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Claro como a água

Claro como a água

05
Jan17

OPINIÃO | Viver Sem Ti

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Título: Viver Sem Ti

Autor: Jojo Moyes

Ano de publicação: 2016

Editora: Porto Editora

 

Viver Sem Ti é a sequela de Viver Depois de Ti, o tão aclamado livro de Jojo Moyes, que até já virou filme. Se bem se lembram, Viver Depois de Ti foi uma leitura arrepiante, um turbilhão de emoções, um livro que contém também uma componente mais racional. Incita à reflexão sobre variados temas como a importância das ligações que criamos com os outros, o impacto que os que nos rodeiam têm sobre nós mas, principalmente, sobre o direito de escolha que cada pessoa deve ter sobre a sua própria vida.

 

Bom, depois de um primeiro livro arrebatador que vendeu milhões de exemplares, vem a ambição, o querer mais e a vontade de arriscar e faz-se um livro, na minha opinião, medíocre e desnecessário. 

 

Louise, a personagem principal que conhecemos no livro anterior, outrora admirável e intrigante, perdeu toda a piada. As novas personagens não me convenceram, uma delas é até tão irritante que me deu vontade de largar o livro antes de o terminar. A história revela-se um cliché, previsível e demasiado fictícia. Senti que a ligação que a autora conseguiu criar, no primeiro livro, com os leitores desvaneceu, talvez pelas personagens supérfluas e os seus comportamentos (quase sempre) estúpidos.

 

Se leram Viver Depois de Ti é natural que estejam intrigados acerca da falsa continuação da história, foi o que se passou comigo. Este segundo volume dá para entreter e passar o tempo, mas não adiciona qualquer valor face ao que foi escrito no volume anterior, tornando-se um livro irritante e um desperdício de tempo.

 

Classificação no Goodreads: 2/5

 

30
Dez16

OPINIÃO | Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Wook.pt - Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

 

Título: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Autor: J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Ano de publicação: 2016

Editora: Editorial Presença

 

Muito já foi dito e escrito acerca do mais recente livro da saga Harry Potter, por isso tentarei que este post seja curto.

Levei algum tempo a perceber se queria ler este livro por recear uma desilusão. Tive até de gerir expectativas por me ter apercebido da decepção de muitas das pessoas que já tinham lido o livro, esse descontentamento foi bem evidente principalmente no Goodreads.

 

Ora e o que é que eu achei disto tudo? Resumidamente é isto: se não fosse um livro com personagens do universo Harry Potter, incluindo o próprio, seriam 2 estrelas; mas como se trata do Harry, do Ron, da Hermione e daquele ambiente mágico tão fantástico e maravilhosamente bem construido, são 4 estrelas. Não gostei da estrutura, guiões de peças de teatro não é bem a minha onda. Não gostei da forma superficial como os autores exploram as personagens. Não gostei das lacunas espaciais e temporais. Não gostei das alterações que os autores fizeram ao nível das personalidades de personagens como o Harry e a Hermione, em diversos momentos nem os reconheci.

 

Do que é que eu gostei afinal? De me perder neste mundo mágico. De ter regressado à adolescência, quando vibrava ao ler os livros da saga. Mas principalmente, de me ter conseguido abstrair da realidade enquanto lia este livro, e isso não acontece frequentemente.

 

Caso sejam publicados novos livros da saga, pretendo lê-los? Siiiiim!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

29
Dez16

OPINIÃO | Os 3 Casamentos de Camilla S.

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Título: Os 3 Casamentos de Camilla S.

Autor: Rosa Lobato de Faria

Ano da primeira publicação: 1997

Editora: Leya

 

Os 3 Casamentos de Camilla S. é o primeiro livro de Rosa Lobato de Faria que me passa pelas mãos (e olhos). Foi uma compra por impulso numa altura em que procurava um livro diferente do que costumo ler. 

 

Fiquei surpreendida com a escrita da autora, muito simples e suave mas com uma pitada de poesia que a torna encantadora. Esperava algo mais descritivo e pesado, tinha claramente a ideia errada. Entretanto já fui pesquisar outras obras da autora, pretendo explorar ainda mais a literatura portuguesa e Rosa Lobato de Faria fará certamente parte da lista.

 

Este romance reúne várias entradas do diário de Camilla, desde a sua infância até aos seus noventa anos, funcionando como autobiografia. Queria escrever um pouco mais sobre a história mas não vejo como fazê-lo sem contar demasiado. Já devem ter percebido que a Camilla se casa três vezes, o título é bastante sugestivo a esse nível, mas não vou adiantar pormenores. Tive algumas dificuldades em perceber se gostei da personagem Camilla, comecei por gostar da sua personalidade forte, mas não compreendi algumas atitudes e percebi que temos opiniões distintas acerca de diversos pontos.

 

Se há algo que quero realçar acerca da experiência que foi ler Os 3 Casamentos de Camilla S. é a ligação que a autora cria com o leitor, ou talvez deva antes escrever: com a leitora. Um pouco ao jeito de Elena Ferrante (por favor não elevem demasiado as expectativas ao ver o nome Elena Ferrante metido ao barulho!), também Rosa Lobato de Faria consegue levar o leitor a rever-se nas suas personagens, mostrando dominar o universo feminino e conseguindo assim criar uma relação especial com o leitor.

 

 

"Na tua barriguita e na de todas nós, mujeres, há um baguito de romã que amadurece e Deus manda os seus anjos fazerem o ninho onde pode ser deixada uma semente. Se a semente não vem, o ninho se desmancha e suas penas de sangue deixam o corpo da mulher. E outra lua e outro nido e lua atrás de lua e mês atrás de mês e nido atrás de nido, até que a semente venha fecundar o bago de romã. E assim se forma um fruto de vida que ganhará coração e mãos e tudo. E será um menino ao fim de nove luas. Quando a boca do teu corpo expelir pela primeira vez sangue abandonado, serás (que alegria) mujer, (que tristeza) mujer..."

 

 

Agora que já passaram alguns dias desde que terminei a leitura é que me apercebo de que não me recordo bem das personagens nem da história em sim, o que ficou desta leitura foi mesmo a escrita da autora e a ligação que consegue criar com o leitor. Rosa Lobato de Faria já faz parte dos meus planos para 2017!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

06
Dez16

OPINIÃO | Nem todas as baleias voam

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Título: Nem todas as baleias voam

Autor: Afonso Cruz

Ano de publicação: 2016

Editora: Companhia das Letras

 

É ao ler livros como os de Afonso Cruz que reconheço o quão grata estou por viver neste século.

Sempre que leio um livro de Afonso Cruz fico com a sensação de que alguém me abriu o cérebro e limpou todo aquele lixo que dificulta a percepção de que a vida é muito mais simples e pura do que aparenta. Sempre que termino um livro de Afonso Cruz fico à espera do próximo. Qualquer livro que leia após ter lido um livro de Afonso Cruz sabe sempre a pouco.

 

Nem todas as baleias voam é um romance mais maduro do que os anteriores mas é igualmente delicioso. Tive algumas dificuldades em prender-me à história, talvez devido à temática (um pouco sombria). Achei a primeira parte do livro mais pesada, mas assim que o autor nos agarra não nos larga mais.

 

Conhecemos Erik Gould, um pianista apaixonado que coloca na sua obra toda a intensidade e sofrimento que caracteriza a sua paixão por Natasha. 

 

Há metades que funcionam. Por exemplo, as meias doses nos restaurantes. Mas há outras metades que são o maior desastre, como um cirurgião que interrompe a operação a meio. E eu, sem a Natasha.

 

Conhecemos Tristan, filho de Gould e Natasha, um rapaz que vive de mão dada com a morte e que por isso decide colocar dentro de uma caixa de sapatos todos os objectos realmente importantes e que quer guardar após a sua morte. Tristan tem a capacidade/virtude/infelicidade de dar forma às suas emoções, ainda que não as consiga verbalizar.

 

Se Tristan soubesse verbalizar as suas emoções, seria assim: Estou à espera de que a felicidade comece a crescer como os bebés no útero das mães e que um dia nasça e chore e queira mamar e nós eduquemos a felicidade e a levemos à escola para que saiba ler as letras das nossas veias e fazer contas de multiplicar com a nossa saliva, estou à espera de um beijo daqueles que são dirigidos somente a uma pessoa, e não daqueles que se dão a pensar em alguém que está longe, estou à espera que o dia chegue ao fim e que não comece outro, porque os dias são uma chatice. Mas Tristan não saberia verbalizar as suas emoções, portanto: ia comer primeiro.

 

Reencontramos Isaac Dresner, personagem presente em várias obras do autor, o homem que coxeava do pé direito porque a cabeça do seu melhor amigo caiu em cima da sua bota depois de levar um tiro de um soldado alemão. A quem interesse: Dresner é o homem que se esconde debaixo do balcão da loja de pássaros em A Boneca de Kokoschka.

 

Eram isso os fantasmas, restos das pessoas que amámos, e a nossa casa ficava assim, repleta de assombrações modernas e antigas, densas e subtis. Tínhamos um protocolo com a memória, tínhamos assinado, juntamente com a dádiva da vida, o compromisso de carregar os mortos no nosso corpo, nos móveis da casa, nas paredes e na luz esmaecida dos candeeiros de estanho e de cobre, e cumpríamos esse contrato com um rigor e uma ética absolutamente notáveis, a ponto de, tantas vezes, chorarmos sem qualquer razão aparente.

 

Se soubesse verbalizar as emoções que senti ao ler este livro este post seria bem mais rico, mas parece que Tristan e eu temos em comum essa dificuldade em verbalizar. Assim sendo acrescento apenas isto: leiam Nem todas as baleias voam, é imperativo!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

30
Nov16

OPINIÃO | Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai

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Título: Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai

Autor: Gonçalo M. Tavares

Ano da primeira publicação: 2014

Editora: Porto Editora

 

Nova oportunidade a Gonçalo M. Tavares na expectativa de finalmente fazer parte do grupo de leitores que o apelidam de genial.  

Hanna está sozinha na rua, perdida e em busca do pai. Hanna é uma menina de 14 anos com trissomia 21. Nas mãos traz uma cartolina dactilografada.

Marius está sozinho na rua, foge de algo. Marius sabe que não pode parar.

Os caminhos de Hanna e Marius cruzam-se. A menina sorri e entrega a cartolina a Marius. Pede-lhe ajuda para encontrar o pai. Marius lê as indicações na cartolina e questiona Hanna pela ordem indicada:

 

M: Dizer o primeiro nome

H: Hanna

M: Dizer se é rapaz ou rapariga
H: Rapariga.
M: Dizer o nome completo
H: Não.
M: Dizer o nome dos pais e dos irmãos
H: Não
M: Dizer a morada
H: Não
M: Dizer em que escola anda
H: Não
M: Dizer a idade
H: Catorze.
M: Dizer o dia e o mês de aniversário
H: 12 de outubro.
M: Dizer a cor dos olhos e do cabelo
H: Olhos: pretos. Cabelo: castanho.

 

A história de Hanna e Marius começa a ser construida neste encontro inesperado quando Marius decide ajudar a menina a encontrar o pai. Gostei bastante da personagem Hanna, as restantes não me dizem nada. Quando terminei o livro ocorreu-me um pensamento já familiar e infelizmente previsível: o que é que aconteceu aqui? os ingredientes estavam lá mas isto descambou tudo. Claramente o problema sou eu.

 

É me ainda muito difícil entender o estilo do autor, um livro sem uma estrutura definida dificilmente me convence. Perdi-me várias vezes nas divagações filosóficas do autor e sinto que o próprio autor teve dificuldade em definir o rumo da história (se é que existe um rumo). Apesar de não apreciar o estilo consigo ver algo de extraordinário e invulgar em Gonçalo M. Tavares. Todo o seu discurso é muito cinzento e impessoal, sempre complexo ao ponto de desafiar a lucidez do leitor.

 

Esta foi a última oportunidade que dei a Gonçalo M. Tavares, ainda que tenha sido uma das leituras mais positivas, trouxe-me a certeza de que nunca vou conseguir ligar-me ao autor. Oponho-me a muitas das ideias e opiniões defendidas pelo autor o que leva necessariamente a colocar um travão nesta aventura.

 

Classificação no Goodreads: 2/5

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