Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Claro como a água

Claro como a água

19
Abr16

OPINIÃO | Bom Dia Camaradas

 

WmDev_635966157481753312.jpg

 Título: Bom Dia Camaradas

Autor: Ondjaki

Ano de publicação: 2003

Editora: Caminho

 

Após ter lido o meu primeiro livro do autor: Uma Escuridão Bonita, fiquei com muita vontade de ler algo mais sério. Este primeiro romance foi mesmo muito bom, mas foi demasiado curto. Decidi que tinha de experimentar rapidamente outra obra do autor.

 

Em Bom Dia Camaradas o autor traz de volta a infância dos anos 80 vivida num país em guerra e em profunda crise. É através dos olhos e das palavras de uma criança que nos é dada uma visão de Luanda e Angola, em particular sobre a cultura angolana, a opressão a que a sociedade está sujeita, o medo que habita em toda a população, a falta de comida e o clima de guerra vivido na altura. Ignorante como sou no que toca a história, fiquei boquiaberta com algumas das situações descritas no livro.

 

Se no primeiro livro que li, o autor não fazia uso do calão nem de expressões angolanas, em Bom Dia Camaradas dá-se precisamente o oposto. Achei absolutamente fascinante o uso deste tipo de expressões, como por exemplo  "camarada professora-foguete" e "ché-kingue", que ainda por cima proporcionam momentos bastantes divertidos e uma leitura com sotaque angolano. Algumas das expressões eram fáceis de deduzir, outras eram completamente incompreensíveis para mim, mas felizmente existe um glossário no final do livro ;)

 

A escrita poética que encontrei nesta obra era exactamente como esperava, embora Uma Escuridão Bonita seja um livro mais propício à escrita poética, o autor manteve o registo neste romance, tornando a sua leitura absolutamente maravilhosa. Gostei particularmente da forma como Ondjaki associa os sentidos à sua escrita, é constante comparar sentimentos a cheiros ou a sabores dos alimentos, algo que também já tinha encontrado na outra obra.

 

"Se, quando me acordavam, eu me lembrasse do prazer do matabicho assim de manhãzinha, eu acordava bem-disposto. Matabichar em Luanda, cuia! Há assim um fresquinho quase frio que dá vontade de beber leite com café e ficar à espera do cheiro da manhã. Às vezes mesmo com os meus pais na mesa, nós fazíamos um silêncio. Se calhar estávamos mesmo a cheirar a manhã, não sei, não sei."

 

E nem vos vou falar das personagens que o autor criou, desde o camarada António para quem faltam sempre 20 minutos para tudo, à tia Dada (que vive em Portugal) não esquecendo os professores cubanos, todos são muito bem caracterizados.

 

Tal como acontece em outros romances narrados por crianças, como por exemplo Mataram a Cotovia, apesar do ambiente de caos e opressão vivido no país, a infância é vista de uma perspectiva mágica e que deixa saudade. Ondjaki conseguiu passar-me a vontade de "matabichar" a cultura angolana, de tal forma que já andei a pesquisar outros autores (farei um post sobre isso em breve).

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Facebook

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parcerias

WOOK - www.wook.pt

A Ler


goodreads.com

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D