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Claro como a água

Claro como a água

30
Nov16

CITAÇÃO | Afonso Cruz

Se Tristan soubesse verbalizar as suas emoções, seria assim: Estou à espera de que a felicidade comece a crescer como os bebés no útero das mãos e que um dia nasça e chore e queira mamar e nós eduquemos a felicidade e a levemos à escola para que saiba ler as letras das nossas veias e fazer contas de multiplicar com a nossa saliva, estou à espera de um beijo daqueles que são dirigidos somente a uma pessoa, e não daqueles que se dão a pensar em alguém que está longe, estou à espera que o dia chegue ao fim e que não comece outro, porque os dias são uma chatice. Mas Tristan não saberia verbalizar as suas emoções, portanto:
- Ia comer primeiro.

 

em Nem Todas As Baleias Voam de Afonso Cruz

01
Nov16

CITAÇÃO | Tempo para ler

A vida é um perpétuo entrave à leitura. (...) O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Como aliás o tempo para escrever, ou para amar).

Roubado a quê? Digamos que ao dever de viver. É sem dúvida por essa razão que o metropolitano - símbolo tranquilo do referido dever - é a maior biblioteca do mundo.

Tanto o tempo para ler como o tempo para amar dilatam o tempo de viver. Se encarássemos o amor pela perspectiva do emprego do tempo, o que sucederia? Quem tem tempo para estar apaixonado? No entanto, alguma vez se viu um apaixonado não ter tempo para amar? Nunca tive tempo para ler, mas nada, nunca, me impediu de acabar um romance de que gostava. A leitura não resulta da organização do tempo social, ela é como o amor, uma maneira de ser.

 

em Como um Romance de Daniel Pennac

11
Ago16

CITAÇÃO | Pepetela

O amor é uma dialética cerrada de aproximação-repúdio, de ternura e imposição, senão cai-se na rotina, na mornez das relações e, portanto, na mediocridade. Detesto a mediocridade! Não há nada pior no homem que a falta de imaginação. É o mesmo no casal, é o mesmo na política. A vida é criação constante, morte e recriação, a rotina é exactamente o contrário da vida, é a hibernação.

 

em Mayombe de Pepetela

20
Jul16

CITAÇÃO | Ondjaki e as despedidas

Eu acho que nunca cheguei a dizer a ninguém, talvez só mesmo à Romina, mas na minha cabeça eu sempre escondia este pensamento: as despedidas têm cheiro. E não é cheiro bom tipo chá-de-caxinde, ou as plantas a darem ares duma primeira respiração na frescura da manhã, entre silêncios e cacimbos molhados. Não. Despedida tem cheiro de amizade cinzenta. Nem sei bem o que isso é, nem quero saber. Não gosto mesmo de despedidas.

 

em Os Da Minha Rua de Ondjaki

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