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Claro como a água

Claro como a água

22
Ago16

25 anos em livros

 :

 

25 anos, aparência de 15, 1 cabelo branco e uma pitada de maluquice por cada aniversário que celebro. Parabéns para mim!

 

Antes que fujam todos deixo o aviso: prometo controlar a parvoíce até ao final do post

 

Quando penso nos livros que marcaram os meus anos de leitora, tenho tendência em lembrar-me apenas dos que li recentemente. Se fizer um esforço e procurar nos confins do meu cérebro, encontro vários livros que marcaram a minha infância e adolescência, livros de que já não falo há muito tempo mas que ficaram, seja porque lhes tenho carinho, por os ter adorado ou porque foram traumatizantes.

 

Acho que poderia fazer um post deste género até ao meu 50º aniversário, não teria qualquer problema em encontrar 50 livros que me marcaram, mas por enquanto são "só" 25 e estes são os meus 25:

 

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Breves notas e conclusões sobre este exercício:

 

  • Todos os leitores sabem que os gostos mudam e são condicionados pelos livros que lemos. Reconheço que o meu percurso enquanto leitura foi especialmente marcado por três autores que associo a períodos de mudança e crescimento: José Saramago aos meus 14/15 anos, Harper Lee  aos 20 e Fiódor Dostoievski aos 24.

 

  • Foi Alice Vieira quem me abriu as portas para o mundo da leitura. Recomendo os seus livros a todos, em particular às crianças.

 

  • Ainda que não tenha sido uma adolescente problemática e complicada (mãe, confirma por favor), o meu eu pré-adolescente devia ser algo masoquista e ter pensamentos macabros, foi por essa altura que li aqueles três livros traumatizantes lá em cima.

 

  • Durante alguns anos só li policiais, depois dediquei-me aos romances contemporâneos, voltei aos policiais, devorei thrillers psicológicos e agora não sei bem que tipo de livros leio, talvez não haja um nome para isto. Sei é que tendo a fugir a policias e romances lamechas.

 

Só agora percebo o quanto estes livros me marcaram, parte deles não me disseram muito na altura em que os li, mas a verdade é que ficaram. Não me tinha apercebido que ainda me lembro de pormenores sobre as histórias e características dos livros (lembro-me carinhosamente das personagens de Rosa minha irmã Rosa como se as tivesse conhecido realmente quando tinha 9 anos, e isso é fascinante).

 

Como não há dois leitores iguais, digam-me quais os livros que mais vos marcaram e se se revêem nestas palavras  

 

Boas leituras!

14
Abr16

OPINIÃO | Vamos Comprar um Poeta

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Título: Vamos Comprar um Poeta

Autor: Afonso Cruz

Ano de publicação: 2016

Editora: Caminho

 

Nunca me foi fácil escrever sobre os livros de Afonso Cruz e acabo sempre por me repetir, após ter escrito sobre quatro dos seus livros torna-se mesmo inevitável.

 

Vamos Comprar um Poeta é a mais recente obra do escritor português Afonso Cruz. Chegou às livrarias esta semana e como já disse aqui, não resisti a comprá-lo.

 

Esta é uma história sobre uma sociedade imaginária onde todas as pessoas têm números em vez de nomes, tudo nas suas vidas é medido quantitativamente e com exactidão, desde as três gramas de manteiga para barrar o pão até aos mililitros de saliva partilhados nos afectos.

 

“Dizem que é bom transacionarmos afetos, liga as pessoas e gera uma espécie de lucro que, não sendo um lucro de qualidade, já que não é material e não é redutível a números ou dedutível nos impostos ou gerador de renda, há quem acredite – é uma questão de fé –, que pode trazer dividendos. O pai diz que são fantasmas, são coisas que não existem, matéria imaterial, mas há estudos que confirma a hipótese de haver benefício em depositar uns mililitros de saliva na maçã do rosto de outra pessoa, por mais estranho e grotesco que isso nos possa parecer.”

 

Nesta sociedade imaginária a cultura é vista como um disparate e uma inutilidade e os artistas são os "animais de estimação" das famílias. A narradora e protagonista desta história escolhe ter um Poeta por este ser mais barato e sujar menos do que um artista (pintor ou escultor). Ao longo de sensivelmente 80 páginas o autor conta-nos como se desenvolve a relação entre a nossa protagonista e o seu Poeta. 

 

É um livro muito pequenino em tamanho e que se lê demasiado rápido, mas é um livro de uma enorme importância. Mais do que uma história, Vamos Comprar um Poeta é uma crítica à forma como a cultura é vista pela sociedade. Através de passagens absolutamente magníficas, o autor leva o leitor a reflectir sobre a importância da poesia, da criatividade e da cultura nas nossas vidas. O posfácio da obra complementa a crítica feita ao longo da história, e dá-nos uma visão mais concreta sobre os argumentos do autor acerca da importância da cultura na sociedade.

 

Sou uma apaixonada pela escrita poética de Afonso Cruz, esta obra em particular encheu-me as medidas e entrou na minha lista de favoritos. Tenho muita vontade de partilhar convosco algumas das citações do livro mas não quero arruinar a experiência fantástica que este livro proporciona. Recomendo mesmo que leiam!

 

Classificação no Goodreads: 5/5

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