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Claro como a água

Claro como a água

24
Mai17

OPINIÃO | O Paraíso Segundo Lars D.

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Título: O Paraíso Segundo Lars D.

Autor: João Tordo

Ano da primeira publicação: 2015

Editora: Companhia das Letras 

 

Na minha última visita à biblioteca, tencionava requisitar um livro de Rosa Lobato Faria que descobri não estar disponível na altura. Lá decidi que, em alternativa, traria um outro livro escrito por um autor português. Foi assim que parti para o segundo volume da trilogia Lugares Sem Nome.

 

Se bem se recordam, O Luto de Elias Gro, o primeiro volume da trilogia, aqueceu-me o coração e acrescentou o nome João Tordo à lista de autores que quero continuar a ler. Com este segundo volume, O Paraíso Segundo Lars D., fiquei de rastos, no sentido menos bom da expressão.

Fui, inevitavelmente, levada a comparar os dois volumes e a diferença é notória. Senti, ou devo antes dizer que não senti, que falta sentimento, presente ao longo de todo o primeiro volume, e que tanto me deliciou. Mais estranho foi voltar a encontrar estas personagens e ficar com a sensação de que não eram as mesmas que tinha conhecido anteriormente 

 

Ainda assim, a escrita de João Tordo é suficientemente arrebatadora para atenuar o desagrado sentido. A solidão e a busca pelo sentido da existência, temáticas comuns às várias obras do autor, acabam sempre por resultar bem, ainda que umas vezes melhor do que outras.

Somos aqueles que chegaram antes de nós e partiremos com todos os que estiveram connosco.

 

Classificação no Goodreads: 3/5

29
Mar16

OPINIÃO | Biografia Involuntária dos Amantes

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Título: Biografia Involuntária dos Amantes

Autor: João Tordo

Ano de publicação: 2014

Editora: Alfaguara

 

Este foi o segundo livro de João Tordo que li, o primeiro foi O Luto de Elias Gro. Apesar de ter lido apenas dois livros do autor, noto uma certa tendência em criar personagens complexas envoltas em mistério.

 

Esta Biografia Involuntária dos Amantes é uma história triste sobre amor, amizade e obsessão, escrita ao estilo de João Tordo. Neste romance o autor dá-nos a conhecer um jovem professor universitário, cujo nome desconhecemos, divorciado e com uma relação complicada com a filha adolescente. É esta personagem que nos acompanha ao longo de toda a história e que busca encontrar sentido para a história de amor do amigo Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano, com quem desenvolve uma relação muito especial. 

 

"Acho que foi nesse instante que me senti apaixonado por Antónia. Num sentido puramente romântico: não a desejava; não a queria possuir como quisera possuir Débora, sem lhe ver o rosto e porque isso me permitia transgredir, perdendo-me e perdendo a noção de que transgredia. Senti que gostava de Antónia da mesma maneira que gostava de Saldaña Paris, ao intuir que tudo entre nós estava para lá da transgressão; que nada entre nós era refém do capricho ou do desejo."

 

Ainda que a história se desenrola principalmente em Espanha, gostei que o autor nos levasse a outros países como, por exemplo, Canadá, México e Portugal.

 

João Tordo escreve muito bem, a sua escrita bastante descritiva e envolvente prende-nos do início ao fim. Ao longo do livro encontramos alguns momentos muito especiais como estes que partilho convosco:

 

"Que é feito de ti?"
Encolhi os ombros. 
"Nunca mais me vi. Se me encontrares, avisa-me."
"As pessoas perdem-se."
"É verdade."
Sorri.

 

"A melancolia é impossível de combater porque, a partir do momento em que nos aventuramos no mundo, teremos sempre saudades de tudo. De tudo. Do que fizemos e do que não fizemos, de quem se cruzou no nosso caminho e de quem jamais conseguiremos encontrar."

 

Apesar de todos os pontos positivos que já referi, tenho de confessar que esta leitura ficou aquém das minhas expectativas, não só pelo enredo mas também pela escrita. Não encontrei nesta obra passagens tão maravilhosas (nem com tanta frequência) como em O Luto de Elias Gro, nem consegui ligar-me às personagens da mesma forma. Reconheço que parte desta desilusão possa dever-se à elevada expectativa que tinha.

Acho que foi esta ligeira desilusão que me leva a classificar esta obra com quatro estrelas. No entanto foi uma leitura muito agradável e que aguçou o apetite para ler outras obras de João Tordo, um dos melhores autores portugueses da actualidade.

 

Classificação no Goodreads:4/5

29
Dez15

OPINIÃO | O Luto Elias Gro

O Luto de Elias Gro

 

Título: O Luto de Elias Gro

Autor: João Tordo

Ano de Publicação: 2015

Editora: Companhia das Letras

 

Foi o primeiro livro que li do autor João Tordo e não será com certeza o último.

Nesta obra vivemos várias histórias: a do protagonista, cujo nome não é revelado, o presente e o passado de Elias Gro na pequena ilha e ainda a misteriosa personagem que é o escritor Lars Drosler.

O novo habitante da ilha, o protagonista sem nome, passa a habitar o farol abandonado e tem por companhia o livro História Universal da Infâmia de Jorge Luís Borges, a bebida e aos poucos também a companhia de Cecília, a filha de Elias Gro. É Cecilia a única pessoa que o vai conseguindo despertar.

A narrativa de João Tordo toca-nos o coração e a alma, chega-nos onde a maioria dos escritores não consegue chegar. Fala-nos na perda, no sentimento de impotência e vazio que o ser humano experimenta. João Tordo é sem dúvida um autor que pretendo seguir.

 

Citações Preferidas:

"Sei agora o que nunca soube – que o amor encontra o seu estado mais puro quando julgamos que o fim chegou."

 

"Parece que o lugar onde estamos nunca é suficientemente agradável. Deixa-me ver se acolá se está melhor. E, quando lá chegamos, percebemos afinal que a vida também estava a acontecer onde estávamos. Mas agora já estamos acolá e não podemos regressar, porque a vida também acontece acolá."

 

Classificação no Goodreads: 5/5

 

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