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Claro como a água

Claro como a água

05
Abr17

Sobre os últimos 80 dias

Perdi a estabilidade de vista. Investi toda a minha energia num novo desafio. Peguei no livro Crónicas do Mal de Amor de Elena Ferrante, não fui além da página 20. Tentei O Remorso de Baltazar Serapião de Valter Hugo Mãe, fiquei-me pela página 95. Percebi que não estava a conseguir focar-me nos livros porque tinha a cabeça noutro sítio. Peguei n' A Arte da Base de Dados de Carlos Pampulim Caldeira, estava no caminho certo. Folheei vários outros livros técnicos. Deixei-me andar por aí.

 

Não escrevi. Não comprei livros. Não fui ao goodreads. Não vim ao blog. Não visitei outros blogs. Passei a frequentar a zona "técnica" das livrarias.

 

Mudei de ares. Mudei de emprego. Saltitei por vários projectos. Mudei de objectivos. Cruzei-me com o Ondjaki e tenho a sensação de que petrifiquei mesmo à sua frente. Descobri que chocolate preto não é assim tão mau. Comecei a beber café sem açúcar. 

 

Encontrei a estabilidade. Admirei a minha estante. Deliciei-me ao passar os dedos pelas lombadas, ao reler excertos e ao folhear os meus livros preferidos. Em 3 dias li 85 páginas de AvóDezanove e o Segredo do Soviético do Ondjaki.

 

80 dias volvidos, parece-me que tudo está finalmente a voltar ao "normal".

19
Jan17

OPINIÃO | A Luz Entre Oceanos

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Título: A Luz Entre Oceanos

Autor: M.L. Stedman

Ano da primeira publicação: 2012

Editora: Editorial Presença

 

 

A Luz entre Oceanos foi a minha primeira leitura bipolar do ano! Passo a explicar.

 

A acção de A Luz entre Oceanos decorre em 1926 e foca-se na vida do casal Sherbourne. Tom Sherbourne é o faroleiro de Janus Rock, uma ilha ao largo da costa oeste australiana, onde vive isolado com a sua mulher Isabel Sherbourne. Inicialmente a autora dá-nos a conhecer a vida das duas personagens antes de se conhecerem, mas a maior parte dos acontecimentos relatados ocorreram após o casamento dos dois, e em particular após Tom e Isabel irem viver para a ilha.

À medida que o tempo passa (e as páginas também), a solidão e infelicidade vão-se apoderando do casal, que continuam a tentar ter um filho e a visitar o continente muito esporadicamente. É por esta altura que chegamos ao ponto de viragem, quando um pequeno barco chega a Janus Rock.

 

Achei esta primeira parte do livro, até à chegada do barco à ilha, um pouco entediante, sabia que algo estava para acontecer mas nunca mais chegava à página do acontecimento! Quando aconteceu foi a euforia, não queria parar de ler. Algumas páginas à frente entrei novamente numa fase aborrecida e sem grande interesse. E depois a euforia novamente! E entretanto chegamos ao final, que eu não vou revelar se foi de aborrecimento ou euforia.

 

Há qualquer coisa na escrita da autora que dificultou a leitura e a minha percepção. Não tenho aversão a passagens demasiado descritivas, desde que tenham fundamento e o autor consiga manter-nos focado nas suas palavras, este tipo de passagens é a cereja no topo do bolo. Neste caso parece-me que foi aí que a autora não esteve tão bem, e foi esse o motivo que me fez perder o interesse e até sentir aborrecimento em alguns momentos.

 

Gostei dos temas que a autora abordou e da forma como leva o leitor a reflectir acerca do comportamento humano, do amor genuíno, dos laços que criamos com os outros e da dor de perder alguém. Este ponto juntamente com a construção das personagens são para mim os pontos fortes da obra e os motivos que me levam a afirmar que gostei muito desta leitura (ainda que bipolar).

 

O livro deu origem a um filme que estreou recentemente em Portugal. Já ouvi dizer que é um dos poucos casos em que o filme consegue ultrapassar o livro. Assim que vir o filme partilho a minha opinião, até lá podem sempre passar os olhos pelo livro.

 

Classificação no Goodreads: 4/5

17
Jan17

O que é que eu sei fazer melhor? Comprar livros!!

Resolução para 2017: estabelecer um limite para o número de livros comprados.

Bem tenho tentado seguir a prática de comprar poucos livros mas nunca consigo aguentar mais do que 2 ou 3 meses. Desta vez vou seguir a sugestão da Cláudia e comprar um livro por cada cinco lidos, o que dará em média um livro por mês. Vamos fazer figas (e ser persistentes) para que a coisa dure mais do que umas semanas.

 

Entretanto, enquanto 2016 estava a terminar, comprei alguns livros novos a preços bastante convidativos, ora vejam:

 

O Labirinto dos Espíritos (O Cemitério dos Livros Esquecidos #4 )

O Labirinto dos Espíritos de Carlos Ruiz Zafón

PVP: €23,98

Comprei por €11

 

 

Uma Casa na Escuridão

Uma Casa na Escuridão de José Luís Peixoto

PVP: €17,70

Comprei por €7

 

 

A Luz Entre Oceanos

A Luz Entre os Oceanos de M. L. Stedman

PVP: €17,90

Comprei por €10

 

O Funeral da Nossa Mãe

O Funeral da Nossa Mãe de Célia Correia Loureiro

PVP: €17

Comprei por €7

 

 

E vocês, sabem comprar livros tão bem quanto eu?

17
Jan17

OPINIÃO | A Partir de Uma História Verdadeira

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Título: A Partir de Uma História Verdadeira

Autor: Delphine de Vigan

Ano de publicação: 2016

Editora: Quetzal Editores

 

A Partir de Uma História Verdadeira relata uma fase particularmente difícil da vida de Delphine, a personagem principal. Delphine é escritora e a partir do momento em que conhece L. deixa progressivamente de conseguir escrever. Tive alguma dificuldade em escrever sobre este livro, talvez por estar um pouco irritada com o comportamento de Delphine, mas principalmente por esperar um final diferente, ou devo antes dizer mais completo.  

 

Este é aquele tipo de livro onde a ficção se mistura com a realidade, não fosse Delphine o nome da autora e da personagem principal. É um livro intenso, de auto-descoberta e que nos transporta para a mente de Delphine. Somos levados a questionar e reflectir acerca da identidade das personagens, da sua ingenuidade e até da forma como o medo condiciona a nossa vida. Não sendo uma história com muita acção nem com grandes reviravoltas, acabou por se revelar uma leitura intensa, e a verdade é que devorei o livro em pouco tempo.

 

Foi o primeiro livro que li da autora Delphine de Vigan, penso até que este é o único livro publicado em Portugal, não fazendo a mais pequena ideia do que ia encontrar. Também não procurei opiniões sobre o livro, pelo que parti para esta leitura sem grandes expectativas. Acabei por ser surpreendida pela escrita delicada da autora, simples mas deliciosa.

 

Recomendo esta leitura aos apreciadores de romance psicológicos. Delphine de Vigan é uma autora para manter debaixo de olho!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

05
Jan17

OPINIÃO | Viver Sem Ti

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Título: Viver Sem Ti

Autor: Jojo Moyes

Ano de publicação: 2016

Editora: Porto Editora

 

Viver Sem Ti é a sequela de Viver Depois de Ti, o tão aclamado livro de Jojo Moyes, que até já virou filme. Se bem se lembram, Viver Depois de Ti foi uma leitura arrepiante, um turbilhão de emoções, um livro que contém também uma componente mais racional. Incita à reflexão sobre variados temas como a importância das ligações que criamos com os outros, o impacto que os que nos rodeiam têm sobre nós mas, principalmente, sobre o direito de escolha que cada pessoa deve ter sobre a sua própria vida.

 

Bom, depois de um primeiro livro arrebatador que vendeu milhões de exemplares, vem a ambição, o querer mais e a vontade de arriscar e faz-se um livro, na minha opinião, medíocre e desnecessário. 

 

Louise, a personagem principal que conhecemos no livro anterior, outrora admirável e intrigante, perdeu toda a piada. As novas personagens não me convenceram, uma delas é até tão irritante que me deu vontade de largar o livro antes de o terminar. A história revela-se um cliché, previsível e demasiado fictícia. Senti que a ligação que a autora conseguiu criar, no primeiro livro, com os leitores desvaneceu, talvez pelas personagens supérfluas e os seus comportamentos (quase sempre) estúpidos.

 

Se leram Viver Depois de Ti é natural que estejam intrigados acerca da falsa continuação da história, foi o que se passou comigo. Este segundo volume dá para entreter e passar o tempo, mas não adiciona qualquer valor face ao que foi escrito no volume anterior, tornando-se um livro irritante e um desperdício de tempo.

 

Classificação no Goodreads: 2/5

 

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