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Claro como a água

Claro como a água

24
Mai17

OPINIÃO | O Paraíso Segundo Lars D.

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Título: O Paraíso Segundo Lars D.

Autor: João Tordo

Ano da primeira publicação: 2015

Editora: Companhia das Letras 

 

Na minha última visita à biblioteca, tencionava requisitar um livro de Rosa Lobato Faria que descobri não estar disponível na altura. Lá decidi que, em alternativa, traria um outro livro escrito por um autor português. Foi assim que parti para o segundo volume da trilogia Lugares Sem Nome.

 

Se bem se recordam, O Luto de Elias Gro, o primeiro volume da trilogia, aqueceu-me o coração e acrescentou o nome João Tordo à lista de autores que quero continuar a ler. Com este segundo volume, O Paraíso Segundo Lars D., fiquei de rastos, no sentido menos bom da expressão.

Fui, inevitavelmente, levada a comparar os dois volumes e a diferença é notória. Senti, ou devo antes dizer que não senti, que falta sentimento, presente ao longo de todo o primeiro volume, e que tanto me deliciou. Mais estranho foi voltar a encontrar estas personagens e ficar com a sensação de que não eram as mesmas que tinha conhecido anteriormente 

 

Ainda assim, a escrita de João Tordo é suficientemente arrebatadora para atenuar o desagrado sentido. A solidão e a busca pelo sentido da existência, temáticas comuns às várias obras do autor, acabam sempre por resultar bem, ainda que umas vezes melhor do que outras.

Somos aqueles que chegaram antes de nós e partiremos com todos os que estiveram connosco.

 

Classificação no Goodreads: 3/5

22
Mai17

Dia do Autor Português

Hoje comemora-se o Dia do Autor Português

Quando era adolescente tinha aversão a livros escritos por autores portugueses, as únicas excepções eram Saramago e Eça de Queiróz. Cresci lado a lado com os best-sellers e as recomendações do tipo "leva este que vende bem", ou "este vai dar um filme". Diria que cerca de 80% dos livros que li durante a adolescência foram escritos por autores estrangeiros e posteriormente traduzidos para português.

Mas com a idade veio a afirmação, o não deixar que decidissem por mim, talvez o querer ser diferente. Descobri a literatura portuguesa e toda a potencialidade da escrita em português. Foram horas de prazer, um sentimento diferente do que estava habituada, resmas de livros acessíveis através da biblioteca e vários "novos" livros e autores favoritos.

 

Deixo-vos algumas sugestões de leitura em português:

 

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Foi também durante esta fase que comecei a ler clássicos, outro sentimento diferente, mas essa conversa fica para outro dia.

 

17
Mai17

OPINIÃO | A História do Amor

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Título: A História do Amor

Autor: Nicole Krauss

Ano da primeira publicação: 2005

Editora: Dom Quixote  

 

Preciso desesperadamente de vos falar sobre um dos livros mais bonitos que alguma vez li. Chama-se A História do Amor, um título talvez demasiado lamechas, nada habitual aqui no blog, mas acreditem quando digo que é absolutamente fantástico e não é nada daquilo que possam eventualmente tentar antever! Fui de tal forma absorvida por esta leitura que quando terminei quis imediatamente voltar à primeira página.

 

Começando pela parte menos boa, A História do Amor é um puzzle que desafia a concentração e memória do leitor. A história é narrada por quatro personagens, todos os capítulos estão identificados com um símbolo característico de cada personagem, que permitem ao leitor identificar imediatamente quem é o narrador de cada capítulo.

 

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A forma como a autora o faz pode por vezes levar o leitor a perder o fio à meada, o que por sua vez pode originar desistências ou incentivar comentários do estilo: "aborrecido", "confuso", "uma desilusão". Não sou mais do que ninguém e também senti, num momento ou noutro, que me estava a perder, tive inclusive de "voltar atrás" em busca de respostas.

A parte boa é que, com um pouco de persistência as peças começam a encaixar e também vocês se vão deixar absorver por esta leitura sensacional.

  

FAQ d'A História do Amor:

 

Tanta conversa, mas afinal este livro é sobre o quê? 

É sobre Leopoldo Gursky, um rapaz que amava Alma, uma rapariga cujo riso "era uma pergunta que Leopoldo queria passar a vida inteira a responder". Leopoldo decidiu, aos dez anos de idade que Alma era a mulher da sua vida e assim foi, só não da forma que estão a pensar.

 

Então porque raio é que dizes que não é lamechas?

Porque um livro sobre a vida e morte de um escritor, a perda e solidão de um homem que percebe de fechaduras e a religião dos dois não tem de ser lamechas.

 

Vai-me fazer chorar baba e ranho?

Não, mas é capaz de te deixar com uma lágrima no canto do olho.

 

Porque é que devo ler este livro?

Porque é dos melhores livros que já me passaram pelas mãos. Porque tem passagens lindíssimas. Porque as personagens são marcantes. Porque é um livro sobre um livro. Porque faz referência a escritores como Kafka, Jorge Luis Borges, Saint Exupéry e Tolstói. Porque é uma história bonita. Porque estou sem palavras e só um livro extraordinário tem esse efeito no leitor.

 

O que devo saber antes de ler este livro?

Começa a lê-lo quando efectivamente tiveres tempo para o ler, não é um livro que deva levar semanas ou meses para ser lido, sob pena de te perderes na história e abandonares a leitura.

 

Era uma vez um rapaz. Vivia numa aldeia que já não existe, numa casa que já não existe, na orla de um campo que já não existe, lugar de todas as descobertas e onde tudo era possível. Um pau podia ser uma espada. Uma pedra podia ser um diamante. Uma árvore um castelo.
Era uma vez um rapaz que vivia numa casa do outro lado do campo onde vivia uma rapariga que já não existe. Inventavam mil jogos. Ela era a Rainha e ele o Rei. Na luz do Outono, o cabelo dela brilhava como uma coroa. Bebiam o mundo em pequenas mãos-cheias. Quando o céu escurecia, apartavam-se com folhas nos cabelos.

 

E porque gosto de partilhar a minha opinião sem estragar as vossas futuras leituras, acabaram de ler um post onde não escrevi nada de jeito mas que espero, sinceramente, vos leve a equacionar ler A História do Amor.

 

Classificação no Goodreads: 5/5

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