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Claro como a água

Claro como a água

06
Dez16

OPINIÃO | Nem todas as baleias voam

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Título: Nem todas as baleias voam

Autor: Afonso Cruz

Ano de publicação: 2016

Editora: Companhia das Letras

 

É ao ler livros como os de Afonso Cruz que reconheço o quão grata estou por viver neste século.

Sempre que leio um livro de Afonso Cruz fico com a sensação de que alguém me abriu o cérebro e limpou todo aquele lixo que dificulta a percepção de que a vida é muito mais simples e pura do que aparenta. Sempre que termino um livro de Afonso Cruz fico à espera do próximo. Qualquer livro que leia após ter lido um livro de Afonso Cruz sabe sempre a pouco.

 

Nem todas as baleias voam é um romance mais maduro do que os anteriores mas é igualmente delicioso. Tive algumas dificuldades em prender-me à história, talvez devido à temática (um pouco sombria). Achei a primeira parte do livro mais pesada, mas assim que o autor nos agarra não nos larga mais.

 

Conhecemos Erik Gould, um pianista apaixonado que coloca na sua obra toda a intensidade e sofrimento que caracteriza a sua paixão por Natasha. 

 

Há metades que funcionam. Por exemplo, as meias doses nos restaurantes. Mas há outras metades que são o maior desastre, como um cirurgião que interrompe a operação a meio. E eu, sem a Natasha.

 

Conhecemos Tristan, filho de Gould e Natasha, um rapaz que vive de mão dada com a morte e que por isso decide colocar dentro de uma caixa de sapatos todos os objectos realmente importantes e que quer guardar após a sua morte. Tristan tem a capacidade/virtude/infelicidade de dar forma às suas emoções, ainda que não as consiga verbalizar.

 

Se Tristan soubesse verbalizar as suas emoções, seria assim: Estou à espera de que a felicidade comece a crescer como os bebés no útero das mães e que um dia nasça e chore e queira mamar e nós eduquemos a felicidade e a levemos à escola para que saiba ler as letras das nossas veias e fazer contas de multiplicar com a nossa saliva, estou à espera de um beijo daqueles que são dirigidos somente a uma pessoa, e não daqueles que se dão a pensar em alguém que está longe, estou à espera que o dia chegue ao fim e que não comece outro, porque os dias são uma chatice. Mas Tristan não saberia verbalizar as suas emoções, portanto: ia comer primeiro.

 

Reencontramos Isaac Dresner, personagem presente em várias obras do autor, o homem que coxeava do pé direito porque a cabeça do seu melhor amigo caiu em cima da sua bota depois de levar um tiro de um soldado alemão. A quem interesse: Dresner é o homem que se esconde debaixo do balcão da loja de pássaros em A Boneca de Kokoschka.

 

Eram isso os fantasmas, restos das pessoas que amámos, e a nossa casa ficava assim, repleta de assombrações modernas e antigas, densas e subtis. Tínhamos um protocolo com a memória, tínhamos assinado, juntamente com a dádiva da vida, o compromisso de carregar os mortos no nosso corpo, nos móveis da casa, nas paredes e na luz esmaecida dos candeeiros de estanho e de cobre, e cumpríamos esse contrato com um rigor e uma ética absolutamente notáveis, a ponto de, tantas vezes, chorarmos sem qualquer razão aparente.

 

Se soubesse verbalizar as emoções que senti ao ler este livro este post seria bem mais rico, mas parece que Tristan e eu temos em comum essa dificuldade em verbalizar. Assim sendo acrescento apenas isto: leiam Nem todas as baleias voam, é imperativo!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

30
Nov16

CITAÇÃO | Afonso Cruz

Se Tristan soubesse verbalizar as suas emoções, seria assim: Estou à espera de que a felicidade comece a crescer como os bebés no útero das mãos e que um dia nasça e chore e queira mamar e nós eduquemos a felicidade e a levemos à escola para que saiba ler as letras das nossas veias e fazer contas de multiplicar com a nossa saliva, estou à espera de um beijo daqueles que são dirigidos somente a uma pessoa, e não daqueles que se dão a pensar em alguém que está longe, estou à espera que o dia chegue ao fim e que não comece outro, porque os dias são uma chatice. Mas Tristan não saberia verbalizar as suas emoções, portanto:
- Ia comer primeiro.

 

em Nem Todas As Baleias Voam de Afonso Cruz

27
Out16

DIVULGAÇÃO | Afonso Cruz

Wook.pt - Nem todas as Baleias Voam

 

Tenho andando um pouco ausente do blog e das redes sociais, mas continuo de olho nas livrarias online. Hoje vi que está a chegar o novo livro de Afonso Cruz, Nem Todas as Baleias Voam.

 

Já está em pré-venda aqui mas apenas estará disponível a partir de 9 de Novembro. Entusiasmados? Dêem uma olhada na sinopse:

 

Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. É neste pano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria.

 

11
Out16

OPINIÃO | Uma Dor Tão Desigual

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Título: Uma Dor Tão Desigual

Autor: Vários

Ano de publicação: 2016

Editora: Teorema 

 

Oito autores portugueses aceitaram o desafio de explorar as fronteiras múltiplas e ténues que definem a saúde psicológica, através de oito contos de estilos muito diferentes mas igualmente originais:

Síndrome de Diógenes de Afonso Cruz
A Outra Metade de Dulce Maria Cardoso 
Josef de Gonçalo M. Tavares 
Jaca de Joel Neto 
Chameada de Pássaros de Maria Teresa Horta
Jogo Honesto de Nuno Camarneiro
Da Impossibilidade de ser Livre de Patrícia Reis
Ela só tinha uma oportunidade de Richard Zimler

 

A temática por si só já seria suficiente para me seduzir mas aliada a um leque de fantásticos escritores, tornou-se irresistível!

Qualquer um dos contos é uma viagem alucinante e profunda ao mundo da psicologia, que nos leva a questionar a racionalidade do comportamento humano. Duas semanas após ter terminado a leitura ainda recordo os contos que mais me marcaram. A grande surpresa foi Gonçalo M. Tavares que conseguiu (finalmente) agradar-me, a sua personagem/conto "Josef" foi até um dos que mais gostei. Nuno Camarneiro e Richard Zimler foram duas estreias e igualmente surpreendentes, fica a certeza que irei explorar as suas obras.

 

Uma Dor Tão Desigual é o livro ideal para fugir à rotina, com uma premissa promissora e muito bem escrito, não há como não deliciar qualquer o leitor.

Classificação no Goodreads: 4/5

13
Jul16

CITAÇÃO | Afonso Cruz

Creio que numa relação, o beijo terá sempre de manter a densidade do primeiro, a história de uma vida, todos os pores-do-sol, todas as palavras murmuradas no escuro, toda a certeza do amor. Mas já não é assim. Agora sabem à loiça por lavar, à lâmpada que falta mudar. Toco os lábios dela e sabe-me à rotina, às finanças, ao barulho da máquina de lavar. Beijamo-nos como quem faz a cama.

 

em Flores de Afonso Cruz

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