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Claro como a água

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22
Abr16

OPINIÃO | Os Enamoramentos

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  Título: Os Enamoramentos

Autor: Javier Marías

Ano da primeira publicação: 2011

Editora: Alfaguara

 

O meu primeiro contacto com o Javier Marías foi com a obra Coração tão Branco. Gostei muito da escrita, decidi que tinha de ler mais e como tinha Os Enamoramentos na estante, foi o que se seguiu. Esta edição limitada da Alfaguara foi-me oferecida recentemente, é uma edição de capa dura e com dimensões semelhantes às de um livro de bolso, muito jeitosinha!

 

Não me apaixonei por Os Enamoramentos como havia acontecido com Coração tão Branco mas ainda assim gostei bastante desta leitura e agora posso dizer que não foi sorte, Javier Marías é mesmo um grande escritor! O que mais gosto na sua escrita é a forma como o autor aborda assuntos que à partida não teriam grande importância, pequenas coisas sobre as quais ninguém escreve. Javier Marías tem a capacidade de escrever páginas e páginas sobre tudo e sobre nada, tendo preferência em dissertar sobre a morte e sobre o amor/paixão, e desta forma proporcionar ao leitor muitos momentos de reflexão.

Identifico muitas semelhanças entre estas duas obras do autor, desde a referência e dissertação acerca da morte e do sentimento de perda, bem com a alusão a Macbeth de Shakespeare e aos Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas.

 

Se a escrita do autor é um dos seus pontos fortes, é também onde mais peca. Tal como já havia dito, a escrita de Javier não é dinâmica, não flui facilmente, daí que ache que os seus livros não são fáceis de ler e que requeiram alguma atenção e persistência. Senti-me tentada por diversas vezes a saltar alguns parágrafos, por sentir que o autor se estava a repetir e a divagar demasiado, mas tentei ao máximo não o fazer. 

 

O livro é narrado na primeira pessoa por uma mulher de nome Maria Dolz. Todos os dias Maria vai tomar o pequeno-almoço ao mesmo sítio, é lá que diariamente encontra um casal que apelida de “casal perfeito”. Maria desenvolve um fascínio por aquelas pessoas, pela forma como interagem e pela felicidade e paixão que irradiam, chega mesmo a imaginar como serão as suas vidas. Por esta altura comecei a pensar que a história iria ser semelhante à de A Rapariga no Comboio, também aqui há um ponto de viragem quando o casal perfeito deixa de aparecer no café, mas felizmente enganei-me. A partir dessa altura, a cada página virada temos um acontecimento surpreendente, e a história culmina num final que me deixou sem palavras.

 

Nada mais contarei sobre o enredo mas tenho de partilhar uma das passagens de que mais gostei. É acerca do amor e do enamoramento, pois é sobre isso mesmo de que fala o livro:

 

"O enamoramento. O substantivo, o conceito; o adjectivo, o estado, que esse é mais conhecido, pelo menos o francês tem-no e o inglês não, mas esforça-se e aproxima-se... Achamos graça a muitas pessoas, divertem-nos, encantam-nos, inspiram-nos afecto e até nos enternecem, ou agradam-nos, arrebatam-nos, até nos enlouquecem momentaneamente, desfrutamos do seu corpo ou da sua companhia ou de ambas as coisas, como me acontece contigo e aconteceu outras vezes, umas poucas. Algumas até se nos tornam imprescindíveis, a força do costume é imensa e acaba por suprir quase tudo, ou mesmo por o suplantar. Pode suplantar o amor, por exemplo; mas não o enamoramento, convém distinguir entre os dois, embora se confundam não são a mesma coisa... O que é muito estranho é sentir um fraco, uma verdadeira fraqueza por alguém, e que no-la produza, que nos torne fracos. É isso o determinante, que nos impeça de ser objectivos e nos desarme para sempre e que faça que nos rendamos em todos os pleitos."

 

Tal como já havia dito, não acho que este livro seja para todo o tipo de leitores, se gostarem de frases longas, muita divagação e uma leitura lenta, então aconselho que leiam Os Enamoramentos, caso contrário podem não desfrutar da obra por inteiro.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

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