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Claro como a água

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23
Abr16

OPINIÃO | Nunca se morre por inteiro

Nunca se morre por inteiro

 

Título: Nunca se morre por inteiro

Autor: Gonçalo S. Neves

Ano da primeira publicação: 2016

Editora: Capital Books

 

Tive conhecimento deste livro através do Goodreads, desconhecia a obra e o autor, talvez porque o Gonçalo S. Neves é um jovem escritor português e Nunca se morre por inteiro é a sua primeira obra.

 

Este livro é uma compilação de vários textos - histórias fictícias, crónicas, pensamentos e devaneios - que o autor foi escrevendo ao longo de cinco anos, entre 2011 e 2015. As temáticas abordadas ao longo dos textos são diversas mas nota-se um fascínio particular do autor em escrever sobre a morte e a vida, o ódio e a paixão.

 

Ao longo do livro encontramos vários tipos de texto, desde narrativas a poemas. Na minha opinião a escrita do Gonçalo é propícia a isso mesmo, a sua prosa-poética soa como música aos ouvidos do leitor, enquanto que a simplicidade e emoção que coloca na escrita tornam a leitura muito fluida. Encontrei frases lindíssimas ao longo dos textos, guardei algumas que quero partilhar aqui no blog.

 

Falando do livro em si, confesso que enquanto lia as primeiras páginas pensei que ia ser uma leitura monótona, pareceu-me que o autor se estava a repetir e temi perder o interesse. Leitores assíduos do blog sabem que demasiada paixão e amor não me prendem por aí além enquanto leitora. Também por isso fiz algumas pausas entre os textos, queria perceber até que ponto não estava a dar ao livro a atenção e o tempo que ele necessita. Foi após ter lido cerca de trinta páginas que percebi que este é um livro para ser saboreado aos poucos e não devorado numa tarde.

 

Alguns dos textos que compõem o livro são "pesados" no que toca a sentimentos, o autor disserta sobre temas muito interessantes e que mexem muito com o estado emocional do leitor, gosto particularmente da forma como escreve sobre a morte, encontrei até algumas semelhanças com Valter Hugo Mãe.

 

"O meu avô morreu. Podia ser só isto: morreu – acabou. Mas o que é certo é que nunca se morre por inteiro. Lá que o coração pare e o corpo se desfaça, as pessoas não morrem inteiramente. Para onde vão – não sei –, o que fazem – desconheço –, mas o que é certo é que nos continuam a assaltar em imagens intermitentes, roubando lágrimas, devolvendo sorrisos. Mesmo aquando da morte as pessoas continuam a existir em pequenas fracções de memória."

 

Os textos estão organizados cronologicamente sendo evidente a evolução na escrita do Gonçalo e mesmo no conteúdo dos textos. Para mim essa evolução é mais evidente a partir de 2013, notei mais maturidade e gostei particularmente que o autor tenha apresentado uma visão do Portugal do século XXI, recordo-me da referência ao envelhecimento da população e da comparação do poder de compra no tempo do escudo face ao dos dias de hoje.

 

Estes textos funcionaram como injecções de açúcar para o meu cérebro, senti várias vezes a necessidade de ler um pouco do livro. Ler um dos textos levava-me a reflectir sobre o seu conteúdo e de alguma forma o meu cérebro precisava dessa "ginástica".

 

Sem querer estragar a leitura a ninguém, partilho convosco duas passagens que guardei:

 

"Continuámos à conversa, falámos sobre a literatura e poesia. Foi a primeira pessoa que me disse que literatura e poesia são coisas diferentes. A literatura nasce na imaginação, a poesia dá para tocar - explicava - ou achas que são as palavras que rimam? Romeu e Julieta eram poesia muito antes de se tornarem literatura."

 

"Sempre achei que se fizesse rir uma rapariga, aumentava a probabilidade de ela se apaixonar por mim. Aos poucos percebi estar errado: fazer rir uma rapariga aumenta a probabilidade de eu me apaixonar por ela."

 

Certamente que gostaria muito de ler mais textos do Gonçalo S. Neves, vou estar atenta a futuras publicações. Recomendo muito esta leitura!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

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