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Claro como a água

Claro como a água

09
Fev16

OPINIÃO | Jesus Cristo bebia cerveja

Jesus Cristo Bebia Cerveja

Título: Jesus Cristo bebia cerveja

Autor: Afonso Cruz

Ano de Publicação: 2012

Editora: Companhia das Letras

 

 

Quando peguei neste livro já sabia o que me esperava, isto é Afonso Cruz, só poderia ser uma obra de arte. Este é o terceiro livro do autor que me passa pelas mãos e continuo apaixonada pela escrita, pelas personagens, pela criatividade e pelo elemento surpresa que são comuns às três obras que li.

 

"Lembra-te de que quando Deus fecha uma porta abre-nos um livro."

 

Custa-me sempre escrever sobre os livros de Afonso Cruz, as suas obras provocam em mim tantos sentimentos que as palavras fogem, a racionalidade desaparece e só me apetece voltar à primeira página e ler tudo de novo.

Pode parecer exagero mas, acreditem, não é. Afonso Cruz tornou-se no meu escritor preferido e só espero que continue a presentear-nos com estas obras fantásticas por muitos mais anos.

 

 

Jesus Cristo Bebia Cerveja é uma narrativa de personagens marcantes com o Alentejo como pano de fundo. Toda a ação decorre em volta de Rosa, uma rapariga do campo, com uma infância complicada, sem muitos estudos, uma leitora assídua que vive para cuidar da avó doente, Antónia. Rosa tem o hábito de chupar pedras para relembrar a dor do passado (a sério? quem é que se ia lembrar disto?).

Ao longo de todo o livro tive a sensação de que uma tragédia estava iminente. Não sei qual o sustento dessa sensação mas acredito que esteja relacionada com a completude da personagem Rosa. Afonso Cruz construiu, em todos os livros que li, personagens muito completas, faz-nos crer que as conhecemos há muito tempo. 

 

Nesta obra não há limites para a imaginação! Humor negro, ironia e uma história bonita cheia de frases especiais.

 

"Sabe, sargento, a loucura, quando dá a um grande número de pessoas, chama-se sociedade contemporânea. Quando dá a uma pessoa só, interna-se essa pessoa."

 

Vou ficar por aqui, não quero estragar a magia do livro a quem possa querer lê-lo. Acho que TODOS deveriam ler Afonso Cruz, se fosse possível impingi-lo acreditem que o faria. Deixo apenas alguns dos meus excertos preferido.

 

"Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos. Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo. Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade."

 

"- Trouxe bolinhos...

Ari levanta-se e sorri, pega em três ou quatro de uma vez e empurra-os para dentro da boca.

- Não sabem a canela.

- Estes não sabem.

- Não há bolos de canela que não sabem a canela.

- Claro que há. Tal como há pessoas velhas que morrem novas e há horas que passam em segundos e há sonhos que acontecem quando estamos acordados, há bolos de canela que não sabem a canela."

 

Classificação no Goodereads: 5/5

 

 

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