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Claro como a água

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29
Mar16

OPINIÃO | Biografia Involuntária dos Amantes

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Título: Biografia Involuntária dos Amantes

Autor: João Tordo

Ano de publicação: 2014

Editora: Alfaguara

 

Este foi o segundo livro de João Tordo que li, o primeiro foi O Luto de Elias Gro. Apesar de ter lido apenas dois livros do autor, noto uma certa tendência em criar personagens complexas envoltas em mistério.

 

Esta Biografia Involuntária dos Amantes é uma história triste sobre amor, amizade e obsessão, escrita ao estilo de João Tordo. Neste romance o autor dá-nos a conhecer um jovem professor universitário, cujo nome desconhecemos, divorciado e com uma relação complicada com a filha adolescente. É esta personagem que nos acompanha ao longo de toda a história e que busca encontrar sentido para a história de amor do amigo Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano, com quem desenvolve uma relação muito especial. 

 

"Acho que foi nesse instante que me senti apaixonado por Antónia. Num sentido puramente romântico: não a desejava; não a queria possuir como quisera possuir Débora, sem lhe ver o rosto e porque isso me permitia transgredir, perdendo-me e perdendo a noção de que transgredia. Senti que gostava de Antónia da mesma maneira que gostava de Saldaña Paris, ao intuir que tudo entre nós estava para lá da transgressão; que nada entre nós era refém do capricho ou do desejo."

 

Ainda que a história se desenrola principalmente em Espanha, gostei que o autor nos levasse a outros países como, por exemplo, Canadá, México e Portugal.

 

João Tordo escreve muito bem, a sua escrita bastante descritiva e envolvente prende-nos do início ao fim. Ao longo do livro encontramos alguns momentos muito especiais como estes que partilho convosco:

 

"Que é feito de ti?"
Encolhi os ombros. 
"Nunca mais me vi. Se me encontrares, avisa-me."
"As pessoas perdem-se."
"É verdade."
Sorri.

 

"A melancolia é impossível de combater porque, a partir do momento em que nos aventuramos no mundo, teremos sempre saudades de tudo. De tudo. Do que fizemos e do que não fizemos, de quem se cruzou no nosso caminho e de quem jamais conseguiremos encontrar."

 

Apesar de todos os pontos positivos que já referi, tenho de confessar que esta leitura ficou aquém das minhas expectativas, não só pelo enredo mas também pela escrita. Não encontrei nesta obra passagens tão maravilhosas (nem com tanta frequência) como em O Luto de Elias Gro, nem consegui ligar-me às personagens da mesma forma. Reconheço que parte desta desilusão possa dever-se à elevada expectativa que tinha.

Acho que foi esta ligeira desilusão que me leva a classificar esta obra com quatro estrelas. No entanto foi uma leitura muito agradável e que aguçou o apetite para ler outras obras de João Tordo, um dos melhores autores portugueses da actualidade.

 

Classificação no Goodreads:4/5

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