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Claro como a água

Claro como a água

12
Abr17

A digerir o remorso...

Dizia o meu pai, a voz das mulheres só sabe ignorâncias e erros, cada coisa de que se lembrem nem vale a pena que a digam. mais completas estariam, de verdade, se deus as trouxesse ao mundo mudas. só para entenderem o que fazer na preparação da comida e debaixo de um homem e nada mais.

Terminei ontem à noite a leitura de O Remorso de Baltazar Serapião de Valter Hugo Mãe. Está a ser difícil digerir. A forma como a mulher é retratada revolta-me, enraivece-me, fez-me posar o livro demasiadas vezes. Levei quase 3 meses para o ler. Apenas a escrita do autor me fez querer continuar. Ainda assim entristece-me. Preciso de reflectir ou, talvez, esquecer o que li.

Alguém desse lado já leu?

11
Abr17

OPINIÃO | Stoner

Stoner.jpg 

Título: Stoner

Autor:  John Williams

Ano da primeira publicação: 1965

Editora: Dom Quixote

 

Uma história triste, que à primeira vista não parece ter nada de especial, com personagens aparentemente triviais. Um livro que se devora. Uma escrita que transforma uma história normal em algo mágico!

 

Stoner foi publicado em 1965 e foi distinguido com o prémio melhor livro do ano, pela livraria britânica Waterstones, em 2013. Sim, não foi um erro de escrita, foi mesmo em 2013. Acontece que Stoner caiu no esquecimento, tendo sido recuperado 50 anos depois pela escritora Anna Gavalda. 

 

A história não tem nada de original, são 300 páginas sobre cerca de 50 anos da vida de William Stoner, um professor universitário oriundo de uma família de agricultores com poucas posses, casado com Edith, com quem vive numa casa banal, situada numa cidade como tantas outras. Resumindo, o livro narra uma sucessão de acontecimentos da vida de Stoner, que nada têm de interessantes.

 

Então o que é que o livro tem de especial, perguntam vocês? A narrativa simples mas profunda, trivial mas envolvente. Personagens muito completas. A tristeza, do início ao fim. A vontade de viver. 

Às vezes, imerso em seus livros, vinha-lhe a consciência de tudo que ele não sabia, de tudo que ele não lera. E a serenidade para a qual trabalhava tanto ficava abalada quando se dava conta do pouco tempo que tinha na vida para ler tanta coisa, para aprender o que tinha de saber.

 

Do melhor que podem encontrar nas livrarias, do que estão à espera para o ler?

 

Classificação no Goodreads: 4/5

06
Abr17

OPINIÃO | AvóDezanove e o Segredo do Soviético

 AvóDezanove_Ondjaki.jpg 

Título: AvóDezanove e o Segredo do Soviético

Autor: Ondjaki

Ano da primeira publicação: 2008

Editora: Editorial Caminho

 

Já várias vezes falei das obras de Ondjaki, das personagens que lá vivem, da forma como o autor retrata a infância, do modo inexplicável e inconfundível de descrever sensações (gosto particularmente das referências ao olfacto). O autor consegue descrever a saudade e as despedidas com uma sensibilidade extrema, mas de uma forma doce que faz parecer que alguém nos está a cantar a história ao ouvido.

 

Este foi o sexto livro de Ondjaki que me passou pelas mãos e, tal como os restantes, deixou saudades assim que virei a última página. Saudades do Espuma-DoMar o matemático maluco que tinha um jacaré no quintal, do Pinduca, o Pi ou 3,14 como era conhecido no bairro, do narrador sem nome e da sua paixão por filmes de cowboys, da AvóAgnette e da sua característica peculiar, do Camarada VendedorDeGasolina que podia dormir muito porque a bomba nunca tinha gasolina, da Avó Catarina que só aparecia quando queria e que não deixava nada por dizer, do soviético camarada Botardov que tinha esse nome "por causa do modo como ele dizia, quase a falar soviético, "bótard", mesmo que fosse de manhã cedo ou à noite já bem noitinha”.

 

Esta é a história da construção do Mausoléu na PraiaDoBispo, o monumento destinado a albergar o corpo do falecido presidente Agostinho Neto, mas é principalmente, a história daquele lugar, das pessoas que lá habitam, adultos e crianças que partilham o desejo de continuar a correr pela PraiaDoBispo. 

A Avó me mandou um beijo voado, beijado na mão dela a sorrir, acho que a dança lhe fez bem, a cara dela parecia mais calma e até caminhava melhor. Era o milagre da música, como dizia o Espuma-DoMar: - Os meus pés conhecem a verdade que o meu coração sente quando os meus ouvidos sorriem. A música é o milagre que os comunistas já autorizaram de acontecer, ahahah. A bailar, compañeros.

 

Tenho-me deliciado a ler os livros de Ondjaki, não há dúvida de que é um dos mais brilhantes escritores lusófonos da actualidade. Para os curiosos que desconhecem o trabalho do mágico Ondjaki, sugiro que experimentem Uma Escuridão Bonita, vão adorar!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

 

05
Abr17

Sobre os últimos 80 dias

Perdi a estabilidade de vista. Investi toda a minha energia num novo desafio. Peguei no livro Crónicas do Mal de Amor de Elena Ferrante, não fui além da página 20. Tentei O Remorso de Baltazar Serapião de Valter Hugo Mãe, fiquei-me pela página 95. Percebi que não estava a conseguir focar-me nos livros porque tinha a cabeça noutro sítio. Peguei n' A Arte da Base de Dados de Carlos Pampulim Caldeira, estava no caminho certo. Folheei vários outros livros técnicos. Deixei-me andar por aí.

 

Não escrevi. Não comprei livros. Não fui ao goodreads. Não vim ao blog. Não visitei outros blogs. Passei a frequentar a zona "técnica" das livrarias.

 

Mudei de ares. Mudei de emprego. Saltitei por vários projectos. Mudei de objectivos. Cruzei-me com o Ondjaki e tenho a sensação de que petrifiquei mesmo à sua frente. Descobri que chocolate preto não é assim tão mau. Comecei a beber café sem açúcar. 

 

Encontrei a estabilidade. Admirei a minha estante. Deliciei-me ao passar os dedos pelas lombadas, ao reler excertos e ao folhear os meus livros preferidos. Em 3 dias li 85 páginas de AvóDezanove e o Segredo do Soviético do Ondjaki.

 

80 dias volvidos, parece-me que tudo está finalmente a voltar ao "normal".

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