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Claro como a água

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15
Jul16

OPINIÃO | O Livro das Coisas Perdidas

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Título: O Livro das Coisas Perdidas

Autor: John Connolly

Ano da publicação: 2010

Editora: Bertrand 

 

Este foi provavelmente o livro mais estranho que já li. Confesso que, embora não soubesse bem ao que ia, não tinha grandes expectativas em relação a esta obra. Tinha uma ideia pré-concebida, mas errada, acerca do que me esperava. A primeira surpresa foi perceber que este não é um livro juvenil, nem entendo como é que faz parte do PNL para o 3º ciclo, é demasiado profundo e contém cenas demasiado violentas para serem lidas por crianças de 12/14 anos. A segunda surpresa deu-se quando me deparei com versões alternativas (e muito peculiares) de fábulas, como por exemplo A Branca de Neve e os Sete Anões, Capuchinho Vermelho e A Bela Adormecida. A maior surpresa foi mesmo quando percebi que este livro é ele próprio uma fábula.

 

Quando era mais nova acreditava que existia um mundo mágico numa outra realidade paralela à nossa, estou certa de que muitos de vós também já pensaram o mesmo pelo menos uma vez, era nessa realidade que eu acreditava viverem os príncipes e as princesas, os animais que falam, as fadas, os mágicos, os monstros e todas as outras personagens que também habitavam os meus livros. E se eu vos disser que esse mundo existe e está a umas páginas de distância?

 

Esta leitura fez-me regressar à infância, ainda que não seja um livro infantil, levou-me a um mundo mágico onde tudo o que podemos imaginar é real. Acaba por ser uma fábula infantil para adultos, será que isto faz algum sentido nas vossas cabeças?

 

Experimentei uma sensação diferente e difícil de descrever, mais do que uma nostalgia e um regresso à infância, a forma como o autor fala sobre a paixão pela leitura e a necessidade de ler derreteu-me, completamente. É fantástico, ternurento, aconchegante e diferente de tudo o que já li.

 

"As histórias queriam ser lidas (...) Precisavam disso. Era por isso que forçavam a passagem do seu mundo para o nosso. Queriam que as fizéssemos viver."

  

A escrita do autor é muito bonita e bastante descritiva, torna-se fácil visualizar todas as cenas. Encontrei passagens muito bonitas, daquelas que nos fazem mentalmente dizer “Ohhhh que bonito…” e que nos deixam com um sorriso nos lábios.

 

"As histórias tornavam-se vivas somente quando eram contadas. Não existiriam de fato no nosso mundo, se não houvessem pessoas para lê-las em voz alta... ficavam adormecidas, aguardando uma oportunidade para despertar... As histórias queriam ser lidas. Precisavam disso. Queriam que as fizéssemos viver." 

 

Gostei particularmente da forma como o livro está estruturado, os capítulos são curtos e têm títulos bastante sugestivos, é dos livros mais organizados que já encontrei. Outro aspecto de que gosto bastante é o título do livro, faz todo o sentido depois de o lerem.

 

Pensei em dar-vos umas pistas sobre a história deste livro, gostava de falar-vos sobre o David, o Lenhador, o Robert, os Loups e sobre a pequena Anne, mas optei por não o fazer. Já sabem que nem sinopses leio e muito dificilmente aceito que alguém me fale (demasiado) sobre um livro que ainda não tenha lido, e há muito se diz não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti. Deixem-se derreter totalmente, sem qualquer ideia pré-concebida, sem spoilers, apenas com a vossa imaginação, é mais do que suficiente.

 

(Repensei e já não são 4 estrelas, merece as 5!)

 

Classificação no Goodreads: 5/5

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