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Claro como a água

Claro como a água

12
Mai17

OPINIÃO | Boneca de Luxo

TrumanCapote.jpg 

Título: Boneca de Luxo

Autor: Truman Capote

Ano da primeira publicação: 1958

Editora: Dom Quixote 

Nunca me vou habituar a nada, e quem se habituar mais vale estar morto.

 

Boneca de Luxo, ou Breakfast at Tiffany's no original, foi o eleito pelo Clube dos Clássicos Vivos para o mês de Maio. Não tendo grandes expectativas relativamente a esta obra, não sei se por ignorância ou pela sinopse, esta leitura revelou-se uma (boa) surpresa!

 

Este é um daqueles livros que vale pelas personagens, e como é fácil ficar rendida a este tipo de livros! Não encontrei na história nada de inovador, intrigante ou complexo, para além do elenco. Personagens carismáticas, extravagantes e por vezes enigmáticas que me trazem à memória um outro grande clássico, um dos meus preferidos: "O Grande Gatsby".

 

Holly Golightly é a personagem principal, uma jovem de 19 anos, extravagante, de espírito livre e que procura continuamente a sua casa. 

Se eu pudesse encontrar um lugar da vida real que me fizesse sentir como Tiffany, então eu ia comprar alguns móveis e dar um nome ao gato.

Paul (ou Fred) é o narrador desta história, escritor e vizinho de Holly, desenvolve com ela uma amizade, em geral bonita mas quase sempre dolorosa. É Paul quem nos conta a história de Holly.

A escrita de Truman Capote é simples, mas um simples agradável, não precisa de mais, prova disso mesmo é a atmosfera encantadora que envolve esta história.

 

Não quero revelar mais do que devo, leiam e vão perceber o encanto.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

09
Mai17

OPINIÃO | A Insustentável Leveza do Ser

MilanKundera.jpg

 

Tí­tulo: A Insustentável Leveza do Ser

Autor: Milan Kundera

Ano da primeira publicação: 1984

Editora: Edições BIS

 

Quando comecei a pensar no que iria escrever sobre A Insustentável Leveza do Ser fui arrebatada por diferentes pensamentos, pensei na vida, nos acasos, na felicidade, na morte, no peso, na leveza, em Karenine, no meu cão, em Tolstoi e em tantas outras coisas. Divaguei, tal como Milan Kundera faz nesta obra.

 

Se me perguntarem do que trata este livro, não saberei dar uma resposta exacta e, provavelmente, acabarei por responder que se passa em Praga, algures na década de 60 e que trata tudo sobre a vida, das questões mais complexas às mais banais, das mais perturbadoras às mais serenas. Milan Kundera leva-nos numa viagem pela mente humana, traduz em palavras o que poucos ousam sequer pensar, conduz o leitor à reflexão.

 

Poucas páginas bastaram para que me apaixonasse pelas personagens: Tomas, Tereza, Sabina, Franz e Karenine.

 

Sete anos antes, declarara-se por acaso um surto muito grave de meningite no hospital da cidade de Tereza e o chefe do serviço onde Tomas trabalhava fora chamado de urgência. Mas, por acaso, o chefe do serviço estava com ciática e, como não se podia mexer, Tomas fora em seu lugar a esse hospital de província. Havia cinco hotéis na cidade mas, por acaso, Tomas instalara-se no hotel onde Tereza trabalhava. Por acaso, ficara uns momentos livres antes de ir para o comboio e fora sentar-se na cervejaria. Tereza estava, por acaso, de serviço e, por acaso, estava de serviço à mesa de Tomas. Fora portanto necessária toda uma série de seis acasos para fazer chegar Tomas até Tereza, como se, entregue a si próprio, nunca tivesse podido encontrá-la.

 

A escrita é das mais profundas que já encontrei, com uma linguagem descomplicada e estranhamente fluída. Dada a temática filosófica, seria expectável que o livro fosse um pouco "maçador", mas o autor conseguiu tornar tudo mais fácil.

 

Tomas ainda não sabia que as metáforas são uma coisa perigosa. Com as metáforas não se brinca. O amor pode nascer de uma única metáfora.

 

Por entre toda a melancolia que esta leitura me trouxe, reconheço a grandeza e importância da obra. É, sem dúvida alguma, um livro obrigatório!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

06
Mai17

OPINIÃO | Anúncio de um Crime

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Tí­tulo: Anúncio de um Crime

Autor: Agatha Christie

Ano da primeira publicação: 1950

Editora: Edições ASA

 

Quinto livro de Agatha Christie lido, primeiro com a personagem Miss Marple.

Em Anúncio de um Crime, Agatha Christie cria, uma vez mais, um enredo fantástico, envolto em mistério e onde o suspense está presente do início ao fim. A particularidade deste caso, e que o diferencia dos demais, é que o crime é previamente anunciado no jornal local através da seguinte publicação:

Anuncia-se um assassinato, a ter lugar em Little Paddocks, sexta-feira 29 de Outubro, pelas 18h30. Amigos, aceitem este convite, será único.

A curiosidade dos habitantes locais leva-os a aceitar o convite e a comparecer em casa da anfitriã do evento: Letitia Blacklock. É então que o inesperado acontece...

 

A estrutura do livro é a habitual, primeiro apresenta-nos uma infinidade de personagens, ocorre um crime, somos levados a duvidar de todas as personagens, desenvolvemos uma ou mais teorias, questionamos essas teorias e por fim, Agatha Christie explica, através da perspectiva de Miss Marple, como tudo aconteceu. O que mais me fascina nos livros de Agatha Christie são os enredos complexos, criados de forma a que o leitor dificilmente consiga antever como tudo terminará.

 

Este meu primeiro contacto com Miss Jane Marple, uma velhinha com ar frágil, que faz muitas perguntas e é bastante perspicaz, foi surpreendentemente agradável e deixou-me com vontade de ler outros livros com esta personagem.

 

Ler Agatha Christie é sempre uma lufada de ar fresco e, embora policiais não sejam bem a minha praia, arrisco escrever que nunca me vou fartar destas tramas geniais.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

02
Mai17

OPINIÃO | A Gorda

 A Gorda (2).jpg 

Título: A Gorda

Autor: Isabel Figueiredo

Ano da primeira publicação: 2016

Editora: Editorial Caminho

 

Muito bem se tem dito e escrito sobre este livro e sobre a autora, de quem nunca tinha ouvido falar. Após algumas idas à livraria para admirar o livro, e após ter confirmado que a biblioteca não dispunha de nenhum exemplar, decidi presentear-me com A Gorda. Levei cerca de 30 páginas a desiludir-me, mais umas 20 foram suficientes para perceber que não foi uma compra inteligente.

 

Já conta a sinopse que a personagem principal e "heroína" deste romance é Maria Luísa: uma bela rapariga, inteligente, boa aluna, com uma forte personalidade, só que Maria Luísa é gorda e deixa que isso ponha tudo o resto em causa. A premissa pareceu-me bem, achei a escrita bastante agradável, o livro tem até algumas passagens muito bonitas, no entanto tem falhas que, inevitavelmente, me levaram a não gostar assim tanto desta experiência.

 

A primeira falha que identifiquei foram lacunas na história. Com todo o enfoque na característica física de Maria Luísa e no problema em que isso se torna, faltaram algumas partes da história que justificassem, por exemplo, o início do "problema" ou a decisão de fazer a cirurgia. Esta primeira falha pode ter conduzido a uma segunda: a incompletude da personagem principal e a consequente falta de empatia entre o leitor e a personagem. 

 

É um livro com uma temática pesada, diria que algo depressivo, com uma escrita bonita mas com um enredo incompleto e por vezes confuso. Isabel Figueiredo é uma autora que quero manter debaixo de olho, na expectativa de que se venha a revelar todo o potencial escondido nesta obra.

 

Classificação no Goodreads: 3/5

26
Abr17

OPINIÃO | O Remorso de Baltazar Serapião

 

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Tí­tulo: O Remorso de Baltazar Serapião

Autor:  Valter Hugo Mãe

Ano da primeira publicação: 2006

Editora: Porto Editora

 

Duas semanas volvidas e algumas ideias mal arrumadas e eis que se formou uma espécie de opinião acerca do livro O Remorso de Baltazar Serapião do escritor português Valter Hugo Mãe. 

 

A acção deste romance desenrola-se na idade média e começa assim:

 

A voz das mulheres estava sob a terra, vinha de caldeiras fundas onde só o diabo e gente a arder tinha destino. a voz das mulheres, perigosa e burra, estava abaixo do mugido e atitude da nossa vaca, a sarga, como lhe chamávamos.

 

O protagonista desta história é Baltazar Serapião, um homem igual aos outros, educado segundos os princípios e valores da época, instruído de que Ermelinda, a sua mulher, apenas existe para o servir e, portanto, encontra na violência e agressão a melhor forma de expressar o amor que sente por ela.

 

Não é um livro bonito nem de fácil leitura, não pela escrita, essa é toda aquela maravilha que por aqui já escrevi, mas antes pelo conteúdo. Não gostei das personagens, acho que a sarga é a única que se safa.

 

Levei alguns dias a reflectir sobre esta leitura por ter sido uma experiência demasiado emotiva e revoltante. Quis deixar que a raiva desaparecesse e que as ideias assentassem, mas a raiva não desapareceu. Penso que isto poderia ter resultado muito melhor se o autor não exagerasse na caracterização da mulher, para além de revoltante chegou a ser entediante ler todos aqueles comentários. 

Dizia o meu pai, a voz das mulheres só sabe ignorâncias e erros, cada coisa de que se lembrem nem vale a pena que a digam. mais completas estariam, de verdade, se deus as trouxesse ao mundo mudas. só para entenderem o que fazer na preparação da comida e debaixo de um homem e nada mais.

 

Quem já leu outras obras do autor vai certamente notar que esta é muito mais pesada e violenta. Esta não é uma leitura que queira guardar na memória.

 

Classificação no Goodreads: 3/5

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