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Claro como a água

Claro como a água

16
Jan16

OPINIÃO | A Máquina de Fazer Espanhóis

A Máquina de Fazer Espanhóis

 

Título: A Máquina de Fazer Espanhóis

Autor: Valter Hugo Mãe

Ano de Publicação: 2010

Editora: Alfaguara

 

Este foi o primeiro livro que li escrito pelo autor Valter Hugo Mãe. Nesta obra o autor conta-nos a história do senhor António Silva, um octagenário que vai para um lar após a morte da sua mulher, Laura.

Valter Hugo Mãe tem uma escrita refinada e apaixonante, conseguimos criar a imagem que o autor descreve mas o que mais me espanta é a forma como consegue tocar o coração do leitor. 

 

"assim é o amor, uma estupidez intermitente mas universal. toca a todos."

 

Ao fim das primeiras 25 páginas, tive de fazer uma pausa na leitura para recuperar o folêgo, estava sem palavras, sem coragem para encarar a mágoa do senhor Silva após a morte da esposa Laura. Ela era o amor da vida dele, tinham partilhado mais de meio século das suas vidas, senti-me como se tabém eu tivesse perdido alguém. Deixo aqui uma das frases que melhor espelha o sentimento de perda do Senhor António Silva:

 

"com a morte, tudo que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder."

 

Esta revolta acompanha o senhor Silva durante grande parte do livro e é mais evidente quando chega ao Lar da Feliz Idade. Aí são nos apresentadas outras personagens como o Américo, o Silva da Europa, o Senhor Pereira, o Senhor Esteves sem Metafísica (do poema Tabacaria de Álvaro de Campos) e muitos outros. Apartir daí é nos apresentada a dimensão social do envelhecimento e da solidão.

  

"o nosso inimigo é o corpo. ser velho é viver contra o corpo até chegarmos a um momento em que a luz do sol nos parece uma dádiva inestimável e vale a pena viver apenas para fazermos a fotossíntese das tardes”

 

Não quero estragar a magia a quem ainda não tenha lido esta obra e por isso não me alongarei mais nos detalhes.

Quero apenas dizer que é um livro cheio de metáforas onde Valter Hugo Mãe procura entender a vida e os seus pequenos detalhes, como escrever cartas de amor para uma velha que sofre por o marido não a visitar, mas acima de tudo o autor procura entender a morte e a perda.

 

A Máquina de Fazer Espanhóis é uma obra prima! Recomendo meeeessssmo!

 

Classificação no Goodreads: 5/5

 

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