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Claro como a água

Claro como a água

30
Dez16

A literatura e o feminismo (ou a questão da igualdade de géneros, para os mais sensíveis)

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Fe·mi·nis·mo

Movimento ideológico que preconiza a ampliação legal dos direitos civis e políticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem. Fonte: priberam
 
O termo feminismo faz parte do vocabulário quotidiano, apesar da luta ter tido início há muitos anos. Não é mais do que uma crença de que homens e mulheres devem ter direitos e oportunidades iguais perante a lei e a sociedade. O termo feminismo é, no entanto, muitas vezes mal conotado e confundido com ódio, agressividade, oposição e inversão de poder, quando é na realidade um sinónimo de liberdade.
 
Desde muito cedo que me interesso pela temática da (des)igualdade de oportunidades e direitos entre homens e mulheres e isso reflecte-se inevitavelmente nas minhas preferências literárias. Já li vários livros que fazem referência ao tema da desigualdade de géneros mas hoje quero apenas falar-vos de livros que se focam (quase) exclusivamente no tema.
 
A minha primeira vez foi com Virginia Woolf em Um Quarto Só Para Si (1929) que, apesar de ser um ensaio e contrariamente às minhas expectativas, é um livro muito acessível e fácil de ler. Neste ensaio Virginia foca-se principalmente no acesso das mulheres à educação e na escrita feminina. Deixo-vos um dos excertos de que mais gostei:
 

VW.png

A mulher guia como um farol as obras de todos os poetas desde o início dos tempos. Se as mulheres não tivessem outra existência que não na ficção escrita pelos homens, na verdade, alguém até poderia pensar que seria uma pessoa da mais alta importância, bastante variada, heróica e desprezível, esplêndida e sórdida, bela e discreta ao máximo, tão grande quanto os homens, alguns diriam até maiores. Mas estas são as mulheres na ficção. Na realidade, como o Professor Trevelyan disse, as mulheres são trancadas, abusadas e atiradas para os cantos dos quartos. Assim se formula um ser bem excêntrico e multifacetado. Teoricamente a mulher exerce a maior importância, na prática a mulher é completamente insignificante. Aparece nas capas dos livro, é tudo, mas é inexistente na história. Manda na vida de reis e conquistadores na ficção, na realidade ela é a escrava do homem com quem foi obrigada a casar. Algumas das palavras mais inspiradas e dos pensamentos mais profundos da literatura saíram dos seus lábios, na vida real ela mal pode ler ou soletrar e é propriedade do marido.
 
Seguiu-se Sejamos todos feministas (2012) de Chimamanda Ngozi Adichie, também um ensaio mas adaptado de um TED Talk. Esta é a minha sugestão para quem ainda tem dúvidas sobre o que significa ser feminista, mas também para quem pretende explorar um pouco mais o conceito. Vou levantar uma pontinha do véu:
 

Chimanda.png

Ensinamos as meninas a sentir vergonha: fecha as pernas, olha o decote. Nós fazemo-las sentir vergonha da condição feminina, elas já nascem culpadas. Elas crescem e transformam-se em mulheres que não podem exprimir os seus desejos. Elas calam-se, não podem dizer o que realmente pensam, fazem do fingimento uma arte.

 

A mais recente leitura nesta temática foi A Cor Púrpura (1982) de Alice Walker, um romance que se foca principalmente no racismo mas também no machismo e violência contra as mulheres. É um livro bastante pesado e uma leitura difícil de esquecer. Deixo-vos também uma passagem do romance:

A Cor Púrpura

Uma rapariga por si mesma não é nada, só quando tem marido é que se torna em qualquer coisa.
Torna-se em quê? perguntei.
Ora, disse ela, na mãe dos seus filhos.
 
Vou continuar com Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie e O Despertar de Kate Chopin, não estou certa sobre a forma como abordam o tema mas segundo as minhas pesquisas ele está lá. Tenho ambos na estante a aguardar vez. Da lista fazem parte outras obras como A História de Uma Serva de Margaret Atwood, A Câmpanula de Vidro de Sylvia Plath, Bad Feminist de Roxane Gay e Gender Trouble de Judith Butler, os dois últimos não têm tradução para português.
 
Já leram algum destes livros? Quais recomendam?

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