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Claro como a água

Claro como a água

01
Nov16

CITAÇÃO | Tempo para ler

A vida é um perpétuo entrave à leitura. (...) O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Como aliás o tempo para escrever, ou para amar).

Roubado a quê? Digamos que ao dever de viver. É sem dúvida por essa razão que o metropolitano - símbolo tranquilo do referido dever - é a maior biblioteca do mundo.

Tanto o tempo para ler como o tempo para amar dilatam o tempo de viver. Se encarássemos o amor pela perspectiva do emprego do tempo, o que sucederia? Quem tem tempo para estar apaixonado? No entanto, alguma vez se viu um apaixonado não ter tempo para amar? Nunca tive tempo para ler, mas nada, nunca, me impediu de acabar um romance de que gostava. A leitura não resulta da organização do tempo social, ela é como o amor, uma maneira de ser.

 

em Como um Romance de Daniel Pennac

15
Set16

Afinal não é só sensibilidade e empatia

 

 

Being a Highly Sensitive Person (HSP) is a lot more complicated than people think.:

imagem vista aqui 

 

Já sabia que sensibilidade e empatia é comigo, tenho o dom de originar um brilhozinho nos olhos por tudo e por nada. Como eu haverá muita gente e isso não me surpreende, o que desconhecia e me está a fazer muita confusão é que as pessoas mais sensíveis têm muito mais em comum do que lágrimas e lenços de papel!

 

Segundo um artigo que li aqui, parece que são vários os aspectos e atitudes que as pessoas mais sensíveis não entendem/toleram. Ei-los:

 

1. Conter as emoções é algo que não faz sentido.

Para além de que é bastante complicado. Não interessa se estão felizes, tristes, nervosos ou ansiosos, se for demasiada emoção então é certo que acaba em choro, é incontrolável.

 

2. Produzir um som irritante tira-os do sério.

Como por exemplo, bater com a caneta, estalar os ossos, fazer barulho ao engolir.

 

3. Má educação é intolerável.

Pessoas mais sensíveis têm tendência a reparar em pequenas faltas de educação, como por exemplo bocejar e fazer barulho ou um espreguiçar ruidoso.

 

4. Filmes de terror não são nada divertidos.

Leva-os ao desespero.

 

5. Críticas construtivas, ainda que possam ser bastante lógicas, causam demasiado stress. 

Mas não são necessariamente ignoradas.

 

6. Tomar decisões pode tornar-se bastante difícil.

Não interessa se é para escolher o que comer ou que casa comprar. Na minha cabeça antevejo dezenas de cenários caóticos qualquer que seja o caminho a seguir.

 

7. Aulas em grupo não são muito apreciadas.

 

 

Estranhamente identifico-me com esta lista, excepto com o último ponto. Não percebo nada de psicologia e talvez por isso ache este artigo demasiado assustador. Será esta relação assim tão óbvia?

 

Sei que vários leitores acusam a sensibilidade e empatia de que falei, também me apercebi de que as pessoas sensíveis que conheço gostam de ler, mas será que se identificam com estes pontos? Se sim, e por dedução lógica, podemos acrescentar o ponto 8 - Não entendem como é que alguém pode não gostar de ler. O que vos parece?

01
Ago16

É segunda-feira e eu não estou de férias, o que estão a ler?

É segunda-feira, é também o primeiro dia de Agosto, está sol e calor e eu estou fechada no escritório. Apesar de tudo, não sei se me custa mais a privação deste bom tempo ou dos meus livros.

 

Vou a meio de Jesusalém de Mia Couto. O livro está dividido em quatro partes que o autor denomina de "livros". Neste momento estou no início da parte 2 e estou a sentir alguma dificuldade em relacionar a parte 2 com a parte 1. Mas, a escrita de Mia Couto é sempre magnífica.

 Jesusalém

 

Durante o fim-de-semana resolve pegar em O Último Livro de Zoran Živković, vou sensivelmente a meio. Já muito li acerca deste autor e dos seus livros, tinha elevadas expectativas principalmente ao nível da escrita. Mas, este livro está a revelar-se uma decepção, desde a escrita às personagens, nada me agrada.

 

O último livro

 

E por estar desiludida com a leitura anterior resolvi pegar no primeiro volume da trilogia Wayward Pines. Não podia ter escolhido melhor. Comecei hoje e por isso ainda só li o primeiro capítulo. É mesmo viciante, tivesse mais tempo e de certeza que o terminava hoje!

 

Pines (Wayward Pines, #1)

 

Para além destes continuo com O Livro do Desassossego de Fernando Pessoa e o Roteiro do Céu de Guilherme de Almeida.

 

Como vão as vossas leituras? Tenho a certeza que há por aí muito boa gente de férias a causar inveja aos desgraçados que estão a trabalhar esta semana.

 

Boa semana e boas leituras!

27
Jul16

Desabafo de uma leitora (um pouco maluquinha)

Para me salvaguardar deixem que vos diga que NÃO sou uma pessoa consumista nem interesseira e também NÃO sou uma ingrata, nem quero que este post se transforme numa reclamação. Sou apenas uma APAIXONADA POR LIVROS que se indigna facilmente.

 

Agora que já fiz os possíveis para vos manter por aqui, passo a expor o tema que muito me tem inquietado. 

 

Não faço questão de receber presentes no meu aniversário, é claro que gosto de os receber (quem não?) e a verdade é que todos os anos recebo um ou outro presente de familiares e amigos mais próximos. Mas, porque tudo na vida envolve uma ou várias conjunções adversativas, muito raramente me oferecem um livro. Sempre estranhei que assim fosse porque todas as pessoas à minha volta sabem que gosto de ler e que leio com regularidade. 

Quando me perguntavam o que queria receber eu respondia que um livro seria o ideal, muitas vezes até indicava um livro específico. A reacção à minha sugestão era algo do género: "Ohh, um livro? Não era bem isso que te queria dar", ou então: "Outro? Já tens tantos" ou ainda "Mas não há mais nada de que precises?".

 

Nem é bem o facto de não receber livros que me incomoda, não quero sequer que vos pareça que sou ingrata e fútil, (in)felizmente vocês não me conhecem e estes meus familiares e amigos mais próximos não estão a ler este post (e se estão talvez deixem de me oferecer presentes). O que me indigna seriamente é que estas pessoas de quem gosto muito, e muitas outras por este Portugal fora, não percebem que um livro não é SÓ um livro, livros nunca são demais e o mais importante, os livros ajudam-nos a sonhar e fazem de nós melhores seres humanos.

 

Pensar em como me tenho transformado desde que comecei a ler regularmente é assustadoramente fantástico:

- Tornei-me mais empática e humana

- Passei a conseguir ter vários pontos de vista

- Tornei-me melhor comunicadora

- Expandi o meu vocabulário

- Passei a ter uma visão diferente da sociedade, sou mais crítica e também mais compreensiva

- A minha imaginação ganhou asas, sou mais sonhadora

- Sou mais feliz

 

Ler um livro é como sonhar de olhos abertos, é sentir que a realidade à nossa volta desapareceu, já não estamos lá, é deixar que o livro nos envolva, é dar vida àquelas personagens, é estarmos felizes por elas, ficar tristes com elas. Bem vistas as coisas, enquanto lemos um livro sentimo-nos livres, despreocupados e felizes, como só um maluquinho consegue ser. Sim, ler um livro também é ser um bocadinho maluquinho. Parece exagero? Então é porque ainda não chegaram lá.

 

Desconfio que apenas os leitores regulares (aqueles leitores que têm sempre um livro na mesa de cabeceira, ainda que possam ler "apenas" 10 livros por ano) sabem o que é o prazer de ler um livro, acho também que só essas pessoas reconhecem verdadeiramente a importância que a leitura tem a nível intelectual e emocional. 

 

Ufaaa, este desabafo soube mesmo bem! Tenho a sensação de que muitos de vós partilham do desabafo.

 

P.S.: estou quase a fazer 25 anos (uma idade relativamente importante) talvez queiram repensar a vossa opinião sobre os livros, por favor?  

 

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