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Claro como a água

Claro como a água

08
Ago16

OPINIÃO | Jesusalém

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Título: Jesusalém

Autor: Mia Couto

Ano de publicação: 2013

Editora: Caminho

 

"Em criança não nos despedimos dos lugares. Pensamos que voltamos sempre. Acreditamos que nunca é a última vez."


Há qualquer coisa na escrita de Mia Couto que nos embala. Em todos os livros do autor que li experimentei uma sensação espectacular, senti que o livro me aconchegava, como se tivesse braços e me envolvesse nele. É isto que a escrita poética do autor nos faz, fala-nos de dor, de mágoa e da morte, temáticas fortes que nos esmagam e nos fazem tremer, mas sabemos que o autor está lá para nos amparar. Quem já leu Mia Couto sabe certamente do que falo.

 

Em Jesusalém o autor retrata um sentimento de dor muito específico que toca a todo o ser humano, a dor de quem sofreu e não consegue esquecer. A narrativa que o autor constrói é soberba, muito devido às personagens e à escrita. Mia Couto consegue fascinar-nos com “pouco”, não há cá histórias fantásticas nem finais arrebatadores, há toda uma escrita maravilhosa aliada a personagens que nos tocam o coração. Temos um pai, Silvestre Vitalício, que acredita ter esquecido tudo, o filho Mwanito, um rapaz que tem "inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios" e que vive na mentira do pai, seu irmão mais velho Ntunzi, a portuguesa Marta que foi para África procurar o marido. Estas e outras personagens passam por aquele pedaço de terra abandonado em Moçambique.

 

"Eis a lição que aprendi em Jesusalém: a vida não foi feita para ser pouca e breve. E o mundo não foi feito para ter medida."

 

Mas há mais, Mia Couto transforma este romance num elogio às mulheres. Mas como se Jesusalém é uma terra habitada apenas por homens? Como se quase não encontramos personagens femininas nesta obra? É caso para dizer que a ausência de mulheres torna a sua presença ainda mais forte. Para saberem mais terão de ler.

 

Não é por acaso que este título faz parte da Colecção Essencial - Livros RTP, como também não é acidental que o livro tenha sido publicado em vários países e traduzido em diversas línguas. Deixem-se "acolher" por Jesusalém e pela prosa poética de Mia Couto, é impossível ficar indiferente.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

06
Fev16

CITAÇÃO | Provérbio Africano

Todas as manhãs a gazela acorda sabendo que tem que correr mais depressa do que o leão ou será morta. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deve correr mais rápido do que a gazela ou morrerá de fome. Não importa se és um leão ou uma gazela: quando o Sol nascer o melhor é começares a correr.

 

Provérbio Africano em As Confissões da Leoa de Mia Couto

 

04
Fev16

OPINIÃO | A Confissão da Leoa

A Confissão da Leoa

Título: A confissão da Leoa

Autor: Mia Couto

Ano de Publicação: 2012

Editora: Companhia das Letras

 

Em A Confissão da Leoa, Mia Couto guia-nos pela cultura e tradições africanas, com uma escrita absolutamente deliciosa. A história é contada por duas personagens: a mulher, de nome Mariamar, e o caçador Arcanjo Baleio. Os dois mostram-nos diferentes perspectivas da mesma história.

 

O tema mais óbvio da história seria a caça aos leões mas este livro é muito mais do que isso. O principal foco do autor é a mulher da sociedade moçambicana. Mia Couto escreveu A Confissão da Leoa como uma critica aos maus tratos sobre as mulheres moçambicanas e o papel secundário que lhes é atribuido. O autor conseguiu, de forma muito inteligente, que o leitor se focasse na guerra entre os homens e as mulheres, seja por abuso de poder, ou porque a educação e cultura africanas assim o indicam.

 

"Não era ao mar que eu queria que me levassem. Desejava apenas regressar ao colo da minha mãe e que ela me embalasse e eu voltasse a ser menina, Esse era o único mar que eu queria. Entendi então o motivo por que o padre Amoroso falava tanto do dilúvio final. Era isso que eu aspirava: uma inundação que varresse esse mundo. Este mundo que obrigava uma mulher como Hanifa a ter filhos, mas não a deixava ser mãe; que a obrigava a ter marido, mas não permitia que conhecesse o amor."

 

Tiro o chapéu à forma como o autor conseguiu abordar este tema nada fácil, com uma escrita muito bonita, mas a certo ponto achei que a história estava a ficar confusa. Acredito que a linguagem de Mia Couto também tenha contribuido para abrandar o ritmo da leitura e que tenha originado alguma confusão. Ainda assim foi uma leitura muito importante e que valeu a pena.

 

"Todas as manhãs a gazela acorda sabendo que tem que correr mais depressa do que o leão ou será morta. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deve correr mais rápido do que a gazela ou morrerá de fome. Não importa se és um leão ou uma gazela: quando o Sol nascer o melhor é começares a correr."

 

Este foi o primeiro livro de Mia Couto que li e fiquei maravilhada com a sua escrita. Sem dúvida que foi uma bela surpresa e irei ler mais obras do autor.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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