: Lincoln no Brado

Autor: George Saunders

Ano da primeira publicação: 2017

Editora: Relógio D'Água

 

Lincoln no Brado é o primeiro romance do autor George Saunders, até então associado apenas à escrita de contos. Podemos dizer que George Saunders "chegou" e venceu, já que este seu primeiro romance arrecadou o Man Booker Prize deste ano.

 

O romance levou cerca de quatro anos a ser escrito, ainda que a ação decorra em uma única noite. O autor baseou-se em factos verídicos, são até apresentados excertos de jornais e citações alusivos ao episódio que serve de ponto de partida: a morte de Willie, um rapaz de 11 anos vítima de tifoide, e que, por casualidade, era filho de Abraham Lincoln.

  

A ação decorre no cemitério e é narrada por vários fantasmas que habitam o local sempre através de excertos curtos. O discurso não é linear e a forma como a obra está estruturada: constantes mudanças de narrador, monólogos por vezes impercetíveis e várias citações ou excertos de artigos, não facilitam a leitura. Diria que se Lincoln no Brado prima pela originalidade, essa originalidade tem um preço.

 

Fiquei fascinada com a peculiaridade da obra, ainda que alguns excertos tenham sido um bocadinho aborrecidos. Os monólogos dos fantasmas são uma delícia, já a sua inquietação relativamente à presença do pequeno Willie naquele lugar de transição entre os dois mundos e a dor do pai Abraham Lincoln ao visitar o filho naquela noite são bastante perturbadores.

 

Apreciadores de história e de obras biográficas vão, muito provavelmente, render-se à obra, aos restantes recomendo a leitura apenas se forem pacientes e/ou persistentes, caso contrário poderão não reconhecer o valor da obra.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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