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Claro como a água

Claro como a água

23
Ago16

OPINIÃO | O Amante

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Título: O Amante

Autor: Marguerite Duras

Ano da primeira publicação: 1984

Editora: Biblioteca Sábado

 

Nota sobre esta edição: Acho que iam caindo os olhos a um senhor (já com alguma idade) quando viu a capa do livro que eu estava a ler, sejamos sinceros, esta capa é bastante ousada.

 

O Amante foi o primeiro livro de Marguerite Duras que li, já tinha a autora na lista mas foi após ler o que a Sara escreveu neste post magnífico sobre a escrita no feminino, que decidi antecipar a leitura.

 

Pelo que li sobre Marguerite Duras, percebi que a história deste romance tem muitos paralelismos com a vida da autora, não sendo, no entanto, nítida a fronteira entre a realidade e a ficção.

 

 

"Nas histórias dos meus livros que se referem à minha infância, não sei mais o que evitei dizer, o que disse, acho que falei sobre o amor que dedicamos a nossa mãe mas não sei se falei do ódio também e do amor que havia entre nós, e do ódio também, terrível, nessa história comum de ruína e de morte que era a história daquela família, a história do amor como a história do ódio e que foge ainda à minha compreensão, é ainda inacessível para mim, escondida nas profundezas da minha carne, cega como um recém-nascido de um dia. É o limiar onde começa o silêncio. O que acontece é justamente o silêncio, esse lento trabalho de toda a minha vida. Ainda estou lá, na frente daquelas crianças possessas, à mesma distância do mistério. Jamais escrevi, acreditando escrever, jamais amei, acreditando amar, jamais fiz coisa alguma que não fosse esperar diante da porta fechada."

 

É na Indochina, colónia francesa, que nasce uma relação (talvez paixão) entre uma jovem francesa de 15 anos, pobre e um homem chinês de 27 anos, rico. Esta relação, bastante controversa tanto a nível social como racial, é nos relatada pela autora de uma forma muito íntima, inquieta e sem qualquer pudor.

 

A escrita não é em nada semelhante ao que leio habitualmente, é directa, com recurso a frases curtas mas é bonita. No início da leitura foi um pouco complicado habituar-me à escrita, aconteceu ter de reler algumas passagens por a leitura não estar a fluir, mas aos poucos fui ficando mais à vontade.

 

Deixei passar vários dias após ter terminado a leitura e até começar a escrever este post porque não conseguia perceber ao certo o que sentia acerca desta história. Mesmo após alguns dias de reflexão, ainda não consegui arrumar as ideias mas uma coisa é certa, não percebo como é que só atribuí 3 estrelas ao livro. Durante a leitura não consegui apegar-me às personagens, creio que nem senti qualquer empatia com a jovem, gostei do final mas ainda assim senti que as personagens e a história me eram indiferente. Agora que já passaram duas semanas continuo a precisar de identificar e organizar alguns sentimentos mas na minha cabeça está tudo muito claro. As personagens que pensava não me terem marcado, afinal ficaram na memória, a história ficou e ainda mexe comigo. Será isto um sinal de que Marguerite Duras é uma escrita excepcional?

 

Apesar de toda esta indefinição, posso afirmar com certeza que este livro é muito mais do que aparenta e também que vou ter de reler O Amante daqui a uns tempos.

 

(Obrigada pela recomendação, Sara!)

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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