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Claro como a água

Claro como a água

24
Jun16

OPINIÃO | Hamlet

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 Título: Hamlet

Autor: William Shakespeare

Ano da primeira publicação: 1602

Editora: Europa-América

 

A peça de teatro Hamlet foi escrita por William Shakespeare entre 1599 e 1601, é a tragédia da dúvida sobre ser ou não ser e também a peça mais longa de Shakespeare.

 

A acção decorre na Dinamarca onde conhecemos o Príncipe Hamlet, enquanto este tenta vingar a morte do seu pai e se revolta após o súbito casamento da sua mãe com o seu tio Cláudio, irmão do seu pai.

 

Ao longo de toda a peça deparamo-nos com um Hamlet perturbado e revoltado, isso é bastante evidente logo no início embora não sejam claros os motivos para tal inquietação. É então que Hamlet tem um encontro inesperado com um espectro e é a partir daí que começam a surgir diversas teorias sobre a causa da perturbação e loucura do Príncipe Hamlet.  

 

A peça é repleta de mistério, quer no que diz respeito à causa da perturbação de Hamlet quer no que toca à morte do seu pai. Como se isso não fosse suficiente para prender o leitor, Shakespeare oferece-nos monólogos brilhantes dos quais fazem parte divagações sobre a vida, a morte, a loucura e a natureza humana. Todos conhecem a famosa passagem “to be or not to be”:

 

"Ser ou não ser, eis a questão. Uma alma valorosa, deve ela suportar os golpes pungentes da fortuna adversa, ou armar-se contra um dilúvio de dores, ou pôr-lhes fim, combatendo-as? Morrer, dormir, mais nada, e dizer que por esse sono pomos termo aos sofrimentos do coração e às mil dores legadas pela natureza à nossa carne mortal."

 

Sendo a obra uma tragédia e sendo Shakespeare o seu autor, o final é previsivelmente fatídico, mas até isso é delicioso de se ler.

 

Já havia dito quando escrevi sobre Romeu e Julieta, que ler Shakespeare não é nenhum pesadelo, torna-nos leitores mais ricos e felizes. Experimentem!

 

Classificação no Goodreads: 4/5

22
Jun16

OPINIÃO | Falar a Verdade a Mentir

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Título: Falar a Verdade a Mentir

Autor: Almeida Garrett

Ano da primeira publicação: 1845

Editora: LusoLivros

 

Falar a Verdade a Mentir é uma comédia escrita por Almeida Garrett em 1845 sob a forma de peça de teatro. O livro é muito curto, tem apenas 65 páginas, pelo que se lê rapidamente.

O autor oferece-nos uma leitura hilariante, onde as mentiras se confundem com a verdade. O protagonista desta história é Duarte Guedes, um mentiroso compulsivo e noivo de Amália, que vê o caso mal parado quando o futuro sogro lhe diz que só permitirá o casamento se Duarte conseguir não mentir durante um dia.

 

Almeida Garrett utiliza o humor e a sátira para caracterizar a sociedade da época, em particular os valores (ou a falta deles) e os costumes da burguesia do século XIX: a ganância, a aparência e a falsidade.

 

Com uma escrita muito acessível e um sentido de humor refinado, Almeida Garrett consegue arrancar umas boas gargalhadas ao leitor.

 

Fica a dica para os interessados, podem descarregar a versão digital desta obra no site LusoLivros, faz parte do conjunto de obras portuguesas que está disponível gratuitamente e de formal legal. 

 

Classificação no Goodreads: 4/5

21
Jun16

Sobre a desculpa "não tenho tempo para ler"

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imagem vista aqui 

 

Ultimamente tenho ouvido muitos comentários do género: “não tenho tempo para ler” e “só leio nas férias porque durante o resto do ano é impossível”, ao que se seguem perguntas como “fazes mais alguma coisa na vida para além de ler?”.

Acredito que algumas (ainda que poucas) das pessoas que fazem estes comentários não tenham realmente muito tempo para ler, mas a verdade é que arranjamos sempre tempo para fazer aquilo de que gostamos. Não me digam que têm uma vida assim tão atarefada que não dispõem de 10 minutos para se dedicarem a uma actividade de lazer?

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 imagem vista aqui

 

Concluí que das duas uma: ou estas pessoas não gostam de ler, e utilizam inúmeras variações do “não tenho tempo para”, a verdade é que não podemos gostar todos do mesmo, ou então precisam de encontrar motivação e/ou tempo para ler. Como eu até gosto (e muito) de fomentar os vossos hábitos de leitura, aqui ficam algumas dicas para vos ajudar a ler mais e melhor:

 

  1. Nunca saiam de casa sem um livro: 5 minutos são suficientes para ler umas páginas do livro e nunca se sabe quando podem ter 5 minutos livres. Leio bastante enquanto espero por uma consulta ou pelos transportes, leio em filas de espera e às vezes até leio enquanto almoço.
  2. Utilizem aplicações/sites para se manterem motivados, por exemplo o goodreads, lá podem criar as vossas próprias listas de livros, podem atribuir pontuações aos livros que leram e podem registar as leituras actuais.
  3. Leiam apenas o que vos interessa, os géneros de que mais gostam e onde se sentem confortáveis. Não deixem que vos impinjam livros (contra mim falo).
  4. Arranjem “amigos” que gostem de ler. Há muita gente que, como eu, não tem amigos com quem partilhar o gosto pela leitura, quando assim é acabamos por arranjar “amigos virtuais” (sempre é melhor do que os amigos imaginários) com quem conversar sobre os livros, é altamente motivador! E não estou com isto a sugerir que se desfaçam dos vossos amigos que não lêem.
  5. Comecem por ler livros pequenos, é mais fácil quando vemos a luz ao fundo do túnel. São inúmeros os livros com menos de 200 páginas e existem vários livros de contos que também poderão ajudar.
  6. Experimentem os audiobooks, são úteis para ouvir no carro, nos transportes ou mesmo em casa. Podem até alternar entre as versões áudio e em papel.
  7. Encontrem o lugar ideal para ler, seja em casa, na casa-de-banho, no café, na praia ou nos transportes, todos os locais são bons para ler. Comigo costuma funcionar melhor nos transportes do que no sofá lá de casa, vá-se lá saber porquê.
  8. Arranjem um parceiro de leitura: ler um livro em conjunto é uma experiência engraçada e motivadora, experimentem! Já fiz várias leituras juntamente com leitores do blog, à falta de melhor e desde que o livro me interesse, contem comigo.
  9. Visitem bibliotecas e livrarias, vão ver que saem de lá com vontade de ler tudo o que conseguirem.
  10. Desliguem a televisão

 

Este post é mais um desabafo, pois a maioria das pessoas que o está a ler não precisa de dicas para ler mais ;)

20
Jun16

OPINIÃO | O Sentido do Fim

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Título: O Sentido do Fim

Autor: Julian Barnes

Ano de publicação: 2011

Editora: Quetzal

 

Não sei se já vos disse mas ando numa de tentar reduzir o número de livros "encalhados" da minha estante. Foi esse o motivo que me levou a pegar no livro O Sentido do Fim de Julian Barnes. Nunca tinha lido nada deste autor e não tinha grandes expectativas relativamente a esta obra. Creio que comprei este exemplar por ter sido o vencedor do Man Booker Prize 2011 e porque estava a metade do preço.

 

Não imaginam quão espantada fiquei quando (apenas) ao fim das primeiras páginas, me senti presa à história e principalmente à escrita do autor. Não sei como pude ter este livro tanto tempo na estante sem nunca o ter lido. 

 

Há livros que nos devoram e que deixam um vazio inexplicável, sobre estes livros não conseguimos falar, talvez porque as palavras se tornam demasiado relativas e desprovidas de sentimentos. Vamos lá tentar.

 

O Sentido do Fim aborda de uma forma sublime a temática da morte: as circunstâncias, os envolvidos, a memória dos que ficam e aquilo que ficou daqueles que partiram. Julian Barnes cria um enredo repleto de mistério e sustentado por memórias do protagonista Tony Webster. A ânsia de querer saber o que se passou permanece até ao final e levou-me a ler o livro num ápice. 

 

Sobre a escrita nem sei o que dizer, é muito delicada e profunda, talvez seja melhor que vejam pelo vossos próprios olhos:

 

“Quantas vezes contamos a história da nossa vida? Quantas vezes adaptamos, embelezamos, fazemos cortes matreiros? E, quanto mais a vida avança, menos são os que à nossa volta desafiam o nosso relato, para nos lembrar que a nossa vida não é a nossa vida, é só a história que contámos sobre a nossa vida. Que contámos aos outros mas — principalmente — a nós próprios.”

 

 

Não vou escrever sobre a história nem sobre as personagens, se lerem a sinopse conseguem ter uma noção sobre o que se passa neste livro. É uma história assustadora, não só pela temática que aborda mas também pela forma crua como o autor o faz.

 

Quando terminei esta leitura estava incrédula com o que tinha acabado de acontecer, senti-me incomodada e transtornada, não queria voltar a guardar o livro na estante, queria antes tê-lo junto a mim. Creio que quando isso acontece é justo apelidar o livro de obra-prima.

 

Classificação no Goodreads: 5/5

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