Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Claro como a água

Claro como a água

26
Abr17

OPINIÃO | O Remorso de Baltazar Serapião

 

VHM.jpg 

Tí­tulo: O Remorso de Baltazar Serapião

Autor:  Valter Hugo Mãe

Ano da primeira publicação: 2006

Editora: Porto Editora

 

Duas semanas volvidas e algumas ideias mal arrumadas e eis que se formou uma espécie de opinião acerca do livro O Remorso de Baltazar Serapião do escritor português Valter Hugo Mãe. 

 

A acção deste romance desenrola-se na idade média e começa assim:

 

A voz das mulheres estava sob a terra, vinha de caldeiras fundas onde só o diabo e gente a arder tinha destino. a voz das mulheres, perigosa e burra, estava abaixo do mugido e atitude da nossa vaca, a sarga, como lhe chamávamos.

 

O protagonista desta história é Baltazar Serapião, um homem igual aos outros, educado segundos os princípios e valores da época, instruído de que Ermelinda, a sua mulher, apenas existe para o servir e, portanto, encontra na violência e agressão a melhor forma de expressar o amor que sente por ela.

 

Não é um livro bonito nem de fácil leitura, não pela escrita, essa é toda aquela maravilha que por aqui já escrevi, mas antes pelo conteúdo. Não gostei das personagens, acho que a sarga é a única que se safa.

 

Levei alguns dias a reflectir sobre esta leitura por ter sido uma experiência demasiado emotiva e revoltante. Quis deixar que a raiva desaparecesse e que as ideias assentassem, mas a raiva não desapareceu. Penso que isto poderia ter resultado muito melhor se o autor não exagerasse na caracterização da mulher, para além de revoltante chegou a ser entediante ler todos aqueles comentários. 

Dizia o meu pai, a voz das mulheres só sabe ignorâncias e erros, cada coisa de que se lembrem nem vale a pena que a digam. mais completas estariam, de verdade, se deus as trouxesse ao mundo mudas. só para entenderem o que fazer na preparação da comida e debaixo de um homem e nada mais.

 

Quem já leu outras obras do autor vai certamente notar que esta é muito mais pesada e violenta. Esta não é uma leitura que queira guardar na memória.

 

Classificação no Goodreads: 3/5

11
Abr17

OPINIÃO | Stoner

Stoner.jpg 

Título: Stoner

Autor:  John Williams

Ano da primeira publicação: 1965

Editora: Dom Quixote

 

Uma história triste, que à primeira vista não parece ter nada de especial, com personagens aparentemente triviais. Um livro que se devora. Uma escrita que transforma uma história normal em algo mágico!

 

Stoner foi publicado em 1965 e foi distinguido com o prémio melhor livro do ano, pela livraria britânica Waterstones, em 2013. Sim, não foi um erro de escrita, foi mesmo em 2013. Acontece que Stoner caiu no esquecimento, tendo sido recuperado 50 anos depois pela escritora Anna Gavalda. 

 

A história não tem nada de original, são 300 páginas sobre cerca de 50 anos da vida de William Stoner, um professor universitário oriundo de uma família de agricultores com poucas posses, casado com Edith, com quem vive numa casa banal, situada numa cidade como tantas outras. Resumindo, o livro narra uma sucessão de acontecimentos da vida de Stoner, que nada têm de interessantes.

 

Então o que é que o livro tem de especial, perguntam vocês? A narrativa simples mas profunda, trivial mas envolvente. Personagens muito completas. A tristeza, do início ao fim. A vontade de viver. 

Às vezes, imerso em seus livros, vinha-lhe a consciência de tudo que ele não sabia, de tudo que ele não lera. E a serenidade para a qual trabalhava tanto ficava abalada quando se dava conta do pouco tempo que tinha na vida para ler tanta coisa, para aprender o que tinha de saber.

 

Do melhor que podem encontrar nas livrarias, do que estão à espera para o ler?

 

Classificação no Goodreads: 4/5

06
Abr17

OPINIÃO | AvóDezanove e o Segredo do Soviético

 AvóDezanove_Ondjaki.jpg 

Título: AvóDezanove e o Segredo do Soviético

Autor: Ondjaki

Ano da primeira publicação: 2008

Editora: Editorial Caminho

 

Já várias vezes falei das obras de Ondjaki, das personagens que lá vivem, da forma como o autor retrata a infância, do modo inexplicável e inconfundível de descrever sensações (gosto particularmente das referências ao olfacto). O autor consegue descrever a saudade e as despedidas com uma sensibilidade extrema, mas de uma forma doce que faz parecer que alguém nos está a cantar a história ao ouvido.

 

Este foi o sexto livro de Ondjaki que me passou pelas mãos e, tal como os restantes, deixou saudades assim que virei a última página. Saudades do Espuma-DoMar o matemático maluco que tinha um jacaré no quintal, do Pinduca, o Pi ou 3,14 como era conhecido no bairro, do narrador sem nome e da sua paixão por filmes de cowboys, da AvóAgnette e da sua característica peculiar, do Camarada VendedorDeGasolina que podia dormir muito porque a bomba nunca tinha gasolina, da Avó Catarina que só aparecia quando queria e que não deixava nada por dizer, do soviético camarada Botardov que tinha esse nome "por causa do modo como ele dizia, quase a falar soviético, "bótard", mesmo que fosse de manhã cedo ou à noite já bem noitinha”.

 

Esta é a história da construção do Mausoléu na PraiaDoBispo, o monumento destinado a albergar o corpo do falecido presidente Agostinho Neto, mas é principalmente, a história daquele lugar, das pessoas que lá habitam, adultos e crianças que partilham o desejo de continuar a correr pela PraiaDoBispo. 

A Avó me mandou um beijo voado, beijado na mão dela a sorrir, acho que a dança lhe fez bem, a cara dela parecia mais calma e até caminhava melhor. Era o milagre da música, como dizia o Espuma-DoMar: - Os meus pés conhecem a verdade que o meu coração sente quando os meus ouvidos sorriem. A música é o milagre que os comunistas já autorizaram de acontecer, ahahah. A bailar, compañeros.

 

Tenho-me deliciado a ler os livros de Ondjaki, não há dúvida de que é um dos mais brilhantes escritores lusófonos da actualidade. Para os curiosos que desconhecem o trabalho do mágico Ondjaki, sugiro que experimentem Uma Escuridão Bonita, vão adorar!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

19
Jan17

OPINIÃO | A Luz Entre Oceanos

6tag_190117-092552.jpg 

Título: A Luz Entre Oceanos

Autor: M.L. Stedman

Ano da primeira publicação: 2012

Editora: Editorial Presença

 

 

A Luz entre Oceanos foi a minha primeira leitura bipolar do ano! Passo a explicar.

 

A acção de A Luz entre Oceanos decorre em 1926 e foca-se na vida do casal Sherbourne. Tom Sherbourne é o faroleiro de Janus Rock, uma ilha ao largo da costa oeste australiana, onde vive isolado com a sua mulher Isabel Sherbourne. Inicialmente a autora dá-nos a conhecer a vida das duas personagens antes de se conhecerem, mas a maior parte dos acontecimentos relatados ocorreram após o casamento dos dois, e em particular após Tom e Isabel irem viver para a ilha.

À medida que o tempo passa (e as páginas também), a solidão e infelicidade vão-se apoderando do casal, que continuam a tentar ter um filho e a visitar o continente muito esporadicamente. É por esta altura que chegamos ao ponto de viragem, quando um pequeno barco chega a Janus Rock.

 

Achei esta primeira parte do livro, até à chegada do barco à ilha, um pouco entediante, sabia que algo estava para acontecer mas nunca mais chegava à página do acontecimento! Quando aconteceu foi a euforia, não queria parar de ler. Algumas páginas à frente entrei novamente numa fase aborrecida e sem grande interesse. E depois a euforia novamente! E entretanto chegamos ao final, que eu não vou revelar se foi de aborrecimento ou euforia.

 

Há qualquer coisa na escrita da autora que dificultou a leitura e a minha percepção. Não tenho aversão a passagens demasiado descritivas, desde que tenham fundamento e o autor consiga manter-nos focado nas suas palavras, este tipo de passagens é a cereja no topo do bolo. Neste caso parece-me que foi aí que a autora não esteve tão bem, e foi esse o motivo que me fez perder o interesse e até sentir aborrecimento em alguns momentos.

 

Gostei dos temas que a autora abordou e da forma como leva o leitor a reflectir acerca do comportamento humano, do amor genuíno, dos laços que criamos com os outros e da dor de perder alguém. Este ponto juntamente com a construção das personagens são para mim os pontos fortes da obra e os motivos que me levam a afirmar que gostei muito desta leitura (ainda que bipolar).

 

O livro deu origem a um filme que estreou recentemente em Portugal. Já ouvi dizer que é um dos poucos casos em que o filme consegue ultrapassar o livro. Assim que vir o filme partilho a minha opinião, até lá podem sempre passar os olhos pelo livro.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

17
Jan17

OPINIÃO | A Partir de Uma História Verdadeira

6tag_170117-092605.jpg 

Título: A Partir de Uma História Verdadeira

Autor: Delphine de Vigan

Ano de publicação: 2016

Editora: Quetzal Editores

 

A Partir de Uma História Verdadeira relata uma fase particularmente difícil da vida de Delphine, a personagem principal. Delphine é escritora e a partir do momento em que conhece L. deixa progressivamente de conseguir escrever. Tive alguma dificuldade em escrever sobre este livro, talvez por estar um pouco irritada com o comportamento de Delphine, mas principalmente por esperar um final diferente, ou devo antes dizer mais completo.  

 

Este é aquele tipo de livro onde a ficção se mistura com a realidade, não fosse Delphine o nome da autora e da personagem principal. É um livro intenso, de auto-descoberta e que nos transporta para a mente de Delphine. Somos levados a questionar e reflectir acerca da identidade das personagens, da sua ingenuidade e até da forma como o medo condiciona a nossa vida. Não sendo uma história com muita acção nem com grandes reviravoltas, acabou por se revelar uma leitura intensa, e a verdade é que devorei o livro em pouco tempo.

 

Foi o primeiro livro que li da autora Delphine de Vigan, penso até que este é o único livro publicado em Portugal, não fazendo a mais pequena ideia do que ia encontrar. Também não procurei opiniões sobre o livro, pelo que parti para esta leitura sem grandes expectativas. Acabei por ser surpreendida pela escrita delicada da autora, simples mas deliciosa.

 

Recomendo esta leitura aos apreciadores de romance psicológicos. Delphine de Vigan é uma autora para manter debaixo de olho!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Facebook

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parcerias

WOOK - www.wook.pt

A Ler


goodreads.com

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D