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Claro como a água

Claro como a água

17
Mai17

OPINIÃO | A História do Amor

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Título: A História do Amor

Autor: Nicole Krauss

Ano da primeira publicação: 2005

Editora: Dom Quixote  

 

Preciso desesperadamente de vos falar sobre um dos livros mais bonitos que alguma vez li. Chama-se A História do Amor, um título talvez demasiado lamechas, nada habitual aqui no blog, mas acreditem quando digo que é absolutamente fantástico e não é nada daquilo que possam eventualmente tentar antever! Fui de tal forma absorvida por esta leitura que quando terminei quis imediatamente voltar à primeira página.

 

Começando pela parte menos boa, A História do Amor é um puzzle que desafia a concentração e memória do leitor. A história é narrada por quatro personagens, todos os capítulos estão identificados com um símbolo característico de cada personagem, que permitem ao leitor identificar imediatamente quem é o narrador de cada capítulo.

 

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A forma como a autora o faz pode por vezes levar o leitor a perder o fio à meada, o que por sua vez pode originar desistências ou incentivar comentários do estilo: "aborrecido", "confuso", "uma desilusão". Não sou mais do que ninguém e também senti, num momento ou noutro, que me estava a perder, tive inclusive de "voltar atrás" em busca de respostas.

A parte boa é que, com um pouco de persistência as peças começam a encaixar e também vocês se vão deixar absorver por esta leitura sensacional.

  

FAQ d'A História do Amor:

 

Tanta conversa, mas afinal este livro é sobre o quê? 

É sobre Leopoldo Gursky, um rapaz que amava Alma, uma rapariga cujo riso "era uma pergunta que Leopoldo queria passar a vida inteira a responder". Leopoldo decidiu, aos dez anos de idade que Alma era a mulher da sua vida e assim foi, só não da forma que estão a pensar.

 

Então porque raio é que dizes que não é lamechas?

Porque um livro sobre a vida e morte de um escritor, a perda e solidão de um homem que percebe de fechaduras e a religião dos dois não tem de ser lamechas.

 

Vai-me fazer chorar baba e ranho?

Não, mas é capaz de te deixar com uma lágrima no canto do olho.

 

Porque é que devo ler este livro?

Porque é dos melhores livros que já me passaram pelas mãos. Porque tem passagens lindíssimas. Porque as personagens são marcantes. Porque é um livro sobre um livro. Porque faz referência a escritores como Kafka, Jorge Luis Borges, Saint Exupéry e Tolstói. Porque é uma história bonita. Porque estou sem palavras e só um livro extraordinário tem esse efeito no leitor.

 

O que devo saber antes de ler este livro?

Começa a lê-lo quando efectivamente tiveres tempo para o ler, não é um livro que deva levar semanas ou meses para ser lido, sob pena de te perderes na história e abandonares a leitura.

 

Era uma vez um rapaz. Vivia numa aldeia que já não existe, numa casa que já não existe, na orla de um campo que já não existe, lugar de todas as descobertas e onde tudo era possível. Um pau podia ser uma espada. Uma pedra podia ser um diamante. Uma árvore um castelo.
Era uma vez um rapaz que vivia numa casa do outro lado do campo onde vivia uma rapariga que já não existe. Inventavam mil jogos. Ela era a Rainha e ele o Rei. Na luz do Outono, o cabelo dela brilhava como uma coroa. Bebiam o mundo em pequenas mãos-cheias. Quando o céu escurecia, apartavam-se com folhas nos cabelos.

 

E porque gosto de partilhar a minha opinião sem estragar as vossas futuras leituras, acabaram de ler um post onde não escrevi nada de jeito mas que espero, sinceramente, vos leve a equacionar ler A História do Amor.

 

Classificação no Goodreads: 5/5

15
Mai17

"Top 10 de vendas de livros em Portugal" - Parte 2

what is THAT????:

 

 

O título deste post poderia ser "Suspeita de manipulação dos dados de vendas de livros em Portugal", ou então "Vírus informático controla top de vendas de livros em Portugal". Ora atentem nos 10 livros mais vendidos em Portugal durante a última semana, visto aqui:

 

1 - Os Irmãos Karamázov de Fiódor Dostoievski

2 - As Receitas - A dieta dos 31 dias de Ágata Roquette

3 - O Deslumbre de Cecilia Fluss de João Tordo

4 - Escrito na Água de Paula Hawkins

5 - A Hora da Partida: Angola 1974-1975 de Catarina Canelas

6 - A Dieta do Paleolítico de Loren Cordain

7 - Simplifica a tua Vida de Rute Caldeita

8 - Sopas, Saladas e Chá Detox de Lillian Barros

9 - Receitas com Segredo de Marco Costa

10 - A Dieta dos 31 dias de Ágata Roquette

 

 

Breves reflexões/comentários a este top:

- Será que perdi uma mega mega mega promoção, ou terá toda esta gente dado 35€ pela edição de Os Irmãos Karamázov da Relógio d'Água?

- Estará Dostoiesvki na moda ou terá o seu nome sido confundido com algum participante de um reality-show?

- A Paula Hawkins foi abafada pelo João Tordo. Boa!

- Portugal é um país de gente obcecada com dietas, mas até ao Verão vai tornar-se num país de gente magra, salvo a minoria que se vai deliciar com as receitas do Marco Costa.

- Sou um outlier em Portugal, devia emigrar, talvez para outro planeta.

 

15
Mai17

A "Minha" Biblioteca #1

Sábado é o dia predilecto para ir à biblioteca, a verdade é que, por incompatibilidade horária, é mesmo o único dia em que consigo lá ir e encontrá-la aberta. A seguir ao almoço, pego no saco de pano, no cartão de leitor e lá vou eu. O percurso entre casa e a biblioteca é curto mas está repleto de pequenos tesouros que permitem antever a magia do destino final. Este é, sem dúvida, aquele de que gosto mais:

 

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Foi dada vida a uma parede que outrora não tinha graça. A ilustração de uma criança a sorrir junto a duas pilhas de livros pode ser visto mais além, incitando reflexões sobre o acesso ao conhecimento, o direito à educação e o prazer da leitura.

 

Sempre que por aqui passo, de saco ao ombro e cartão de leitor na mão, paro para apreciar a ilustração e sinto-me imediatamente grata por nunca me ter sido negado o acesso ao conhecimento, ao prazer de pegar num livro e de lê-lo quando e como quiser. Sinto-me grata a todos os que influenciaram as circunstâncias em que cresci.

Felizmente a biblioteca lá da terra, aquela a que me refiro como sendo a "minha" biblioteca, está aberta a todos aqueles que escolham alimentar a sede do conhecimento, ou que procurem apenas alcançar o prazer único que se sente ao ler um bom livro.

12
Mai17

OPINIÃO | Boneca de Luxo

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Título: Boneca de Luxo

Autor: Truman Capote

Ano da primeira publicação: 1958

Editora: Dom Quixote 

Nunca me vou habituar a nada, e quem se habituar mais vale estar morto.

 

Boneca de Luxo, ou Breakfast at Tiffany's no original, foi o eleito pelo Clube dos Clássicos Vivos para o mês de Maio. Não tendo grandes expectativas relativamente a esta obra, não sei se por ignorância ou pela sinopse, esta leitura revelou-se uma (boa) surpresa!

 

Este é um daqueles livros que vale pelas personagens, e como é fácil ficar rendida a este tipo de livros! Não encontrei na história nada de inovador, intrigante ou complexo, para além do elenco. Personagens carismáticas, extravagantes e por vezes enigmáticas que me trazem à memória um outro grande clássico, um dos meus preferidos: "O Grande Gatsby".

 

Holly Golightly é a personagem principal, uma jovem de 19 anos, extravagante, de espírito livre e que procura continuamente a sua casa. 

Se eu pudesse encontrar um lugar da vida real que me fizesse sentir como Tiffany, então eu ia comprar alguns móveis e dar um nome ao gato.

Paul (ou Fred) é o narrador desta história, escritor e vizinho de Holly, desenvolve com ela uma amizade, em geral bonita mas quase sempre dolorosa. É Paul quem nos conta a história de Holly.

A escrita de Truman Capote é simples, mas um simples agradável, não precisa de mais, prova disso mesmo é a atmosfera encantadora que envolve esta história.

 

Não quero revelar mais do que devo, leiam e vão perceber o encanto.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

10
Mai17

Dilema na Livraria

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A primeira vez que vi um exemplar de Cartas de Amor e de Guerra do escritor russo Mikhail Chichkin foi há cerca de 4 semanas, num dos meus passeios da hora de almoço. Entrei na Bertrand para dar uma vista de olhos pelas novidades, entre elas estava este livro. Li meia dúzia de páginas, o bastante para querer ler as restantes 330. Não comprei o livro por vários motivos, entre eles não querer abdicar de €22.

Desde aquele dia, sempre que entro numa livraria, os meus olhos fixam aquela capa, pego no livro e leio mais duas ou três páginas.

  

Perante tamanho apego (ao livro) e necessidade de devorar aquelas páginas, antevejo os seguintes desfechos:

1) perco o amor aos €22, a racionalidade e lucidez e compro o livro;

2) continuo a visitar a livraria para poder ler mais umas páginas, ao fim de 56 visitas, a uma média de 6 páginas por visita, o livro está lido e os €22 continuam do meu lado;

3) faço um choradinho à senhora da biblioteca para tentar que adquiram um exemplar do livro;

4) arranjo um amigo que tenha este livro e imploro que mo empreste.

 

O primeiro cenário parece-me ser o mais provável. O segundo cenário de nada tem de ético, o terceiro é demasiado embaraçoso e o quarto bastante improvável.

 

Mikhail Chichkin é intitulado de "o mais célebre autor russo da sua geração" e a sua prosa classificada como poética.

Neste romance o autor apresenta-nos a história de dois amantes: Vladímir, um soldado a lutar na China em plena Rebelião dos Boxers, e Aleksandra, que vive e trabalha em Petersburgo. Não é apenas uma troca de correspondência nem uma história de amor, é a história destas duas personagens, das suas vivências, daquilo que os distância: os espaços físico e temporal.

 

Deixo-vos duas sugestões de leitura para aguçar a curiosidade: um artigo da Revista Sábado e um outro artigo de opinião.

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