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Claro como a água

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11
Mai16

OPINIÃO | E Se Amanhã O Medo

E Se Amanhã O Medo

 

Título: E Se Amanhã O Medo

Autor: Ondjaki

Ano de publicação: 2005

Editora: Editorial Caminho

 

Livros de contos é algo que nunca despertou o meu interesse, apesar de ter alguns na estante nunca senti vontade de lhes pegar. Mas este é claramente um ano de descobertas e como tal tinha de ler um livro de contos de um autor que descobri este ano (e que já devem estar fartos de ouvir falar aqui no blog): Ondjaki! 

Gosto muito da escrita de Ondjaki! Não sei se é por as suas histórias serem narradas por crianças mas a escrita é muito leve e fresca, com uma grande dose de imaginação, quer ao nível das palavras, quer ao nível das histórias, as suas obras são deliciosas.

 

Ondjaki brinca com os nossos sentidos, pergunta pela impossibilidade e desaparece sem deixar resposta, todos os contos parecem inacabados não havendo uma ligação entre a realidade e o mundo imaginário do autor. No entanto, de alguma forma este livro não foi tão empolgante como os outros que li, penso que isso se deve à profundidade da obra. Sendo um livro de contos, alguns muito curtos, e não existindo a ingenuidade e o sentido de humor das outras obras que li, o livro torna-se mais pesado. No entanto, quero fazer uma ressalva: não sendo bem aquilo que esperava, é muito muito muito bom! 

 

Uma das características do autor é a capacidade de descrever sensações, em particular cheiros e sabores, já havia constatado isso nas outras duas obras que li. Em todos os contos, ainda que de formas diferentes, encontramos referência a pelo menos um dos sentidos:

 

"Vivia obcecado com a ideia de conhecer outros países, mais do que isso!, outras gentes, como se as suas veias fossem irrigadas por sensações movediças e volúveis ao empurrão do vento, nisso que era o seu prazer mais íntimo: observar os que chegavam, cheirar-lhes os cabelos, catalogar-lhes o sorriso segundo a proveniência, e, quase imperceptivelmente, fazê-los falar de coisas banais acontecidas do outro lado do mundo.”

 

Achei curioso que todos os contos estejam acompanhados de uma espécie de dedicatória, o meu preferido o "Candeeiros" é descrito pelo autor como sendo "palavras para Antoine Saint-Exupéry e para o Principezinho". Reparem na genialidade:

 

"Eu é que ponho luz nas noites, meto medo na escuridão, invento pirilampos na cidade (...) julgo ter sido poeta das luzes, escrevedor das velas, conhecedor das ceras escorridas, quer dizer, artífice das minúsculas luzes amarelas (...) e eu, quem me acendeu sempre, enquanto acendi estrelas aqui na terra? (...) todos os dias me despeço dos últimos candeeiros que ainda me acendem o coração."

 

Sendo um livro de contos, bem pequenino e muito bem escrito, é um livro muito fácil de ler e ideal para quem não tem muito tempo. Não sei se é preciso mais do que estas palavras para vos convencer a ler Ondjaki, deixem-se levar pela sua imaginação!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

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