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Claro como a água

Claro como a água

01
Nov16

CITAÇÃO | Tempo para ler

A vida é um perpétuo entrave à leitura. (...) O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Como aliás o tempo para escrever, ou para amar).

Roubado a quê? Digamos que ao dever de viver. É sem dúvida por essa razão que o metropolitano - símbolo tranquilo do referido dever - é a maior biblioteca do mundo.

Tanto o tempo para ler como o tempo para amar dilatam o tempo de viver. Se encarássemos o amor pela perspectiva do emprego do tempo, o que sucederia? Quem tem tempo para estar apaixonado? No entanto, alguma vez se viu um apaixonado não ter tempo para amar? Nunca tive tempo para ler, mas nada, nunca, me impediu de acabar um romance de que gostava. A leitura não resulta da organização do tempo social, ela é como o amor, uma maneira de ser.

 

em Como um Romance de Daniel Pennac

05
Ago16

OPINIÃO | Como um Romance

WP_20160805_008.jpg 

Título: Como um Romance

Autor: Daniel Pennac

Ano da primeira publicação: 1992

Editora: Edições Asa

 

"O verbo ler não suporta o imperativo. É uma aversão que compartilha com outros: o verbo «amar»... o verbo «sonhar»..."

 

Um ensaio bri-lhan-te!

 

O autor Daniel Pennac descreve em Como um Romance não apenas os "direitos inalienáveis do leitor", mas reflecte também acerca da importância da cultura. Podem pensar que este tipo de ensaios é aborrecido e enfadonho, dá sono e vontade de fechar o livro, mas com Daniel Pennac isso não acontece. O autor conseguiu aliar a boa disposição a temáticas tão sérias e relevantes como são a importância da cultura e os hábitos de leitura dos "leitores" de hoje.

 

É um livro pequeno, baratinho e que se lê depressa, mas muito rico em conteúdo. Essencial para os pais que querem incutir hábitos de leitura aos filhos, útil para os professores que procuram transmitir a paixão pela leitura e um prazer enorme para os leitores, que vão certamente rever-se neste ensaio. Terminei este livro com vontade de ler mais e melhor, não que precisasse de motivação, mas motivação extra não faz mal a ninguém. Pelo menos enquanto não formos suficientemente corajosos (leia-se maluquinhos) para nos despedirmos, carregar os livros às costas e passear por este Mundo fora.

 

"- Nem sabe como o invejo, por ter tempo para ler!
Mas como se explica que aquela, que trabalha, vai às compras, educa os filhos, guia o carro, ama três homens, vai ao dentista, vai mudar de casa para a semana que vem, arranje tempo para ler, e este casto celibatário que vive de rendimentos não o consiga?
O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Como aliás o tempo para escrever, ou para amar.)
Roubado a quê?
Digamos que ao dever de viver."

Gostei particularmente das referências a autores e obras literárias ao longo de toda a obra. Bem, gostei de todas excepto de uma, não gostei nada nada nada que o autor tenha revelado o final de Guerra e Paz, se ainda não leram e têm interesse então aconselho que "saltem" parágrafos sempre que o autor referir a obra ou o Tolstoi.

 

Acho que delirei (mais do que uma vez) enquanto lia este ensaio, marquei muitas passagens, reli vários parágrafos, sorri sempre que reconhecia nas palavras do autor muitos dos meus pensamentos e vontades. Quando terminei só me apetecia abraçar o Daniel Pennac, poderíamos ser verdadeiros amigos.

 

Uma leitura obrigatória para TODOS!

 

Classificação no Goodreads: 5/5  

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