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Claro como a água

Claro como a água

28
Nov16

Ainda tenho algo a dizer sobre a minha história

Este post deve ser o mais dramático que alguma vez escrevi e o único em que não refiro os livros. Não quero que este blog gire à minha volta, quero que as personagens principais continuem a ser os livros, e por isso o post de hoje é uma excepção que advém da necessidade que sinto em escrever sobre esta fase menos fácil da minha vida.

 

Quando iniciei a minha carreira profissional há 4 anos, estava radiante, motivada, tinha sede de desafios, vontade de trabalhar em equipa e uma ambição que me havia acompanhado até então. Há cerca de três/quatro semanas senti-me frustrada por não conseguir rever-me na Rita de há 4 anos. Tinha perdido parte da motivação e da ambição, não só a nível profissional mas mesmo a nível pessoal. Perdi parte da alegria e boa disposição, tolerância e capacidade de auto-controlo. Ainda que isto não fosse totalmente visível para as pessoas que me rodeiam, sentia-me emocionalmente fragilizada e desgastada.

 

A explicação para esta mudança reside num conceito que creio ser bastante familiar a qualquer adulto:

conformidade

resignação

submissão 

 

Hoje em dia conformamo-nos com tudo ou quase tudo, eu conformei-me com um emprego que não me agrada, um ambiente insustentável onde sou constantemente submetida a uma pressão e violência psicológica que até então era inimaginável. Tudo em prol de uma falsa segurança e estabilidade financeira. Resignei-me a ser medíocre e a viver só porque sim, deixei todo esse medo camuflar a verdadeira Rita.

 

Não é fácil falar deste assunto mas sei que se não o fizer agora que creio estar a recuperar, nunca o vou conseguir fazer, a Rita de há 4 anos não o faria, a Rita emocionalmente fragilizada muito menos.

 

Por ainda não estar desesperada ao ponto de aceitar uma remuneração demasiado baixa nem um estágio profissional, após 8 meses de uma desesperada procura de emprego ainda me encontrava na mesma situação, com uma agravante: por essa altura ir trabalhar e estar 8 horas naquele escritório tinha-se tornado o desafio mais difícil do meu dia. Dei por mim a lamentar-me por achar que não merecia ser tratada assim, as 18h eram um alívio muitas vezes acompanhado por uma estranha vontade de gritar, o meu nível de auto estima estava bem em baixo. Foi por essa altura que aconteceu a primeira, e até hoje única, manifestação física de que algo se passava com a minha saúde mental: tive um mini ataque de pânico. Tinha acabado de chegar ao escritório quando dei por mim sem força nos braços, com a cabeça estranha e as mãos a tremer.

 

Podia ter sido o princípio do fim mas EU DECIDI transformá-lo no princípio da mudança.

 

Não era a violência psicológica a que estava sujeita que me estava a levar para um lado mais negro, também sei que não devo culpar-me pelo que aconteceu e não o faço, culpo antes a passividade. A verdade é que, conformar-me estava a destruir-me e EU NÃO IA DEIXAR isso acontecer.

Nessa mesma semana chamaram-me para a última entrevista de um dos processos de recrutamento em que me encontro. Escrevo este post quando ainda não sei se consegui o tal emprego, pois sei que qualquer que seja a resposta, EU ESCOLHI reagir e construir o desfecho desta história.

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