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Claro como a água

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02
Fev16

OPINIÃO | O filho de mil homens

O Filho de Mil Homens

Título: O filho de mil homens

Autor: Valter Hugo Mãe

Ano de Publicação: 2011

Editora: Alfaguara

 

Este é o segundo livro de Valter Hugo mãe que leio, fiquei de tal forma apaixonada pela sua escrita em A Máquina de Fazer Espanhóis que tinha vontade de ler tudo o que ele escreveu. 

Em O filho de mil homens, Valter Hugo Mãe apresentanos personagens fascinantes: Crisóstomo, um homem de 40 anos que sempre quis ter um filho, Isaura, uma mulher que nunca conheceu o verdadeiro amor, Antonino que nasceu diferente e sofre pelo desprezo da própria mãe. A vida destas três personagens tem mais em comum do que se julga, ao longo do livro percebemos de que modo as suas vidas se ligam e como se completam uns aos outros.

 

"Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo. Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas."

 

Este livro é sobre a felicidade e o amor, ou a forma como temos de ser felizes com o que temos e muitas vezes nem valorizamos, sobre a família, não apenas a que nos é dada mas aquela que escolhemos ser a nossa. O autor toca num ponto bastante sensível, a exclusão social daqueles que nascem diferente do que alguns definem como "normal". É preciso aceitar quem é diferente e ver beleza naquilo que é estranho, ser feliz nem que seja "apenas" por estar vivo.

 

"O Crisóstomo explicava que o amor era uma atitude. Uma predisposição natural para se ser a favor de outrem. É isso o amor. Uma predisposição natural para se favorecer alguém. Ser, sem sequer se pensar, por outra pessoa."

 

Embora aborde temas pesados, este é um livro de leitura muito fácil, com humor à mistura, que mostra de uma forma muito simples como é essencial aceitarmos o que somos e sermos felizes.

 

Tal como em A Máquina de Fazer Espanhóis, a escrita é simples e poética, com frases especiais cheias de significado e que queremos guardar para sempre.

 

"Todos nascemos filhos de mil pais e de mil mães, e a solidão é a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo. Como se os nossos mil pais e a nossas mil mães coincidissem em parte, como se fossemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros."

 

Este livro fez-me querer continuar a ler Valter Hugo Mãe, uma escrita simples sobre aquilo que realmente importa na vida.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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